A conversa de Hammett, Cantrell, Zakk Wylde e Slash antes do show final do Black Sabbath
Por Gustavo Maiato
Postado em 12 de setembro de 2025
O último concerto do Black Sabbath em Birmingham, no estádio do Aston Villa, já entrou para a história como uma despedida épica. A apresentação, batizada Back to the Beginning, reuniu Ozzy Osbourne em sua derradeira volta aos palcos como vocalista da banda que ajudou a fundar o heavy metal. Pouco depois, Ozzy faleceu, menos de três semanas após o espetáculo.
O evento foi marcado não apenas pela emoção do público, mas também pelo nervosismo de grandes nomes do rock que participaram da celebração. Entre eles, Jerry Cantrell, guitarrista do Alice in Chains, que admitiu ter sentido a pressão ao interpretar o clássico Fairies Wear Boots. Em entrevista à Guitar World, ele lembrou que não estava sozinho nessa ansiedade: até Kirk Hammett, do Metallica, demonstrou apreensão.
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"A gente conversou antes de subir no palco — Kirk, Zakk Wylde, Slash e eu. Quando o Kirk chegou, ele disse: ‘Cara, tô nervoso pra c****!’ E eu respondi: ‘Eu sei, eu também. Mas não é pelas nossas músicas, é pela p**** da música do Sabbath que temos que tocar. Eu não quero estragar isso!’", contou Cantrell.
O guitarrista explicou que a sensação de tocar um clássico do Black Sabbath remete à juventude de qualquer roqueiro. "Tem um certo elemento de o rock ser coisa de jovem. Ele te mantém jovem, porque você precisa se conectar a essa irreverência mágica para fazer bom rock. É como estar de volta à garagem, com os amigos, roubando uma cerveja do estoque do seu pai, fumando um baseado vagabundo e tentando aprender uma música do Sabbath", disse.
Além das próprias faixas do Alice in Chains, como Man in the Box e Would?, a banda participou da celebração em homenagem aos padrinhos do metal. Para Cantrell, a escolha de Fairies Wear Boots foi simbólica e desafiadora, um verdadeiro teste de responsabilidade diante da plateia e, sobretudo, diante de Ozzy.
Com a morte do vocalista logo depois, o show ganhou ainda mais peso histórico. Cantrell refletiu sobre o momento. "Fiquei muito triste quando o Ozzy morreu. Mas, pensando bem, ele trabalhou duro por anos para conseguir fazer aquilo. Foi perfeito. Nem todo artista tem uma despedida assim. Talvez não seja perfeito, mas chegou bem perto. Se você quiser chamar de um ‘walk-off home run’, foi exatamente isso."
Organizado por Tom Morello e Sharon Osbourne, o concerto reuniu dezenas de estrelas e foi descrito como uma celebração única. Para os músicos presentes, significou não apenas homenagear um ídolo, mas também reviver a essência do rock em sua forma mais pura: a emoção de tocar as músicas que moldaram suas carreiras.
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