Rock é a mesma coisa que Rock 'n Roll? Regis Tadeu explica a diferença
Por Gustavo Maiato
Postado em 11 de outubro de 2025
Em entrevista concedida ao canal de Eli Corrêa, o jornalista e crítico musical Regis Tadeu explicou com detalhes o que, para ele, diferencia o rock and roll do rock - uma confusão comum até mesmo entre fãs de música. Com seu estilo direto e provocador, Regis fez uma verdadeira aula de história, pontuando que o rock and roll foi um fenômeno breve, que durou apenas quatro anos, mas que mudou para sempre a cultura popular.
"Rock and roll durou de 1954 a 1958", afirmou logo no início. "As pessoas confundem rock and roll com rock, mas são coisas diferentes. O rock and roll é uma coisa; o rock, outra". Segundo ele, o gênero nasceu da mistura entre dois universos musicais muito distintos. "O rock and roll nada mais é do que a junção energética do country - que nos Estados Unidos era chamado de hillbilly - com o blues. Essa junção gerou o que se chamou de rock and roll."

Para Tadeu, o primeiro ciclo do estilo foi liderado por músicos que definiam o espírito da época. "Você tinha uma geração genuína, com gente como Chuck Berry, Little Richard e o próprio Elvis Presley, que era cantor de country e depois entrou nessa coisa do rock and roll", explicou. "Mas também tinham os picaretas, como o Bill Haley, que surfou na onda por puro oportunismo mercadológico."
Regis Tadeu e o rock
O crítico fez questão de diferenciar os artistas autênticos dos oportunistas. "Bill Haley era um cantor de hillbilly que quis parecer jovem, moderno. Quando descobriram que ele já era um tiozão gordinho, com topete e tudo, foi uma decepção geral. Era um cara fazendo som de jovem, mas que entrou no jogo só pra vender disco", disse.
Regis afirmou que o movimento durou pouco porque seus principais nomes acabaram enfrentando escândalos ou crises pessoais. "Em 1958, todo mundo que veio dessa primeira geração caiu em desgraça. Chuck Berry foi preso porque levou uma menina de 14 anos de um estado para outro - e isso era crime. Little Richard enlouqueceu, virou pastor e disse que tudo o que fazia era música do diabo. E Jerry Lee Lewis se ferrou porque casou com a prima de 13 anos!", relatou.
Nem Elvis escapou de críticas. "Essa história de rei do rock é besteira de fã", provocou. "O Elvis foi pro exército por uma manobra do empresário dele, o coronel Tom Parker. A sociedade americana estava caindo de pau em cima dele, e o empresário percebeu que precisava transformá-lo em um bom moço pra agradar as famílias conservadoras." Régis continuou: "Imagina o escândalo que foi o Elvis rebolando na televisão! Era o equivalente a ver o Tim Maia pelado na Globo. Pra resolver isso, botaram ele no exército, cortaram o cabelo e ele voltou domesticado, cantando baladinhas e fazendo filmes horrorosos."
O crítico ainda fez uma observação ácida sobre a relação entre o mito e a realidade. "O Elvis foi transformado em produto. E pra bom entendedor, meia palavra basta - ele conheceu a Priscilla Presley quando ela tinha 14 anos, lá na Alemanha. Então, esse papo de bom moço sempre foi uma grande farsa", disparou.
Ao falar sobre a transição para o rock, Regis explicou que o verdadeiro renascimento do gênero veio da Inglaterra. "Quando o rock and roll acabou, nos Estados Unidos apareceram os cotonetes musicais - artistas inofensivos, sem energia. Mas na Inglaterra tinha uma cena chamada skiffle, que misturava folk e country. Era um som simples, rural, quase um rock and roll caipira inglês", contou. "Dessa cena saíram várias bandas, e uma delas mudaria tudo: os Beatles. Quando eles lançaram o primeiro disco, o rock renasceu. O rock and roll tinha morrido, mas o rock, o verdadeiro, estava só começando."
Confira a entrevista completa abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A voz que Freddie Mercury idolatrava; "Eu queria cantar metade daquilo", admitiu o cantor
A banda lendária com que o Deep Purple odiava comparação: "Nada é pior, não tenho paciência"
A música de rock com a melhor introdução de todos os tempos, segundo Dave Grohl
Gary Holt compara James Hetfield e Dave Mustaine e diz que toque de Dave é "diferente"
A banda que é boa para ouvir num churrasco discutindo sobre carros, segundo Regis Tadeu
A sincera opinião de Jéssica Falchi sobre o Iron Maiden sem Nicko McBrain
O beijo em cantora que fez Ney Matogrosso perceber que lado hétero não está adormecido
Mustaine aponta as diferenças entre sua releitura de "Ride the Lightning" e a versão original
A música do Megadeth que James Hetfield curte, segundo Dave Mustaine
Dave Mustaine aponta o que poderia resolver sua relação com o Metallica
Os títulos de músicas do Metallica que aparecem em "The Last Note", do Megadeth
Por que o Lynyrd Skynyrd gravou um solo de guitarra fora do tom em uma canção clássica?
A voz mais pura do rock de todos os tempos, segundo Bruce Springsteen
A banda que dá "aula magna" de como se envelhece bem, segundo Regis Tadeu
"Sem tempo, irmão!"; as clássicas bandas que Phil Collins ignorou completamente na época

A definição de rock n roll segundo quem melhor entende do assunto: Mick Jagger
Rock N Roll e os seus feitos impressionantes na história da música
Regis Tadeu explica por que Roger Waters continua um imbecil
A banda inglesa de rock que Regis Tadeu passou parte da vida pronunciando o nome errado
A banda que é "obrigatória para quem ama o metal brasileiro", segundo Regis Tadeu
A última grande cantora de verdade que existiu, segundo Regis Tadeu
O disco nacional dos anos 70 elogiado por Regis Tadeu; "hard rock pesado"
Regis Tadeu revela qual lado está errado na treta do Sepultura com Eloy Casagrande
Os álbuns do Kiss em que Gene Simmons e Peter Criss não tocaram, segundo Regis Tadeu
Como é a estrutura empresarial e societária do Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
Regis Tadeu "responde" provocações feitas por ex-Engenheiros do Hawaii


