O compreensível motivo que levou Sepultura a decidir não filmar turnê de despedida
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de outubro de 2025
Quando o Sepultura anunciou, em dezembro de 2023, que encerraria sua carreira após quatro décadas de atividade, a notícia caiu como uma bomba no cenário do metal mundial. A banda brasileira, que levou o peso e a agressividade da música nacional para os quatro cantos do planeta, deixou claro em comunicado oficial que a despedida seria feita em grande estilo, com uma turnê mundial e um registro especial. Mas, ao contrário do que muitos fãs esperavam, não haverá um documentário em vídeo sobre essa jornada final.
Em entrevista ao canal do guitarrista Marcos Kaiser, Andreas Kisser explicou a decisão. Segundo ele, a banda prefere preservar a magia da imaginação, algo cada vez mais raro nos dias de hoje. "Hoje você tem tudo mastigado, mano. O cara acorda e já tá filmando a troca da corda da guitarra, o que comeu no café da manhã, o backstage… Isso mata a magia", disse. Para Andreas, o excesso de imagens acaba diluindo a experiência artística.

O músico contou que cresceu em uma época em que ouvir um disco ao vivo era um convite à imaginação. "Você ficava pirando: como será que é o backstage? Os caras já pintaram o rosto? Estão prontos pra entrar? Isso criava uma Disneyland na cabeça da gente, um mundo fértil que alimentava a curiosidade e nos levava atrás daquilo. A arte não tem que ser explicada, ela precisa ser sentida. E cada um interpreta de um jeito", afirmou.
Turnê de despedida do Sepultura
É por isso que o Sepultura decidiu que a despedida será registrada apenas em áudio: um disco ao vivo com 40 músicas gravadas em 40 cidades diferentes ao redor do mundo. "Não vai ter vídeo, não vai ter nada. É só o som. É Arise em Moscou, é Roots em Osasco… seja onde for. Acho que essa escolha ajuda a manter a magia da música", declarou Andreas.
A decisão surpreende em um momento em que grande parte das bandas aposta justamente em filmagens de bastidores, transmissões ao vivo e documentários detalhados para se aproximar do público. Para Kisser, no entanto, essa proximidade excessiva retira a aura mística que sempre cercou o rock. "Na nossa época, você comprava um disco importado, guardava dinheiro com os amigos, gravava fita cassete. Cada detalhe era precioso. Hoje a disponibilidade é tanta que as pessoas não se conectam do mesmo jeito", comentou.
Andreas também lembrou como essa relação mais profunda ajudava a criar comunidades entre os fãs. "Você via alguém no metrô com uma camiseta do Kiss e já puxava papo: 'Mano, onde você conseguiu isso?'. Parecia mágico. Hoje, com a facilidade da internet, tudo ficou mais banalizado. Mas essa conexão verdadeira, construída no esforço, é algo que eu ainda valorizo muito."
Confira a entrevista completa abaixo.
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