Bon Jovi foi o "Nickelback dos anos 1980", segundo o Ultimate Guitar
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de novembro de 2025
Nos anos 1980, o hard rock vivia uma fase de transição. Saído dos clubes, moldado por produtores experientes e cada vez mais presente nas rádios, o gênero começava a ganhar contornos mais polidos. Foi nesse cenário que um quinteto de Nova Jersey, frequentemente subestimado pelos fãs de sons mais pesados, acabou desempenhando um papel determinante na história da música pesada. Bon Jovi, amados por uns e detestados por outros, se tornariam o pivô de uma mudança profunda no mainstream.
Em texto publicado pelo Ultimate Guitar, o escritor Justin Beckner afirma que a banda "foi o Nickelback dos anos 1980", comparando o grupo ao típico alvo de críticas fáceis. Mas é justamente aí que reside o ponto central: apesar das piadas e do ranço de parte da cena metal, Bon Jovi ajudou a abrir as portas para o rock pesado nas rádios e no grande público. E tudo isso se consolidou em um único disco - "Slippery When Wet", lançado em 1986.

Nickelback e Bon Jovi
O álbum foi gravado em Vancouver e teve produção de Bruce Fairbairn com engenharia de Bob Rock, dupla que se tornaria referência absoluta no rock pesado. A fama de que o título veio de um strip club local apenas reforçava a aura "bad boy" do grupo, algo que Beckner descreve como um rótulo que "se agarrou à banda como uma camiseta molhada". A capa original, mostrando uma mulher com uma T-shirt encharcada, ajudou a alimentar esse imaginário, embora as gravações tenham ocorrido em uma área nobre e com um time técnico de primeira.
Mas o que realmente mudou tudo foram as músicas. Beckner lembra que "Livin' on a Prayer" surgiu de um rascunho de Jon Bon Jovi e Richie Sambora, que depois foi transformado ao lado do super compositor Desmond Child. O autor ressalta que o demo original, hoje disponível, "soava fraco, sem o baixo pulsante, sem o talk box e com letras que pareciam abarrotadas". Após ser retrabalhada, a faixa se tornou um dos maiores hinos da música pop-rock - e abriu caminho para incontáveis bandas misturarem peso com apelo radiofônico.
A reação da cena metal, entretanto, não foi exatamente amigável. Beckner lembra que "James Hetfield colocou um adesivo na guitarra escrito 'Kill Bon Jovi'", num gesto que resumia a rejeição de parte do público mais extremo. Paradoxalmente, seria justamente Bob Rock - o engenheiro de Slippery When Wet - quem produziria o icônico Black Album do Metallica poucos anos depois. A ironia histórica não passou despercebida.
Beckner argumenta que Bon Jovi "tinha imagem rebelde o bastante para atrair adolescentes, mas limpa o suficiente para não assustar os pais". Para ele, isso ajudou o grupo a se tornar um fenômeno cultural, ainda que à custa da antipatia de fãs de sons mais agressivos. Seja por inveja, seja por elitismo musical, o fato é que a banda virou sinônimo de "rock diluído" - uma percepção que não diminuiu o impacto do disco de 1986.
O sucesso de "Slippery When Wet" foi tão grande que alterou a programação das rádios e inspirou artistas do mundo inteiro. Beckner cita que, apenas um ano depois, Guns N' Roses alcançaria o topo com "Appetite for Destruction", seguindo parte do "plano de ataque" que Bon Jovi havia tornado viável: produção moderna, refrões gigantescos e um pouco de polêmica visual - inclusive com capa censurada. Mesmo que o GN'R buscasse se afastar visualmente da "limpeza" de Bon Jovi, a base sonora estava ali.
Por fim, Beckner destaca que a equipe técnica de "Slippery When Wet" moldaria o rock dos anos seguintes. Fairbairn produziria Aerosmith na fase de retorno, enquanto Bob Rock trabalharia com Mötley Crüe, David Lee Roth, The Cult e, claro, Metallica. O padrão sonoro estabelecido naquele disco seria replicado incansavelmente - e, goste-se ou não, ajudaria o rock pesado a chegar a um público que antes jamais o alcançaria.
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