Bono cita dois artistas que o U2 jamais vai alcançar; "Estamos na parte de baixo da escada"
Por Bruce William
Postado em 18 de novembro de 2025
Quando o U2 explodiu de vez nos anos 1980, muita gente passou a enxergar a banda como candidata natural ao posto de "maior grupo de rock do planeta". Bono, porém, sempre teve um jeito particular de lidar com esse tipo de rótulo. Em vez de posar como dono do trono, ele costuma lembrar publicamente que o grupo veio depois de uma longa linhagem de artistas que já tinham construído a base da música que eles amavam.
Essa visão apareceu com força justamente na fase em que o U2 resolveu encarar de frente a influência da cultura norte-americana. Depois do sucesso de "The Joshua Tree", o quarteto partiu para o projeto "Rattle and Hum", misturando gravações ao vivo, regravações e parcerias com músicos ligados ao blues, ao soul e ao gospel. Nesse pacote entram participações da seção de metais Memphis Horns em faixas como "Angel of Harlem" e "Love Rescue Me", além da colaboração de B.B. King em "When Love Comes to Town", gravada no Sun Studio, em Memphis.

Foi nesse contexto que Bono deixou claro que, na cabeça dele, o U2 não chegava perto de certos nomes que ajudaram a moldar a música dos Estados Unidos. Em declaração reproduzida pela Far Out o vocalista comentou: "Embora eu ache que o U2 esteja no auge da nossa forma em termos da nossa própria música, quando eu olho para a música americana, falo dos Memphis Horns e do B.B. King, nessa escala, nós estamos na parte de baixo da escada."
Os Memphis Horns, citados por Bono, não eram uma banda convencional, mas uma seção de metais que marcou época em Memphis. Formada por Wayne Jackson (trompete) e Andrew Love (sax tenor), a dupla ficou conhecida pelos arranjos em gravações da Stax Records, ao lado de nomes como Otis Redding, Sam & Dave e outros artistas de soul e R&B. Décadas depois, o mesmo som de metais acabou aparecendo em faixas do próprio U2, reforçando a ponte entre o rock irlandês e a tradição da música negra norte-americana.
Já B.B. King dispensa apresentações para quem acompanha blues e rock. Chamado de "Rei do Blues", ele atravessou gerações com uma mistura de fraseado econômico, vibrato característico e uma forma muito pessoal de contar histórias na guitarra e na voz. A parceria com o U2 em "When Love Comes to Town", lançada como single de "Rattle and Hum" em 1989, colocou o guitarrista em evidência para uma fatia mais jovem do público de rock, ao mesmo tempo em que reforçou para a banda irlandesa de onde vinha parte da força emocional que eles buscavam nas próprias composições.
Quando Bono diz que o U2 está "na parte de baixo da escada" em comparação à escala representada por Memphis Horns e B.B. King, o que aparece ali não é falsa modéstia, mas uma confissão de hierarquia musical que ele leva a sério. Mesmo com discos no topo das paradas e turnês gigantescas, o vocalista deixa claro que enxerga a banda como herdeira - e não substituta - de quem ajudou a definir o som que inspirou "The Joshua Tree" e "Rattle and Hum". Para ele, por mais longe que o U2 tenha ido, o topo dessa escada continua ocupado pelos músicos que transformaram a música americana em referência para o resto do mundo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Regis Tadeu atualiza situação de Dave Murray: "Tenho fonte próxima do Iron Maiden"
Celebrando 50 anos, Iron Maiden anuncia o EddFest
Está na hora dos haters do Dream Theater virarem o disco
Rob Halford e Tom Morello deixam claro que o Judas Priest é, sim, uma banda política
A música dos Beatles que George Harrison chamou de "a mais bonita" que o grupo fez
Os álbuns do Pink Floyd que Roger Waters chamou de "pretensiosos"
As 10 cifras de guitarra mais acessadas de todos os tempos no Ultimate Guitar
Lauren Hart no Arch Enemy? Nome da vocalista explode nos bastidores; confira o currículo
Cobra Spell entra em um hiato indeterminado
A música que resume a essência do Metallica, segundo o Heavy Consequence
O guitarrista que Slash acabou descobrindo que "copiava sem perceber"
Dez clássicos do rock que viraram problema devido a alguma polêmica
Regis Tadeu afirma que último disco do Megadeth é "uma aula de dignidade"
Gastão Moreira fala sobre Dream Theater; "a banda mais narcicista de todas"
Mikael Åkerfeldt enfrenta aversão a turnês em nome do sucesso do Opeth


O gênero que revolucionou o rock, mas The Edge achava insuportavelmente tedioso
Bono elege o que o heavy metal produz de pior, mas admite; "pode haver exceções"
São Paulo pode ter mega show como Copacabana; Stones, U2 e Foo Fighters são cotados
Prefeito de SP quer trazer U2, Rolling Stones ou Foo Fighters para show gratuito
Os 11 maiores discos de onze bandas gigantes dos anos oitenta, segundo a Loudwire
Os discos do U2 que Max Cavalera considera obras-primas
Os 50 melhores álbuns ao vivo de todos os tempos, em lista da Classic Rock
Bono aponta aquela que considera "possivelmente a maior canção do U2"


