O hit dos Rolling Stones que mostrou a Cazuza que é possível unir rock e MPB
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de novembro de 2025
No meio da efervescência musical brasileira dos anos 1980, quando o rock nacional ganhava força e a MPB buscava novos caminhos, algumas figuras transitavam com naturalidade entre esses dois mundos. Uma delas era Nico Rezende, tecladista, compositor e produtor que colaborou ativamente com nomes decisivos da música brasileira.
Ele participou de trilhas, produções e do universo musical que cercava artistas como Marina Lima, Lulu Santos e, claro, Cazuza, com quem desenvolveu uma amizade profunda - a ponto de tê-lo como padrinho de casamento.
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Em entrevista ao canal Pitadas do Sal, Nico relembrou o período em que trabalhou com o ex-vocalista do Barão Vermelho, especialmente quando o cantor buscava uma identidade para além do rock visceral que o havia projetado na época do "Exagerado".
Segundo o músico, Cazuza vivia um momento de ruptura: queria se afastar da moldura rígida do rock tradicional, mas sem abrir mão da intensidade que lhe era característica. Ao mesmo tempo, desejava incorporar nuances da MPB que sempre admirou - influências herdadas tanto da mãe, Lucinha Araújo, quanto de sua paixão por compositores como Cartola e Lupicínio Rodrigues.
Foi nesse processo de busca que Nico apresentou a Cazuza uma referência determinante. Durante a conversa, o produtor contou que usava um exemplo clássico para explicar ao amigo que o gênero não limita a essência de uma canção. Como ele lembrou na entrevista publicada pelo Pitadas do Sal:
"Eu falava para ele: 'Pô, Caju, a gente tem que ver o Rolling Stones, né? Você pega o Mick Jagger cantando Angie, que é uma balada - e ela é totalmente rock and roll, né? Apesar de ser uma balada.'"
A reflexão ajudava Cazuza a entender que o espírito rock and roll não dependia do peso das guitarras ou da velocidade da música, mas sim da atitude, da entrega e da forma de interpretar. Nico reforçou essa visão ao comentar: "A questão do ritmo não determina a essência da produção. Você pode ser rock and roll fazendo apenas voz, uma coisa a capela."
Para o músico, Angie - lançada pelos Rolling Stones em 1973 - simbolizava perfeitamente essa mistura: uma balada suave, guiada por violões e cordas, mas entregue com a intensidade emocional típica de Mick Jagger.
Essa leitura ajudou a moldar a trajetória solo do cantor, que surgiria em 1985 com uma sonoridade híbrida, romântica, rasgada e sofisticada - uma síntese única que faria de Cazuza um dos artistas mais originais da música brasileira.
Confira a entrevista completa abaixo.
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