O hit de Cazuza que Lulu Santos achou tão bom que ficou com ciúmes
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de novembro de 2025
Na metade dos anos 1980, nomes como Cazuza e Lulu Santos cruzavam caminhos num ambiente em que o rock brasileiro ganhava contornos próprios e a MPB flertava cada vez mais com a modernidade. No meio desse fluxo criativo estava Nico Rezende, tecladista, compositor, arranjador e produtor que participou de alguns dos bastidores mais significativos daquela geração. Antes de produzir Cazuza em sua estreia solo, Nico já integrava a banda de Lulu Santos, experiência que ajudou a moldar seu olhar musical e o aproximou de artistas que logo se tornariam gigantes.

Foi durante uma entrevista ao canal Pitadas do Sal que Nico relembrou um episódio curioso envolvendo os dois ícones. Ele contou como, durante as gravações do álbum "Exagerado" (1985), teve a oportunidade de mostrar ao então chefe - Lulu - a base instrumental da música que viria a se tornar um dos maiores sucessos de Cazuza. Sem voz, sem letra registrada e ainda em estágio cru, "Exagerado" já trazia a energia que marcaria a carreira solo do ex-Barão Vermelho.
Lulu Santos e Cazuza
Segundo Nico, a faixa nasceu em um ambiente de liberdade criativa dentro do estúdio, com músicos novos e arranjos que rompiam com o som tradicional do Barão. "As canções chegavam no violão e voz, e a gente ia propondo diferentes caminhos", disse. O produtor lembrou que "Codinome Beija-Flor", por exemplo, ganhou um arranjo de piano e quarteto de cordas - algo totalmente fora do padrão de Cazuza até então. Em meio a essa fase experimental, "Exagerado" despontava como a representação perfeita da nova fase que o cantor buscava.
O momento decisivo veio durante uma viagem com Lulu Santos. Nico carregava a base instrumental em uma fita e, dentro de um carro, usando aqueles "radiões" portáteis da época, resolveu mostrar o que estava produzindo com Cazuza. Lulu ouviu, prestou atenção e, segundo Nico, reagiu com uma mistura de admiração e… leve ciúme profissional. "Ele olhou meio assim e falou: 'Pô… tá bonito, né? Tá bacana'", contou o produtor. A resposta curta, porém sincera, entregava o impacto da gravação - uma admiração atravessada por aquela rivalidade saudável entre artistas do mesmo calibre.
Sal destacou na entrevista que Lulu sempre soube se cercar de excelentes músicos, e que tocar com ele era uma "escola". A boa relação entre os dois fez com que o comentário soasse mais como reconhecimento do que como desconforto, mas o episódio acabou simbolizando a potência de Exagerado ainda no nascimento. "A gente não tinha ideia do quão emblemático o disco seria", disse o produtor, lembrando que a faixa-título se tornaria uma das músicas definitivas da carreira de Cazuza.
Confira a entrevista completa abaixo.
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