A única banda de rock progressivo que The Edge, do U2, diz que curtia
Por Bruce William
Postado em 14 de novembro de 2025
The Edge nunca construiu sua reputação em cima de solos intermináveis ou demonstrações de virtuosismo. Desde os primeiros discos do U2, a ideia sempre foi outra: timbre, textura, repetição inteligente, uso criativo de delay e riffs que ocupam espaço sem precisar de meia hora de música. Em vez de tentar competir com guitarristas técnicos, ele preferiu encontrar uma identidade própria dentro de poucos elementos bem escolhidos.
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Apesar disso, o guitarrista irlandês nunca deixou de prestar atenção ao que acontecia ao redor. À medida que o U2 crescia, ele ouvia novas bandas, absorvia referências modernas e, de vez em quando, cruzava com ideias que fugiam do rock direto que servia de base para o grupo. Ainda assim, o chamado rock progressivo clássico nunca foi exatamente o seu território de conforto.
Em uma de suas declarações mais francas sobre o assunto, The Edge contou que grande parte daquele prog setentista simplesmente não o atingia. Disse que era fã dos Beatles e que não se conectava com a maioria das bandas do gênero naquele período. A exceção ficou por conta do Yes: "Eu até gostava de uma banda chamada Yes, porque acho que eles tinham algumas boas ideias, mas o resto simplesmente me deixava completamente frio." A frase resume bem o gosto musical do guitarrista, que mantinha curiosidade seletiva sobre outras coisas, sem aderir ao pacote completo.
Quando se compara o trabalho de Steve Howe com o que The Edge faria depois, dá para entender essa ressalva. Howe explorava harmonias, acordes abertos e o uso criativo de harmônicos, elementos que, em outra lógica, aparecem também na guitarra do U2. Não é que The Edge quisesse compor algo como "Close to the Edge", mas certas soluções de ataque e de desenho melódico nas notas têm parentesco - bem distante - com o modo como o Yes tratava a guitarra dentro de estruturas mais complexas.
A diferença é que, no caso do U2, aquelas ideias foram comprimidas em canções mais curtas, diretas e guiadas por refrões fortes, sem suítes de vinte minutos nem viradas infinitas. Como coloca a Far Out, que trouxe a fala do guitarrista, se o Yes representava, para ele, o lado do prog que trazia "algumas boas ideias" de verdade, The Edge pegou esse tipo de inspiração microscópica e encaixou num contexto mais econômico, mais próximo da energia do pós-punk do que das viagens cósmicas dos anos 1970.
No fim das contas, essa única exceção ajuda a iluminar a lógica do próprio The Edge: em vez de negar o rock progressivo por completo, ele pinçou o que fazia sentido para sua linguagem e descartou o excesso. Yes entra nessa história não como modelo a ser copiado, mas como a rara banda de prog que, aos olhos (e ouvidos) de The Edge, oferecia algo aproveitável em meio a um universo que, na maior parte do tempo, o deixava indiferente.
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