O cantor "pretensioso" com quem Mick Jagger disse que jamais soaria parecido
Por Bruce William
Postado em 06 de novembro de 2025
Nos anos 60, os Rolling Stones formaram sua identidade olhando para o blues e para o palco barulhento de clubes e ginásios. A prioridade nunca foi lapidar emissão vocal como concerto de câmara, mas sim transmitir energia, urgência e presença. É nesse ponto que Mick Jagger contrasta seu jeito de cantar com o de certos artistas "polidos".
Nos primeiros anos, a banda queria seguir a trilha dos blueseiros. Não importava ter "a melhor técnica do mundo"; importava o impacto de cada entrada de voz, o drive que combinava com o riff. Era o oposto do canto polido que dominava rádio e TV em parte dos anos 50/60.
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Jagger percebia essa diferença especialmente ao vivo. Em uma entrevista antiga resgatada pela Far Out, descreveu a diferença entre estúdio e palco: "Os Rolling Stones no palco simplesmente não são a Boston Pops Symphony Orchestra. É um monte de barulho. No disco pode ser bastante musical, mas quando você chega ao palco não é uma performance de virtuose. Eu certamente não quero subir ao palco e apenas ficar parado como Scott Walker e ser muito pretensioso. A coisa toda é uma performance de natureza muito básica, é excitante e é isso que deve ser."
A referência a Scott Walker explica o ponto. Walker (youtube) cultivava um canto grave e elegante, com arranjos de câmara e apuro orquestral, o que se tratava de um universo distante do show barulhento e físico dos Stones. Para Jagger, "ficar parado" e lapidar cada frase soava como um caminho que tirava a urgência do rock.
Esse incômodo já vinha de antes: ídolos de apelo "limpinho" e teen idol haviam, para ele, suavizado demais o gênero. A resposta de Jagger foi dobrar a aposta sendo bruto e com presença marcante. Discos como "Between the Buttons" guardam baladas e doçuras ocasionais, mas a régua interna do grupo (sim, sem floreio técnico) era outra: manter a fricção que vinha dos bares e porões.
No fundo, a comparação não era sobre "quem canta melhor", e sim sobre função: Walker operava na tradição do crooner moderno; Jagger queria corpo em movimento, microfone sujo, banda no talo. Ele não disputava o mesmo campeonato de emissão vocal, ele disputava atenção, suor e ritmo.
Vale lembrar que o próprio Walker seguiu caminhos bem menos previsíveis anos depois, com trabalhos experimentais como Bish Bosch e colaborações com o Sunn O)))). Ou seja: a crítica de Jagger estava no que acontecia na época e o estilo de palco, não pode ser estendida para uma carreira inteira. E para Jagger, o recado permanecia simples: no estúdio, os Stones podiam soar "musicais"; no palco, a missão era excitar a plateia. E isso, na visão dele, não se alcança "parado, sendo pretensioso".
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