As músicas do Iron Maiden que Dave Murray não gosta: "Poderia ter soado melhor"
Por Gustavo Maiato
Postado em 01 de novembro de 2025
Nem só de clássicos vive uma banda lendária. Mesmo com uma discografia repleta de marcos do heavy metal, o Iron Maiden também carrega faixas que, com o passar do tempo, deixaram seus próprios integrantes menos satisfeitos. O guitarrista Dave Murray, um dos pilares da formação clássica, admitiu em diferentes entrevistas que algumas músicas poderiam ter sido melhores - um olhar raro e honesto sobre a perfeição obsessiva que sempre marcou o grupo britânico.
No livro "Somewhere in Time – Um Clássico do Iron Maiden", escrito por Stjepan Juras, o clima interno da banda durante as gravações do álbum de 1986 é descrito como "perfeito". O guitarrista relembra: "A atmosfera dentro da banda era incrível, e era óbvio que tudo caminhava para dar certo. Acredito que esse é o nosso álbum mais sofisticado até o momento. Usamos os melhores estúdios e um novo processo chamado Direct Metal Mastering, inventado na Alemanha e usado até então apenas em música clássica". A sonoridade refinada do disco refletia o empenho do grupo em experimentar novas tecnologias sem perder o peso e a identidade que o público esperava.

Mas Murray, conhecido por seu estilo fluido e pela postura tranquila, não deixou de reconhecer que nem tudo saiu como o planejado em trabalhos anteriores. Em entrevista à revista francesa Hard Rock, citada por Juras, ele declarou: "Lógico, em retrospectiva, há algumas músicas que não nos deixaram muito satisfeitos, mas não é o fim do mundo. Músicas como 'Gangland' e 'Invaders' (The Number of the Beast) ou 'Quest for Fire' e 'Sun and Steel' (Piece of Mind) não são tão fortes quanto outras. No Powerslave, 'Flash of the Blade' poderia ter soado um pouco melhor, mas, em Somewhere in Time, tudo está perfeito".
O livro de Stjepan Juras também mostra como a busca por perfeição contrastava com as tensões internas do grupo. Durante a turnê do "Somewhere in Time", Bruce Dickinson passava por um momento de esgotamento emocional. "Eu me senti como uma mosca sendo esmagada", admitiu o vocalista em declarações posteriores. Segundo Juras, Bruce estava frustrado com o que via como "um impasse criativo", e temia que a banda se repetisse caso não ousasse mais. Essa sensação de confinamento artístico acabou influenciando o clima entre os integrantes - ainda que, paradoxalmente, o álbum tenha nascido dessa mistura de pressão e genialidade.
Curiosamente, Murray parece ter sido o que melhor lidou com esse equilíbrio entre exigência e leveza. Em entrevista recente à MusicRadar, ele explicou por que as composições do Maiden soam únicas: "Quando Steve Harris escreve uma música, ela tem uma identidade própria. É provavelmente algo que um guitarrista não escreveria, e isso é ótimo, porque te obriga a sair da zona de conforto". Mesmo sendo coautor de faixas como "Still Life" e "The Prophecy", ele diz preferir ser "parte do time" e canalizar qualquer frustração no palco. "Tocar é uma forma de terapia. Não preciso de controle de raiva - só de tocar música."
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



11 bandas que nunca fizeram um disco tão bom quanto o primeiro
19 shows internacionais de rock e metal no Brasil até o final de agosto
5 hits de 2001 que ainda serão ouvidos 100 anos depois, segundo a Far Out
O rockstar que puxou uma faca para Malcolm Young nos anos setenta
Fabio Lione reage extremamente irritado após Circo Voador admitir erro sobre show
Os 5 melhores álbuns de todos os tempos, segundo Lucas Inutilismo
O rival que Eddie Van Halen achava sem feeling: "Será que é assim que me enxergam?"
O guitarrista que Jimmy Page chamou de gênio antes da fama: "Facilmente o melhor"
O álbum do Judas Priest que não fez sucesso no lançamento, mas virou um clássico
Richie Sambora faz show com seu substituto no Bon Jovi, Phil X
5 músicas de metal com refrãos feitos na medida para você pular sem parar
O clássico do Black Sabbath em que Ronnie James Dio atingiu a nota mais alta de sua carreira
O clássico do rock que explodiu no verão de 1972 e volta todo ano na mesma época
Como uma canção pop de 1968 separou o The Smiths no auge do sucesso?

Dave Murray explica por que as composições do Iron Maiden são diferentes

Blaze Bayley diz que o Iron Maiden é tão importante culturalmente quanto "Star Wars"
Steve Harris defende "No Prayer for the Dying", oitavo álbum do Iron Maiden
"Não preciso provar nada", afirma Blaze Bayley, ex-vocalista do Iron Maiden
Blaze Bayley afirma que fazer turnês não é saudável
Bruce Dickinson relembra participação em show da banda de Billie Joe Armstrong
5 músicas do Iron Maiden que demoram para conquistar, mas valem a insistência
Dave Murray, Adrian Smith e Bruce Dickinson revelam suas músicas favoritas do Iron Maiden
5 coisas que todo fã do Iron Maiden precisa ficar explicando toda hora
O clássico do Iron Maiden em que Bruce Dickinson alcançou a nota mais alta da carreira
Bruce Dickinson: foi difícil evitar as drogas durante tours


