O motivo que levou Fabio Lione a quase sair do Angra em 2023, segundo Marcelo Barbosa
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de fevereiro de 2026
A saída de vocalistas no metal quase sempre vira novela - e, no caso do Angra, isso é praticamente um subgênero. Em 2023, antes mesmo de a história terminar como terminou (com a saída já consumada depois), existiu um momento em que Fabio Lione teria ficado muito perto de pular fora. E quem explicou o por quê foi Marcelo Barbosa, em entrevista ao canal Ibagenscast.
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Segundo Marcelo, o ponto não foi uma briga aberta ou um climão irreversível dentro do grupo. Ele descreve algo mais comum (e mais desgastante): uma sequência de "imbróglios" em momentos decisivos, que vão criando um ambiente de insegurança. "Esse mesmo tipo de imbróglio que aconteceu às vésperas de assinar o contrato num festival grande… aconteceu às vésperas da gravação do Acústico", relembrou, comentando sobre o DVD "Acoustic – Live at Ópera de Arame", gravado em 2023.
No relato, a questão central era a dúvida do próprio vocalista diante de compromissos importantes. Marcelo cita que, na época do acústico, rolou um impasse: "Houve um imbróglio pro Fábio… 'não sei se eu vou, não sei se é bem isso, eu vou gravar esse acústico'… e daí e tal". Para ele, esse tipo de hesitação recorrente tem um efeito corrosivo, porque deixa todo mundo sem saber se o plano vai acontecer até o último minuto.
O guitarrista escolheu as palavras com cuidado - e até avisou que hoje "tem que tomar muito cuidado com esses cortes de internet". Ainda assim, foi direto ao explicar a sensação que fica quando esse padrão se repete. "Não que ele seja uma bomba-relógio, mas esse tipo de situação são situações que são bomba-relógio", disse, deixando claro que o problema não seria "a pessoa", e sim a dinâmica de risco criada por incertezas em cima da hora.
Na prática, Marcelo explica o desgaste como uma espécie de refém emocional e logístico. Ele coloca o cenário na mesa: "Uma hora você fala: 'Bicho, tá, mas e a hora que o cara não aparecer?' Ou que o cara falar assim: 'Foda-se'… você entende?". E completa com a consequência: "Essa coisa de ficar meio refém desse tipo de ameaça acaba… desgastando e falando: 'Cara, não é a primeira vez que você fala que talvez vai sair'".
A solução, segundo ele, tende a ser a mais pragmática possível: conversar e "sacramentar" a situação para não ficar eternamente no "talvez". "Então vamos conversar aqui e sacramentar isso de verdade", comentou, sugerindo que, quando a dúvida vira recorrência, a banda precisa escolher entre conviver com o risco ou transformar aquilo em decisão formal - até para proteger agenda, contratos e o próprio planejamento artístico.
Marcelo ainda fez questão de separar esse caso de rupturas antigas do Angra, que tiveram componente pessoal mais pesado. Ele citou a divisão histórica envolvendo Andre Matos, além de lembrar rusgas em outras fases (como as tensões entre Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt, ou conflitos em torno de Edu Falaschi). No caso de Lione, Marcelo sustenta que não via o mesmo tipo de atrito: "Com o Fábio eu não vejo dessa forma… não sinto que tenha ido para um lado mais grave pessoal".
E aí vem talvez o detalhe mais importante do depoimento: apesar do desgaste, ele diz que havia carinho e boa convivência. "As pessoas na banda gostam do Fábio. O Fábio é querido", afirmou, reforçando que "não existe um embrolho" no sentido de rejeição interna. A leitura que ele oferece é mais fria (e bem realista): quando vira rotina lidar com "vai/não vai" em momentos críticos, isso pode empurrar a banda para uma conversa definitiva - não por falta de respeito, mas por autopreservação.
Confira a entrevista completa abaixo.
A saída de Fabio Lione e a entrada de Alírio Neto no Angra
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