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A música do Queen em que Freddie Mercury tentou barrar um dos grandes momentos de Brian May

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Postado em 22 de maio de 2026

Freddie Mercury sabia exatamente o que queria de "Don't Stop Me Now". Para ele, a música girava em torno do piano, da voz e daquela sensação de disparada sem freio que combinava com sua fase mais hedonista no fim dos anos 70. A faixa entrou em "Jazz", álbum lançado pelo Queen em 1978, e depois saiu como single, chegando ao Top 10 britânico no começo de 1979.

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Foto: Universal Music
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O problema é que Brian May também ouviu outra coisa ali. Não a ponto de transformar a música em um hard rock pesado, porque "Don't Stop Me Now" nunca foi isso. Mas ele percebeu que havia um espaço para a guitarra entrar como uma resposta à melodia, quase como se tomasse a voz por alguns segundos. Freddie, porém, não comprou a ideia de imediato.

May contou à Total Guitar (via Music Radar) que Mercury enxergava a faixa "muito como uma música de piano, à Elton John". Segundo o guitarrista, a visão era basicamente: piano forte, vocal forte, e pronto. "Toquei bastante guitarra base nela, e Freddie ainda dizia: 'Não, não, não, não - é uma música de piano!'"

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A negociação só mudou quando Freddie admitiu que a faixa precisava de um solo. May lembrou que o vocalista acabou dizendo algo na linha de que a música precisava daquele momento e que ele deveria "assumir o vocal" ali, onde May entra como se estivesse cantando uma melodia paralela, sem derrubar o impulso da música. Ele próprio descreveu para a Guitar Player o trecho como uma espécie de contramelodia, algo que podia cantar antes de transferir para a guitarra. É bem Brian May: fraseado claro, som reconhecível, nota escolhida com cuidado e aquele timbre da Red Special que parece atravessar a gravação sem precisar brigar por espaço. O solo é curto, simples e entra no momento certo. Talvez por isso funcione tão bem.

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A ironia é que May nem sempre teve uma relação totalmente confortável com "Don't Stop Me Now". Ele já falou em outras ocasiões sobre o desconforto com o clima da letra e com o retrato daquele período da vida de Freddie. Mas, no caso do solo, o tempo acabou dando razão ao guitarrista. A música cresceu muito depois do lançamento original, virou uma das faixas mais populares do Queen e, segundo May, o solo continua provocando reação do público quando aparece.

Essa pequena disputa também mostra como o Queen funcionava quando estava bem. Não era uma banda em que todos simplesmente obedeciam a Freddie, apesar de sua presença enorme. Conforme destaca a Far Out, May, Roger Taylor e John Deacon tinham espaço, opinião e senso de construção. Às vezes, a música precisava justamente desse atrito: uma ideia muito definida de Mercury, uma resistência de May, uma concessão no meio do caminho e, dali, um detalhe que muita gente hoje não imaginaria fora da gravação.

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"Don't Stop Me Now" continuaria sendo uma música forte sem o solo? Provavelmente sim. Freddie já carregava a faixa no piano e na voz. Mas aquele breve momento de guitarra dá outra subida de energia antes da música retomar sua corrida. É um caso em que a teimosia valeu a pena: Mercury queria proteger sua música de piano, May ouviu uma fresta para entrar, e o Queen saiu com uma daquelas partes pequenas que parecem óbvias só depois que alguém teve a coragem de insistir.

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Quando Socram chegou no Whiplash.net era tudo mato, JPA lhe entregou uma foice e disse "go ahead!". Usou vários nomes, chegou a hora do "verdadeiro". Nunca teve pretensão de se dizer jornalista, no máximo historiador do rock, já que é formado na área. Continua apaixonado por uma Fuchsbau, que fica mais linda a cada dia que passa ♥. Na foto com a Melody, que já virou estrelinha...
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