As duas músicas do Black Sabbath que quase foram arruinadas por títulos ruins
Por Bruce William
Postado em 20 de abril de 2026
O Black Sabbath entrou nos anos 70 ajudando a dar forma a um tipo de rock mais pesado, sombrio e direto. O primeiro álbum da banda, lançado em 1970, já trazia músicas como "N.I.B.", "The Wizard" e a própria "Black Sabbath", que começavam a desenhar aquilo que depois seria chamado de heavy metal. Mas foi no segundo disco que Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward consolidaram de vez essa identidade.
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"Paranoid" saiu apenas sete meses depois da estreia e virou o álbum mais conhecido do Black Sabbath. Ali estavam a faixa-título, "War Pigs", "Iron Man", "Electric Funeral", "Hand of Doom" e outras músicas que entraram de vez no vocabulário do metal. O curioso é que duas das faixas mais famosas do disco quase chegaram ao público com títulos bem menos eficientes e, em um dos casos, perigosamente perto do ridículo, relembrou a Far Out.
O exemplo mais pitoresco envolve "Iron Man". A música nasceu a partir de um dos riffs mais conhecidos de Tony Iommi, pesado e arrastado, com aquela sensação de algo enorme caminhando lentamente. Quando Ozzy ouviu a ideia, descreveu o som como "um grande sujeito de ferro andando por aí". A expressão em inglês, "iron bloke", acabou servindo como ponto de partida.
Por algum tempo, a ideia era que a música girasse em torno desse "homem de ferro" menos mitológico e mais cotidiano. O problema é que "Iron Bloke" não tinha exatamente o mesmo peso de "Iron Man". Em português, seria algo como "sujeito de ferro" ou "cara de ferro", uma imagem até compreensível, mas longe da força seca que o título final ganhou.
A diferença parece pequena no papel, mas muda tudo quando se imagina a abertura da faixa. A voz grave dizendo "I am Iron Man" virou uma das entradas mais reconhecíveis do rock pesado. Se Ozzy tivesse cantado "I am Iron Bloke", a cena provavelmente perderia parte do clima ameaçador e ganharia uma estranheza quase involuntária. Às vezes, uma palavra salva a solenidade do riff.
A outra mudança aconteceu com "War Pigs". Antes de receber esse título, a música se chamava "Walpurgis", referência à Noite de Walpurgis, celebração associada a imagens de bruxaria e ocultismo na tradição europeia. Geezer Butler explicou à Classic Rock que, para ele, a ideia funcionava como uma comparação entre guerra e maldade em escala maior.
"Walpurgis é meio como o Natal dos satanistas, e para mim a guerra era o grande Satã", disse Geezer. "Não era sobre política, governo ou qualquer coisa assim. Era sobre o mal. Então eu dizia 'generais reunidos em suas massas/assim como bruxas em missas negras' para fazer uma analogia. Mas, quando levamos isso para a gravadora, eles acharam que 'Walpurgis' soava satânico demais. Foi quando transformamos em 'War Pigs'. Mas não mudamos a letra, porque ela já estava pronta."
Nesse caso, a troca acabou ajudando a música. "Walpurgis" poderia reforçar demais o lado ocultista do Sabbath, algo que a banda já carregava no imaginário popular, muitas vezes com exageros. "War Pigs", por outro lado, deixou a crítica mais clara e mais forte, sem precisar mexer em uma letra que já falava de generais, destruição e figuras de poder tratadas como agentes do mal.
As duas histórias mostram como "Paranoid" também foi resultado de decisões rápidas, ajustes de estúdio e títulos que poderiam ter seguido caminhos bem diferentes. O Black Sabbath tinha riffs, clima e letras fortes, mas até uma banda daquele tamanho podia esbarrar em nomes provisórios que talvez enfraquecessem o impacto das músicas.
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