As bandas que mais marcaram a vida de Carl Palmer, segundo o próprio
Por Gustavo Maiato
Postado em 09 de maio de 2026
O baterista Carl Palmer, único integrante vivo do Emerson, Lake & Palmer, volta ao Brasil com o espetáculo "An Evening with Emerson, Lake & Palmer", no dia 30 de maio, no Teatro Bradesco, em São Paulo. Em entrevista, o músico falou sobre o show, que mantém vivo o legado de Keith Emerson e Greg Lake, e também relembrou os discos e artistas que mais influenciaram sua formação.
Emerson Lake And Palmer - Mais...
Perguntado em entrevista a Gustavo Maiato do Whiplash.Net sobre cinco álbuns que tiveram grande impacto em sua vida, Palmer brincou com a quantidade. "Por que você chegou ao número cinco? Você não ficaria feliz com três?", disse, rindo. Em seguida, citou três referências centrais de sua juventude: Buddy Rich, Jacques Loussier e Cream.
O primeiro foi "This One's for Basie", da orquestra de Buddy Rich. Palmer definiu o disco como "uma grande influência". A escolha não surpreende. Rich foi um dos bateristas mais respeitados do jazz, conhecido por velocidade, precisão e força. Para um músico que depois levaria a bateria ao centro do rock progressivo, a referência fazia sentido.
A segunda influência veio do pianista francês Jacques Loussier, conhecido por adaptar obras de Johann Sebastian Bach ao formato de trio de jazz. Palmer disse que sempre se interessou por música clássica tocada de forma contemporânea. "Eu sempre tive interesse em música clássica, mas tocada de uma maneira contemporânea", afirmou. Segundo ele, essa mistura ajuda a explicar por que o Emerson, Lake & Palmer o atraiu.
A terceira escolha foi o Cream, trio formado por Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker. Palmer disse ter visto a banda oito vezes ao vivo e destacou o impacto do primeiro álbum do grupo. "Eu achava o primeiro disco do Cream inacreditável", afirmou. "Eu simplesmente amava todo o ethos da banda. Eu amo trios. Foi assim que aconteceu."
Palmer também citou "A Sagração da Primavera", de Igor Stravinsky, como uma obra enorme em sua formação. Ele lembrou que a parte de tímpanos no fim da peça levou muito tempo para ser aprendida. "Levou séculos para aprender, e provavelmente eu ainda não conseguiria tocar hoje", brincou.
O baterista afirmou que ainda se sente influenciado por música nova. "Como músico, você escuta tanta música que dizer quais álbuns influenciaram você... eu ainda sou influenciado hoje", disse. Para ele, plataformas como TikTok e YouTube se tornaram locais importantes para descobrir artistas.
Entre nomes atuais, Palmer citou DOMi & JD Beck. Ele elogiou DOMi como pianista de jazz e descreveu JD Beck como um baterista de pegada mecânica, precisa e quase próxima de uma bateria eletrônica. "Ela é uma grande pianista de jazz, e ele toca como uma drum machine. Muito mecânico, mas muito preciso, muito exato", afirmou.
Ele também mencionou a banda Angine de Poitrine. Palmer disse que o grupo usa roupas brancas com pontos rosa e trabalha com ideias musicais pouco convencionais, como notas entre notas, mais trastes na guitarra e compassos ímpares. "A música não é a melhor música. A ideia é ótima. O vocabulário musical é ótimo", avaliou. Para ele, há ali "o germe de uma ideia", ainda sem maturidade, mas com potencial.
Sobre músicos brasileiros, Palmer disse não conhecer muitos nomes de cabeça, mas elogiou a força rítmica do país. "Sei que há uma família rítmica muito forte aí", afirmou. Ele citou músicos que tocaram com Andy Summers no Brasil e disse ter ficado impressionado. "Parecia o Police para mim. Eu não conseguia acreditar como aqueles músicos eram bons."
Confira a entrevista completa abaixo.
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