O segredo escondido em "Time" do Pink Floyd que muita gente não faz ideia que existe
Por Bruce William
Postado em 29 de maio de 2026
"Time" é uma daquelas músicas do Pink Floyd em que quase tudo já parece ter sido comentado alguma vez. Os relógios abrindo a faixa, a bateria de Nick Mason entrando como um susto, a letra de Roger Waters sobre o tempo escapando sem pedir licença e a forma como "The Dark Side of the Moon" costura cada música dentro de uma ideia maior. Mesmo assim, ainda aparece um detalhe capaz de pegar muita gente de surpresa.
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A curiosidade foi destacada pelo Tenho Mais Discos Que Amigos, a partir de uma conversa recente entre Guy Pratt e Scott Devine. Pratt, que tocou baixo com o Pink Floyd depois da saída de Roger Waters e também trabalhou em projetos ligados a David Gilmour, explicou um detalhe da linha de baixo de "Time" que normalmente passa batido porque todo mundo presta atenção nos relógios, na bateria ou no clima geral da faixa.
Pratt pegou o baixo e mostrou que parte daquela sensação de tique-taque também está no instrumento. Ele usou a ideia para elogiar Waters não como um baixista técnico no sentido tradicional, mas como alguém capaz de pensar o baixo dentro da narrativa da música. "É por isso que Roger era genial, por criar coisas que um baixista não faria usando o instrumento, não necessariamente de uma forma técnica. É como o tique-taque do relógio em 'Time'."
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A reação de Scott Devine foi de espanto real. Ele interrompeu a explicação como quem percebe algo óbvio tarde demais: "Não acredito! O tique-taque do relógio em 'Time' era… isso é o baixo?" Pratt confirmou na hora: "É isso mesmo. E eu tive que fazer isso com o Pink Floyd. Tive que fazer em sincronia com esse desenho gigante de um relógio girando."
Esse último detalhe mostra que a coisa não ficou apenas no disco. Pratt precisou reproduzir esse efeito ao vivo, sincronizado com uma projeção de relógio. Em uma banda como o Pink Floyd, em que luz, imagem, som e conceito sempre caminharam juntos, até uma linha aparentemente simples de baixo podia virar parte de uma engrenagem visual. Não bastava tocar certo; era preciso encaixar no relógio, literalmente.
A sacada também ajuda a lembrar como Waters trabalhava no Pink Floyd. Ele nunca foi lembrado como um virtuose do baixo, e nem parecia interessado em disputar esse lugar. Sua força estava em criar partes que serviam à música, ao conceito e ao clima. Em "Time", o baixo não precisa chamar atenção como solo ou exibição. Ele ajuda a empurrar a sensação de mecanismo, repetição e passagem inevitável dos minutos.
Lançada em 1973 em "The Dark Side of the Moon", "Time" acabou virando uma das peças mais conhecidas do disco justamente por unir uma ideia simples a uma execução muito bem construída. A letra fala daquele momento em que a pessoa percebe que não estava se preparando para a vida; já estava vivendo, e o tempo passou. O tique-taque, nesse contexto, não é enfeite sonoro. É parte do assunto da música.
A revelação de Guy Pratt não muda a história do Pink Floyd, claro, mas muda um pouco o jeito de ouvir "Time". Da próxima vez, entre relógios, bateria, guitarra e vozes, vale prestar atenção no baixo de Waters trabalhando como se também fosse ponteiro. Às vezes o segredo de uma música enorme não está em uma nota difícil, mas em uma ideia simples colocada exatamente no lugar certo.
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