Os 10 maiores baixistas de todos os tempos, segundo a Rolling Stone
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de maio de 2026
A Rolling Stone elegeu os 50 maiores baixistas de todos os tempos em uma lista que atravessa rock, jazz, funk, soul, reggae e pop. Para esta matéria, porém, ficamos no corte mais disputado: os 10 primeiros colocados do ranking.
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A seleção mostra como o baixo deixou de ser apenas um instrumento de apoio. Nas mãos desses músicos, ele virou motor rítmico, linha melódica, força de invenção e, em muitos casos, a assinatura de bandas e discos inteiros.
10. Ron Carter
Ron Carter abre o top 10 da lista. A Rolling Stone destaca sua presença em mais de 2.200 gravações até 2015, número que o levou ao Guinness como o baixista de jazz mais gravado da história. Sua carreira inclui trabalhos com Miles Davis, Roberta Flack, Aretha Franklin e Antônio Carlos Jobim.
A revista lembra ainda a participação de Carter em "Verses From the Abstract", do A Tribe Called Quest, faixa que ajudou a aproximar jazz e hip-hop. Para a publicação, ele sempre acrescenta "um toque de pura classe" aos projetos em que participa.
9. Paul McCartney
Paul McCartney aparece em nono lugar. Embora seja mais lembrado como cantor e compositor dos Beatles, a Rolling Stone afirma que talvez ele ainda não tenha recebido crédito suficiente por sua inventividade no baixo.
McCartney assumiu o instrumento por necessidade, depois da saída de Stu Sutcliffe dos Beatles. A partir daí, transformou linhas de baixo em parte essencial de músicas como "Paperback Writer", "Rain" e "A Day in the Life". A revista também aponta James Jamerson, da Motown, como uma de suas maiores influências.
8. Jaco Pastorius
Jaco Pastorius ocupa a oitava posição. A lista relembra a frase com que ele teria se apresentado a Joe Zawinul, do Weather Report: "Meu nome é John Francis Pastorius III, e sou o maior baixista do mundo."
A afirmação poderia soar arrogante, mas Pastorius ajudou a sustentá-la com técnica, ousadia e presença. Seu disco solo de 1976 virou referência para o baixo elétrico, e sua passagem pelo Weather Report mudou o lugar do instrumento no jazz fusion.
7. Larry Graham
Larry Graham está em sétimo lugar. Integrante do Sly and the Family Stone, ele ajudou a popularizar a técnica do slap, chamada por ele de "thumpin' and pluckin'". A ideia nasceu quando tocava em trio com a mãe e precisou compensar a ausência de um baterista.
A Rolling Stone destaca que suas linhas inverteram a hierarquia tradicional da música popular, colocando baixo e bateria no centro da mixagem. Prince, amigo e colaborador de Graham, chegou a chamá-lo de "meu professor".
6. Jack Bruce
Jack Bruce, do Cream, aparece na sexta posição. Embora Eric Clapton e Ginger Baker tenham atraído grande parte da atenção, a revista afirma que Bruce deu ao trio a força necessária para soar como uma verdadeira potência.
Seu baixo não ficava escondido. Em faixas como "Sunshine of Your Love", "I Feel Free" e "Strange Brew", Bruce tocava de forma melódica, pesada e inquieta. Geezer Butler, do Black Sabbath, disse que ele abriu seus olhos sobre o que um baixista podia fazer ao vivo.
5. Carol Kaye
Carol Kaye ocupa o quinto lugar. A Rolling Stone a apresenta como a baixista mais gravada de todos os tempos, com mais de 10 mil faixas no currículo. Sua marca está em gravações dos Beach Boys, Richie Valens, Frank Sinatra, Nancy Sinatra e em temas de séries e filmes como Batman e Missão: Impossível.
Kaye começou como guitarrista de estúdio, mas percebeu que o baixo poderia se mover mais e enriquecer a música. Brian Wilson, dos Beach Boys, gostava tanto de seu som que deixava o baixo bem alto nas mixagens.
4. Bootsy Collins
Bootsy Collins aparece em quarto lugar. A revista afirma que ele redefiniu o baixo no soul e no funk nos anos 1970 e influenciou, por consequência, o rap e o pop das décadas seguintes.
Collins tocou com James Brown e depois se juntou ao universo de George Clinton, no Parliament e no Funkadelic. Com visual extravagante, baixo em forma de estrela e senso de humor próprio, virou personagem e lenda. Sua influência aparece em nomes como Flea, do Red Hot Chili Peppers, e nas bases do G-Funk de Dr. Dre.
3. John Entwistle
John Entwistle, do The Who, fica com o terceiro lugar. A Rolling Stone lembra seus apelidos, como "The Ox", "The Quiet One" e "Thunderfingers". Este último vinha da força com que atacava o instrumento.
Entwistle tratava o baixo como instrumento principal, não como fundo. Seu solo em "My Generation" levou inúmeros adolescentes a querer tocar baixo. Geddy Lee, do Rush, disse que ele foi "possivelmente o maior baixista de rock de todos".
2. Charles Mingus
Charles Mingus aparece em segundo lugar. A revista ressalta que ele foi muito mais do que baixista: compositor, pensador musical, violoncelista de formação clássica e crítico social. Ainda assim, sua força no instrumento é central para sua obra.
Mingus atravessou diferentes fases do jazz e tocou com nomes como Lionel Hampton, Duke Ellington e Joni Mitchell. Seu baixo combinava peso, elegância e impulso rítmico. A frase citada pela Rolling Stone resume sua confiança: "Não quero saber dessas malditas enquetes. Eu sei que tipo de baixista eu sou."
1. James Jamerson
James Jamerson lidera a lista. Baixista da seção rítmica da Motown, ele tocou em clássicos dos Temptations, Gladys Knight e Marvin Gaye. Durante anos, porém, permaneceu quase anônimo, já que músicos de estúdio raramente recebiam crédito nos discos da gravadora nos anos 1960.
Paul McCartney disse que Jamerson se tornou seu herói, embora só tenha descoberto seu nome muito tempo depois. Para a Rolling Stone, ele ajudou a revolucionar o papel do baixo ao acrescentar síncopes, notas melódicas e harmonias inspiradas no gospel.
Entre seus registros mais importantes estão "My Girl", dos Temptations, "I Heard It Through the Grapevine", de Gladys Knight, e "What's Going On", de Marvin Gaye. Segundo a revista, Jamerson "mudou o curso do baixo" ao ir além do que os baixistas costumavam fazer.
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