O Pink Floyd teria virado gigante se Syd Barrett não tivesse saído?
Por Bruce William
Postado em 23 de maio de 2026
A hipótese sobre Syd Barrett no Pink Floyd costuma ser formulada pela metade. Normalmente a pergunta é se a banda teria sido tão grande caso ele continuasse saudável e no comando criativo. Mas existe uma segunda pergunta, talvez ainda mais decisiva: se Syd não tivesse entrado em colapso, David Gilmour teria entrado no Pink Floyd? Porque aí a conversa deixa de ser apenas sobre manter o primeiro líder. Passa a ser também sobre talvez perder o guitarrista que ajudou a moldar a fase mais famosa do grupo.
Pink Floyd - Mais Novidades
Syd era o centro criativo do Pink Floyd em "The Piper at the Gates of Dawn," lançado em 1967. Suas composições davam à banda uma psicodelia inglesa cheia de humor estranho, imagens infantis, ruídos, viagens espaciais e melodias que pareciam sair de um mundo particular. "Arnold Layne", "See Emily Play", "Astronomy Domine" e "Bike" mostram um artista muito original, mas também apontam para um caminho mais excêntrico e menos previsível do que aquele que transformaria a banda em um fenômeno mundial nos anos 70.
A entrada de Gilmour não aconteceu como uma simples troca planejada. O site oficial do Pink Floyd resume bem a transição: no começo de 1968, Gilmour entrou na banda, e alguns shows chegaram a ter os dois, Gilmour e Barrett, antes de Syd sair de vez por causa de suas dificuldades. O álbum "A Saucerful of Secrets" acabou ficando como o único disco de estúdio não-compilação do Pink Floyd com os cinco integrantes participando em algum momento. Syd aparece em três faixas; Gilmour, em cinco.
Isso muda radicalmente a brincadeira de história alternativa. Se Barrett estivesse bem, compondo, tocando ao vivo e funcionando dentro da banda, talvez não houvesse motivo para chamar outro guitarrista. Gilmour era amigo antigo de Syd, vinha de Cambridge, conhecia aquele universo, mas sua entrada foi uma resposta prática a uma crise. Sem essa crise, o Pink Floyd poderia seguir como quarteto, com Barrett, Roger Waters, Richard Wright e Nick Mason tentando desenvolver aquela psicodelia inicial por outros caminhos.
E aí o Pink Floyd que conhecemos começa a desaparecer. Sem Gilmour, não existe o mesmo tipo de voz em "Time", "Money", "Wish You Were Here" e "Comfortably Numb". Não existe aquela guitarra que alonga as notas como se cada bend estivesse carregando uma frase inteira. Também muda a tensão criativa com Waters, que se tornaria cada vez mais forte como letrista e arquiteto conceitual. O Pink Floyd dos anos 70 não foi apenas "a banda sem Syd". Foi também a banda com Gilmour.
É fato que Barrett continuou meio presente mesmo depois da saída. Roger Waters reconheceu ligação entre Syd e "Brain Damage", e Wish You Were Here é praticamente impossível de separar de sua sombra, especialmente em "Shine On You Crazy Diamond". A famosa visita de Syd às sessões de 1975 só reforçou a dimensão quase fantasmagórica que ele havia assumido dentro da história do grupo. Mas uma coisa é servir como memória e ferida criativa; outra é continuar no palco, compondo e conduzindo a banda no dia a dia.
Por isso, a resposta mais provável é cruel e fascinante ao mesmo tempo. Com Syd Barrett saudável, o Pink Floyd talvez tivesse sido uma banda mais psicodélica, mais cultuada por músicos e colecionadores, talvez próxima de um território que lembrasse Soft Machine, Kevin Ayers, Brian Eno ou o lado mais teatral do rock britânico do início dos anos 70. Poderia ser importante, influente e querida. Mas é impossível imaginar essa mesma formação construindo "The Dark Side of the Moon", "Wish You Were Here", "Animals" e "The Wall" como eles existem sem a presença de Gilmour.
A saída de Syd não apenas tirou o primeiro gênio do Pink Floyd. Ela abriu a porta para outro músico - também genial - entrar e mudar o som da banda de dentro para fora. Barrett deixou a ausência, o mito e a ferida. Gilmour trouxe a voz, a guitarra e uma parte essencial da arquitetura emocional dos discos que tornaram o grupo gigante. Sem Syd saindo, talvez o Pink Floyd não tivesse perdido seu primeiro centro criativo. Mas talvez também nunca tivesse encontrado a peça que permitiu à banda atravessar a psicodelia e virar uma das maiores histórias do rock.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Vocalista do Moonspell sobre tradução literária: "É mal pago, mas adoro"
A origem de "Por Quem os Sinos Dobram", que une Raul Seixas e Metallica
Bangers Open Air divulga as primeiras atrações da edição 2027
As 25 melhores bandas de todos os tempos, segundo a Classic Rock
Os 25 melhores discos de gothic metal de todos tempos, segundo a Louder
Tarja Turunen lança "Frisson Noir", disco mais pesado da sua carreira solo
Show do Kiss deu origem a uma das maiores bandas da história do thrash metal
Como foi o primeiro show do Nightwish, segundo Tuomas Holopainen
O político que iniciou a decadência do Rio de Janeiro, segundo Paulo Ricardo
As bandas clássicas e nem tanto que estarão no novo game dos criadores do Guitar Hero
Edu Falaschi lança "MI'RAJ", capítulo final de sua trilogia conceitual
Anika Nilles conta como aprendeu partes de Neil Peart para turnê com o Rush
Dia dos Namorados: 4 cantoras de Metal e Hard Rock e suas histórias de amor
Mikkey Dee conta como conheceu e passou a tocar com King Diamond
A música do Judas Priest que foi gravada em 20 minutos, segundo Ian Hill


A música que abre um álbum do Pink Floyd e David Gilmour acredita que define a banda
Inscrições do ENEM abertas: quanto você tiraria na prova sobre rock?
A música mais importante que Roger Waters escreveu para "Dark Side of the Moon"
A música do Pink Floyd que David Gilmour disse ter escrito por desespero
Pink Floyd lança a coletânea "8-Tracks", que reúne faixas gravadas nos anos 70
David Gilmour estava inseguro até uma música devolver sua confiança no Pink Floyd
Quem é dono do Pink Floyd? Como Roger Waters, Gilmour e Sony "dividem" a marca hoje
O som de guitarra do Pink Floyd que nasceu por causa de um erro
A música do Pink Floyd que Roger Waters detestou e David Gilmour transformou num clássico
O álbum onde o Pink Floyd se encontrou e gravou uma música seminal, nas palavras de Gilmour


