O grande problema de se apegar a guitarras como a de Jimmy Page, segundo Tosin Abasi
Por Gustavo Maiato
Postado em 03 de junho de 2026
Tosin Abasi afirmou que o design da guitarra elétrica ficou preso a modelos consagrados desde os anos 1960. O guitarrista do Animals as Leaders disse que muitos músicos ainda usam a tradição como argumento para rejeitar avanços de ergonomia, equilíbrio e acesso às notas mais agudas do instrumento.
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Em entrevista ao CEO do Guitar Center (via Ultimate Guitar), Gabe Dalporto, transcrita pelo Guitar.com, Abasi disse que a comunidade guitarrística costuma tratar modelos clássicos como se fossem pontos finais da evolução da guitarra. "O universo da guitarra é muito interessante, porque os instrumentos mais icônicos estão meio que cristalizados desde os anos 60", afirmou.
O músico criticou a lógica de que, se guitarristas antigos conseguiam tocar bem em instrumentos tradicionais, os músicos atuais não precisariam de melhorias. "É um argumento estranho, porque muitos guitarristas pensam algo como: 'Ah, bem, Jimmy Page se virava bem com isso, então acho que não preciso de mais acesso aos trastes. Não preciso de um equilíbrio melhor'."
Guitarra retrô que é boa?
Abasi não rejeita a história da guitarra. O ponto dele é outro. Para o músico, é possível preservar o prazer de tocar uma guitarra elétrica sem aceitar que o desenho do instrumento tenha parado no tempo.
Essa busca aparece na Kaizen, modelo criado em parceria com a Ernie Ball Music Man. A proposta foi desenvolver uma guitarra que oferecesse mais conforto e tocabilidade, mas sem romper com o que torna o instrumento familiar para guitarristas.
"É um equilíbrio muito interessante entre aprimorar o design da guitarra para que você sinta que está se beneficiando do design, sem abandonar a essência do que torna uma guitarra gratificante de tocar", disse.
Entre as soluções da Kaizen está a escala com Infinity Radius, criada para melhorar a visibilidade e reduzir a necessidade de inclinar o instrumento durante a execução. A guitarra também usa desenho multiescala: o lado das cordas graves tem 25,5 polegadas, enquanto o lado das agudas tem 24,75 polegadas.
Segundo Abasi, essas escolhas tornam o instrumento mais natural nas mãos. O corpo ultrafino também ajuda a evitar que a guitarra "atrapalhe" o músico. "O Infinity Radius evita a necessidade de inclinar a guitarra para enxergar melhor a escala", afirmou. "As cordas se posicionam com um pouco mais de facilidade onde você quer."
A fala de Abasi aparece em um momento em que o debate sobre cópias, tradição e inovação voltou a ganhar força entre guitarristas. Enquanto modelos como Stratocaster, Telecaster e Les Paul seguem como referências quase intocáveis, marcas e músicos ligados ao metal moderno tentam abrir espaço para instrumentos mais ergonômicos, leves e adaptados a novas técnicas.
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