Quem é dono do Pink Floyd? Como Roger Waters, Gilmour e Sony "dividem" a marca hoje
Por Gustavo Maiato
Postado em 31 de maio de 2026
A resposta curta é: hoje, a Sony Music controla a parte mais valiosa da marca Pink Floyd no mercado. A empresa comprou os direitos sobre as gravações, o nome e a imagem da banda em um acordo estimado em US$ 400 milhões. Mas isso não significa que Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e os espólios de Richard Wright e Syd Barrett tenham perdido tudo. Os direitos autorais das composições continuam com seus respectivos autores.
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A divisão atual é resultado de uma briga que começou em 1985, quando Waters deixou o grupo. A matéria original é da Ultimate Guitar. Ele acreditava que o Pink Floyd não deveria continuar sem sua presença. O baixista e compositor invocou a cláusula de "membro em retirada" nos contratos com EMI e CBS e definiu a banda como uma "força esgotada criativamente". Gilmour e Mason discordaram e seguiram em frente com um novo álbum sob o nome Pink Floyd.
Em outubro de 1986, Waters entrou na Justiça em Londres para tentar dissolver o Pink Floyd como entidade legal e comercial. O argumento moral era simples: para ele, não havia Pink Floyd sem Roger Waters. A lei, porém, tratou o nome como um ativo comercial. O próprio Waters reconheceu depois essa diferença: "A lei não está interessada na questão moral, mas no nome como um bem".
O acordo saiu em 23 de dezembro de 1987, dois dias antes do Natal, na Astoria, casa-barco de Gilmour no rio Tâmisa. Gilmour e Mason ficaram com o direito de continuar usando o nome Pink Floyd para gravar e fazer turnês. Waters abriu mão da disputa pela marca, mas manteve direitos conceituais ligados a The Wall e ao porco inflável de Animals, a famosa Algie, usada na capa do disco de 1977.
Essa divisão criou situações curiosas. Quando o Pink Floyd de Gilmour saiu em turnê com A Momentary Lapse of Reason, em 1987, queria usar um porco inflável no palco. Como o porco original era ligado a Waters, a banda criou outro boneco, com testículos, para diferenciá-lo legalmente. A mudança evitaria o pagamento de uma taxa por apresentação a Waters, citada no texto como US$ 800 por noite.
Waters, por sua vez, transformou The Wall em seu grande trunfo. Em 1990, apresentou The Wall – Live in Berlin após a queda do Muro de Berlim. Depois, entre 2010 e 2013, levou The Wall Live ao mundo em uma turnê de 219 shows, com arrecadação de US$ 458,7 milhões e público superior a 4,1 milhões de pessoas. Sem o acordo de 1987, essa exploração teatral do conceito dependeria de outra negociação com Gilmour e os demais.
Gilmour também ganhou muito com a parte que manteve. O Pink Floyd pós-Waters lançou A Momentary Lapse of Reason, em 1987, The Division Bell, em 1994, e The Endless River, em 2014. A turnê de A Momentary Lapse of Reason passou por 200 datas e tocou para mais de 5,5 milhões de pessoas, em um momento em que a carreira solo de Waters não tinha a mesma força comercial.
A venda para a Sony, em 2024, reorganizou a situação. Segundo relatos publicados por veículos como Variety, Financial Times e Pitchfork, o acordo inclui as gravações, os direitos de nome e imagem, merchandising e possibilidades ligadas a projetos audiovisuais e teatrais. A parte que ficou fora é essencial: a edição das músicas, ou seja, os direitos de composição. Esses continuam com os autores e seus espólios.
Na prática, a Sony pode explorar comercialmente a marca Pink Floyd e o catálogo gravado. Já os compositores seguem recebendo e controlando a parte autoral de suas obras conforme seus percentuais. Isso é importante porque uma gravação e uma composição são coisas diferentes no negócio da música. A gravação é o fonograma. A composição é a música escrita, com letra e melodia.
Gilmour disse à Rolling Stone que sua motivação para vender não era apenas financeira. Segundo o texto usado como base, ele afirmou que queria sair do "lamaçal" em que a situação havia se transformado. A frase resume décadas de desgaste entre os antigos integrantes, em especial entre ele e Waters.
Então, quem é dono do Pink Floyd hoje? A Sony controla a marca comercial e as gravações. Gilmour e Mason venceram a antiga disputa pelo uso do nome e conseguiram manter o Pink Floyd ativo por décadas. Waters perdeu a marca, mas ficou com The Wall como obra conceitual e a transformou em um império próprio. No fim, cada lado ficou com uma parte poderosa da história. Quem perdeu foi o público que nunca mais viu a formação clássica realmente reunida.
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