O megahit dos Titãs que introdução tem timbre igual ao de Peter Gabriel
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de setembro de 2026
A caixa que sustenta "Comida", dos Titãs, não saiu de nenhuma bateria gravada em estúdio no Brasil. Em entrevista ao podcast Roland Talks, o baterista Charles Gavin contou que o som foi sampleado direto de um disco de Robert Palmer, colocado na vitrola do estúdio na hora da gravação. Liminha, produtor da faixa, confirmou a lembrança.
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Não havia CD para tirar o sample, e o processo foi o mais artesanal possível. "Você sampleou do vinil. Isso eu me lembro como se fosse agora. Não tinha CD para samplear. Você botou o vinil em cima, deu play, e aí sampleou a caixa do Robert Palmer, de um disco que fez muito sucesso", disse Gavin, descrevendo a bateria da gravação como inteiramente ampliada por recursos eletrônicos.
Já a frase de teclado que abre a música tem outra origem, e foi o próprio produtor quem entregou. "A frase de 'Comida' veio de um timbre que era do D-50, do Roland D-50. A gente tinha ouvido esse timbre, que é muito especial, pela primeira vez em 'Sledgehammer'. É o mesmo timbre", afirmou Liminha. Gavin completou lembrando que a faixa de Peter Gabriel abre com uma frase antológica antes de entrar o groove.
O repertório de referências não chegou ali por acaso. Gavin recorda que Liminha voltou de Londres naquele período com um case inteiro de vinis e que a banda passou cerca de três dias apenas ouvindo música dentro do estúdio, antes de gravar qualquer coisa. A ideia era fazer algo diferente do que o grupo já havia feito e do que estava sendo feito no país. Para o baterista, esse tipo de pausa dificilmente aconteceria hoje.
Os dois discos que Liminha produziu para a banda no fim dos anos 1980 marcaram a entrada do sampler no vocabulário do grupo, misturado a instrumentos tocados e sequenciadores. O produtor conta que a fase coincidiu com o trabalho que fez ao lado do engenheiro Gary Langan, ligado ao Art of Noise, e que voltou de lá mais meticuloso do que era. Segundo ele, foi ali que a mentalidade de insistir em uma faixa até ficar realmente pronta se firmou.
O interesse por equipamento, no entanto, vem de muito antes. Liminha atribui o hábito aos tempos de Mutantes, quando Cláudio César Dias Baptista improvisava soluções como usar um motor de máquina de costura com potenciômetro sem limite. "Eu acho que eu não sosseguei enquanto eu não tive um estúdio de primeiro mundo", resumiu. Ele mantém até hoje boa parte do que comprou ao longo das décadas, de mesas a câmaras de eco.
Confira o vídeo completo abaixo.
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