O artista dos anos 1960 muito à frente dos Rolling Stones, segundo Mick Jagger
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de setembro de 2026
Slim Harpo foi o nome escolhido por Mick Jagger quando o cantor precisou explicar por que os Rolling Stones abandonaram o repertório de blues ainda na primeira metade da carreira. A declaração saiu em entrevista à revista Rolling Stone em 1968 e foi resgatada recentemente pela Far Out Magazine. Para o vocalista, o problema não era a qualidade do grupo, mas o fato de o público americano desconhecer completamente os autores originais daquelas canções.
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Jagger contou que a decisão nasceu da constatação de que os fãs dos Estados Unidos ignoravam a linhagem do gênero que a banda tocava:
"Eles nunca souberam nada sobre isso, e é por isso que paramos de tocar blues. Não queríamos fazer blues para sempre; só queríamos apresentar às pessoas outros artistas que eram muito bons, e não continuar fazendo aquilo nós mesmos."
Antes da contracultura e da explosão criativa da década, o grupo era uma formação estritamente dedicada ao blues e ao rhythm and blues, comandada pelo fundador Brian Jones. O repertório inicial passava por versões de "Come On", de Chuck Berry, e "I'm a King Bee", de Slim Harpo. O papel dos ingleses em reacender o interesse por esses mestres americanos é reconhecido até hoje, embora o próprio vocalista visse pouco mérito no arranjo.
O desconforto aparece de forma mais dura no segundo trecho da conversa, quando Jagger chega a classificar como absurda a ideia de que os Stones fossem a porta de entrada para aquele repertório:
"Então dá para dizer que fizemos blues para despertar as pessoas, mas por que elas deveriam ser despertadas por nós é algo inacreditavelmente estúpido. Quer dizer, qual é o sentido de ouvir a gente tocando 'I'm a King Bee' quando você pode ouvir Slim Harpo fazendo isso?"
A sombra sobre a banda naquele período, porém, não vinha só do Mississippi. Os Beatles cederam aos Stones "I Wanna Be Your Man", faixa que levou o grupo à 12ª posição nas paradas britânicas, e abriram caminho na televisão americana antes deles. Em 1967, o confronto ficou ainda mais desigual: "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" virou marco da psicodelia, enquanto "Their Satanic Majesties Request" foi tratado como resposta atrasada.
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