O motivo que ainda impede Paulo Ricardo e Fernando Deluqui de reunir o RPM
Por Gustavo Maiato
Postado em 17 de setembro de 2026
O RPM foi um dos maiores fenômenos da história do rock brasileiro, com uma histeria que chegou a ser comparada à beatlemania, guardadas as devidas proporções. Da formação clássica, só restam vivos o vocalista Paulo Ricardo e o guitarrista Fernando Deluqui. O baterista Paulo P.A. Pagni morreu em 2019, e o tecladista Luiz Schiavon, fundador do grupo, em 2023. Depois de anos de disputa judicial pelo nome, os dois selaram a paz, e Deluqui passou a se apresentar com o RPM – O Legado.
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Resta saber se ainda há espaço para ver a dupla no mesmo palco, algo que não acontece desde 2017. Em vídeo do canal A História de uma Revolução, a resposta dos próprios músicos aponta para um "não" por enquanto. O primeiro obstáculo é a prioridade de Deluqui. Ele reconhece que uma reunião seria um sucesso comercial, mas acredita que ela atrapalharia o trabalho de consolidar o RPM – O Legado.
"Com o Paulo a gente não conversa mais, a gente não se fala mais. E as pessoas perguntam: 'Mas vocês não vão voltar? Vocês devem isso aos fãs, você e o Paulo, a mística'. Se eu faço uma volta agora com o Paulo, tudo bem, eu vou encher o bolso, vamos fazer o que as bandas grandes estão fazendo", disse o guitarrista, deixando claro que dinheiro, sozinho, não o convence.
A segunda barreira é pessoal. Os dois não se falam desde a ruptura de 2017, quando Schiavon, P.A. e Deluqui decidiram seguir sem o vocalista e deram início a uma longa batalha judicial. Questionado sobre algum contato com o ex-parceiro, o guitarrista foi taxativo: "Não, não, não, querido. Eu acho assim: quem é parceiro respeita ação e reação, sabe? Tem lugares que a gente não volta." Ele diz ainda que mantém a mesma opinião de 2018 sobre não voltar a trabalhar com a formação original.
Há também um nó jurídico. O acordo fechado em agosto de 2024 reservou o nome RPM à obra e à formação histórica, depois de a Justiça de São Paulo decidir, em junho daquele ano, que a marca não poderia ser usada por um único integrante. "É uma marca que pertence aos quatro", resumiu Paulo. Segundo o canal, uma volta oficial exigiria um novo acordo, que incluiria as famílias de Schiavon e Pagni. Deluqui, por sua vez, lamenta o custo da briga: "A gente não precisava passar por tantos percalços, né? Gastar todo esse dinheiro com advogado, cara."
Do lado de Paulo Ricardo, a vontade de retomar a banda também não aparece. O cantor celebra 40 anos de carreira solo e trata o RPM original como uma história encerrada em 2017. "A questão do RPM tá superada. O Nando sempre será um ex-integrante do RPM, não vi problema nenhum dele usar. Ele optou por RPM O Legado, então ele faz esse trabalho dele, que dá continuidade ao negócio, com as novas canções dele, seus parceiros", afirmou.
Confira o vídeo completo abaixo.
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