Os clássicos da literatura que Nando Reis não suporta: "Esse cara é antipático"
Por Gustavo Maiato
Postado em 09 de setembro de 2026
Nando Reis aproveitou uma conversa sobre sua biblioteca para dizer, sem diplomacia, quais autores consagrados não funcionaram para ele. Em vídeo publicado pelo canal do Estadão no YouTube, o compositor percorre as estantes de casa e comenta as leituras recentes, incluindo as que abandonou. O ponto de partida foi uma retomada deliberada do hábito de ler, depois de anos que ele resume como um afastamento provocado pelo celular e pelas séries. A busca por autores autobiográficos veio de um projeto pessoal: escrever algo sobre a própria vida.
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Foi esse interesse que o levou ao norueguês Karl Ove Knausgård, e o encontro não deu certo. O músico tentou "A Morte do Pai", primeiro volume da série que consagrou o escritor, e não passou da impressão inicial. "Chato. Eu li e falei: puta, esse cara é antipático", contou. Em seguida, ele mesmo relativizou o veredicto, lembrando que se trata de uma impressão pessoal sobre um autor lido e celebrado por muita gente.
O segundo abandono foi mais custoso. Nando encalhou em "Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister", de Goethe, e a desistência quase interrompeu de vez sua volta à leitura:
"Eu travei, por exemplo, nos anos de aprendizado de Wilhelm Meister. Parei, cara. Foi um livro que me atolou. O personagem não me cativou. E daí eu me distanciei, parei, aí eu fui cooptado pelo celular de novo. E aí eu falei: não dá, não vou deixar um livro que eu achei chato, e desculpa a heresia, mas que para mim não bateu, me atrapalhar. E eu voltei com a carga toda."
Nem toda implicância sobreviveu ao teste da leitura. O compositor diz que evitou "Os Miseráveis", de Victor Hugo, por anos, movido pelo que classifica como preconceito e ignorância - a causa era uma adaptação para o cinema que ele considera insuportável. Quando finalmente encarou o romance, mudou de posição logo nas primeiras páginas, na apresentação do bispo. "Mas o livro é uma maravilha. É uma maravilha", repetiu. Depois de ler, voltou a ver o filme e ficou ainda mais indignado com a adaptação.
A lista do que passou no crivo é bem maior que a das rejeições. Ele releu Henry Miller e encarou a trilogia formada por "Sexus", "Plexus" e "Nexus", que soma cerca de 2.000 páginas. Chegou a Knut Hamsun por indicação do próprio Miller, atravessou "Guerra e Paz" e "Dom Quixote", passou por Balzac e hoje está mergulhado em Proust, leitura que descreve como uma ginástica, com frases que o obrigam a voltar atrás e reler com atenção. Entre os brasileiros, aponta Otto Lara Resende, Nelson Rodrigues e Pedro Nava, cujo "Baú de Ossos" o intrigava desde a casa da avó.
Acima de todos, porém, está um nome que não é romancista. Millôr Fernandes foi o ídolo de infância que ele recortava das páginas da revista Veja e colecionava em casa. A influência foi tão direta que seu primeiro suposto livro, feito ainda menino em uma máquina de escrever e batizado de "Hálito Metálico", era formado por recortes do próprio Millôr com interferências suas. Ao mostrar o resultado ao pai e sugerir que fosse publicado, ouviu que aquilo não era exatamente um livro.
Confira o vídeo completo abaixo:
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