O cantor de power metal que aprendeu a cantar metal com Mariah Carey
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de setembro de 2026
Os floreios que marcam o canto de Tommy Karevik no Kamelot e no Seventh Wonder nasceram de um verão inteiro dedicado a uma única música de Mariah Carey. O vocalista revelou a origem ao canal The Charismatic Voice, ao ser questionado sobre como havia treinado os runs, as sequências rápidas de notas que ele distribui pelas melodias. A faixa escolhida foi "Whenever You Call", e ele tinha 15 anos.
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"Passei um verão inteiro cantando uma música da Mariah Carey, quando eu tinha 15 anos. É cheia de ad-libs (Obs: espécie de som curto com repetições de palavras, sussurros ou gritos que acompanha a letra principal), é uma sopa de ad-libs, mas é ótima se você quer aprender, se quer treinar seus runs. E eu acho que os anos de formação para mim foram entre os 14 e os 17, 18, quando eu estava ouvindo essas coisas e tentando fazer a mesma coisa", contou o cantor. Ele acrescentou que o treino não tinha hora nem lugar: "Eu cantava em todo canto. Cantava no meu quarto, cantava no carro, cantava quando eu tinha um carro."
O curioso é que nada daquilo era encarado como estudo. "Eu devo ter praticado em algum momento, provavelmente houve alguma prática. Mas eu gostava tanto que não considerava aquilo um treino", disse. A entrevistadora, a soprano Elizabeth Zharoff, apontou que esse é justamente o caminho saudável, para não matar o prazer pelo que se ama - e Karevik concordou, emendando que boa parte do seu ouvido foi treinada em casa, escutando a irmã, Jenny, ensaiar ao piano no quarto ao lado.
A música sempre esteve por perto, mas nunca como profissão. "Meu pai tocava violão, não muito bem, mas era muito interessado em música e tinha uma coleção enorme de discos. Minha mãe cantava no coral por diversão. Então a música sempre esteve ao redor, mas não em nível profissional. Minha irmã foi estudar canto, e ela foi a artista mais profissional da família por muito tempo. Eu sempre a ouvia cantando no quarto com o piano dela. Ela canta de um jeito incrível. Eu era mais um cara de esportes", relatou.
O metal apareceu só na adolescência, por intermédio de um colega de escola chamado Johan, guitarrista que compunha em sueco e ouvia o gênero. A primeira faixa apresentada a ele como metal foi "The Spirit Carries On", do Dream Theater, do disco "Scenes from a Memory". Karevik ri da ironia: a balada não tem nada de metal, e foi exatamente por isso, imagina, que engatou de primeira em alguém que vinha de Mariah Carey e Whitney Houston. O que o fisgou de vez foram os vocalistas do gênero cantando sem economia.
Essa origem torta acabou virando assinatura. "Eu não fui influenciado por nenhum Iron Maiden ou Metallica antigo, nem nada disso. A maioria das pessoas que ama metal começa por ali, e cresce com esse molde. Acho que isso me deixou um pouco diferente, me fez chegar por outro ângulo, sem toda essa coisa que eu deveria ter ouvido. Então eu comecei a fazer o meu próprio lance bem rápido, comecei a fazer um monte de ad-libs e um monte de coisas que você ouviria no pop, mas que eu não ouvia nesse tipo de música", explicou. Questionado se aquilo era Mariah Carey transplantada para o metal, ele confirmou sem hesitar.
Nada disso o convenceu a se chamar de cantor. "Até hoje eu não me considero um cantor incrível. Eu me vejo muito mais como um músico ou um contador de histórias do que como cantor. Quando penso em um cantor, penso em outros cantores, não em mim. Eu penso em mim como alguém que teve de descobrir como cantar porque queria contar uma história", afirmou. Para ele, a técnica sempre veio depois da vontade de dizer alguma coisa - e não o contrário.
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