O grande problema de "Evidências" do Chitãozinho & Xororó, segundo Paulo Miklos
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de setembro de 2026
Paulo Miklos incluiu "Evidências" em seu novo disco e classificou a canção como massacrada. O termo apareceu em entrevista ao canal Amplifica, apresentado pelo guitarrista Rafael Bittencourt, e o próprio músico tratou de explicar o sentido em seguida. Ele se referia ao desgaste provocado pela repetição - a música tocou tanto que todo brasileiro sabe cantá-la de cor.
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O ex-Titãs descreve a onipresença do hit consagrado por Chitãozinho & Xororó como um fenômeno social. Na avaliação dele, a canção virou hino de mesa de bar e churrasco, item obrigatório no fim da noite. Miklos contou que em sua própria casa a cena se repete quando recebe visitas: todo mundo conhece a letra e todo mundo canta.
Foi exatamente isso que o atraiu. Segundo o músico, visitar uma música dessas e imprimir nela uma emoção própria representa um desafio grande, porque exige comunicar a canção do zero, como se ninguém a conhecesse. Ele aplicou o mesmo princípio a todas as faixas de "Coisas da Vida", disco em que atua apenas como intérprete.
Miklos define esse trabalho como um superpoder do intérprete: roubar a música dos outros a ponto de o ouvinte achar que ela é sua. O obstáculo, admite, é que qualquer regravação disputa espaço afetivo com o original, e não se trata de uma competição fácil de vencer. A comparação é inevitável para o público.
O contato com a dupla sertaneja tem história anterior ao disco. O músico participou de um show ao lado de Chitãozinho & Xororó e pediu o chapéu emprestado a Chitãozinho para dar uma volta pelo palco. Desde então, o sertanejo repete a mesma frase toda vez que os dois se encontram. "Depois que você botou aquele chapéu na cabeça, você nunca mais foi o mesmo", disse Chitãozinho, segundo o relato de Miklos ao Amplifica.
Além de "Evidências", "Coisas da Vida" reúne canções de Beto Guedes, Walter Franco, Cazuza, Adoniran Barbosa e Sá, Rodrix & Guarabyra, entre outros. O álbum abre com "Mestre Jonas" e fecha com "O Tempo Não Para". Produzido por Rafael Ramos, com arranjos de Otávio de Moraes, o trabalho ganhou versão em filme com 11 clipes gravados em uma semana.
Confira o vídeo completo abaixo:
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