O álbum massacrado pela crítica que Chris Cornell quis fazer a vida inteira
Por Bruce William
Postado em 16 de setembro de 2026
Chris Cornell já havia passado pelo Soundgarden, Temple of the Dog e Audioslave quando decidiu fazer uma curva que pouca gente esperava. Em vez de continuar explorando guitarras pesadas, procurou Timbaland e lançou em 2009 "Scream", um disco dominado por batidas eletrônicas, pop, R&B e produção muito distante do som que havia feito sua fama.
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A reação foi dura. Parte do público de rock recebeu o álbum como uma espécie de traição, e as críticas negativas começaram ainda antes de o trabalho completar seu ciclo de divulgação. Cornell, porém, não parecia particularmente arrependido, relatou à Blabbermouth. Ele dizia saber desde o início que a mudança faria muita gente torcer o nariz.
Quando perguntado sobre o que o Chris Cornell dos tempos de Soundgarden pensaria de "Scream", a resposta foi enfática: "Ele adoraria. Absolutamente." E explicou que o disco trazia canções, melodias e interpretações vocais, além de determinadas sensações musicais, das quais havia sido fã "a vida inteira" e que finalmente conseguira realizar de maneira autêntica.
Cornell também rejeitava a ideia de ter perdido a identidade musical. Em entrevista à CNN, também transcrita pela Blabbermouth, disse que nem queria possuir uma identidade facilmente definível: caso chegasse a esse ponto, seria hora de procurar outra atividade. Para ele, "Scream" não soava como nenhum outro disco que conhecia e escapava de classificações simples.
A parceria com Timbaland nasceu justamente dessa vontade de sair do terreno conhecido. Cornell já havia trabalhado diversas vezes com produtores ligados ao rock e queria mudar completamente o processo. A Far Out destaca que, mesmo anos depois, continuava dizendo que fazer o álbum inteiro daquela maneira havia sido ideia sua, e não uma imposição externa.
"Scream" permaneceu como um dos trabalhos mais divisivos de sua carreira. O próprio Cornell reconheceria mais tarde que a forma como o lançamento foi apresentado ao público ajudou a piorar a recepção, especialmente nos Estados Unidos. Mas nunca tratou o disco como um acidente do qual quisesse fugir: por mais que muita gente preferisse ouvir outra coisa, ali havia sons que ele dizia esperar havia muito tempo para colocar em um álbum.
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