O instrumento que Paulo Miklos quis tocar nos Titãs e foi vetado na hora
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de agosto de 2026
Paulo Miklos precisou abandonar a flauta transversal por pressão dos próprios companheiros de Titãs. O músico contou o episódio em entrevista ao Amplifica, canal comandado pelo guitarrista Rafael Bittencourt, do Angra. Segundo ele, a discussão apareceu logo no início da banda, quando tentou levar o instrumento para dentro do repertório. A resposta dos colegas foi direta: flauta não era rock and roll. Miklos rebateu na hora. "Como não é rock and roll? Lógico que é rock and roll", disse.

O veto não se sustentou por argumento, mas por insistência. Diante da recusa, o músico migrou para o saxofone, escolha que considerou mais fácil de emplacar dentro do grupo. O contexto ajudava: nos anos 80, o instrumento estava em toda parte. Ele cita Supertramp e Pink Floyd como exemplos de bandas que já usavam sax sem levantar suspeita. "Era mais fácil aceitar mesmo", afirmou ao Amplifica.
A escolha do modelo também teve cálculo. Miklos optou pelo tenor em vez do alto por uma razão de textura sonora. Na avaliação dele, o alto tem brilho demais, enquanto o tenor entrega volume e aspereza - algo mais próximo do que uma banda de rock pede. Foi direto para o instrumento mais barulhento.
Do episódio, o músico tirou uma lição sobre a dinâmica interna de qualquer grupo. Antes de convencer o público, disse, o artista precisa convencer os colegas de banda. Se a ideia passar por essa primeira barreira, aí sim ela chega ao ouvinte. A frase resume anos de negociação dentro de uma formação que chegou a reunir oito integrantes.
A flauta, ironicamente, tinha sido o instrumento que abriu portas para ele antes dos Titãs. Ganhou uma de presente da avó, depois que o pai mandou tirar o piano de casa por causa das notas escolares em queda. Foi com ela debaixo do braço que Miklos passou a circular pela Vila Madalena, reduto de artistas na época, e a tocar com todo mundo que aparecia. Em 1979, aos 20 anos, chegou ao Festival da Tupi como arranjador do grupo Arembepe.
O músico também estudou violão, piano e tuba - este último durante o período em que terminou o colegial nos Estados Unidos, onde entrou na banda marcial da escola por falta de tubista. Canhoto, aprendeu a tocar como destro porque a primeira professora nunca perguntou. Hoje mantém um piano de meia cauda em casa, subido pela janela do apartamento.
Confira o vídeo completo abaixo.
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