O cantor forte e bonitão de power metal que foi bombeiro por 20 anos
Por Gustavo Maiato
Postado em 16 de setembro de 2026
Antes de se dedicar à música em tempo integral, Tommy Karevik, cantor bonito e fortão do Kamelot, passou quase 20 anos combatendo incêndios na Suécia. O vocalista que também canta no Seventh Wonder contou ao canal The Charismatic Voice que só largou a profissão quando se mudou para o Canadá, em 2020, para viver com a esposa, a cantora Kobra Paige, com quem havia se casado no início daquele ano. A mudança aconteceu poucas semanas antes de a pandemia fechar as fronteiras.
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Karevik descreve a decisão como um salto fora do seu feitio. Ele se define como alguém movido por segurança e rotina, e diz que qualquer mudança grande na vida lhe custa caro. A entrevistadora apontou a contradição de alguém que se diz avesso a aventuras ter passado duas décadas entrando em prédios em chamas, e o cantor concordou que soava estranho, mas manteve a descrição: introvertido, apegado às coisas como sempre foram.
O trabalho deixou marcas no instrumento. Segundo o vocalista, na primeira década não havia protocolo nenhum de descontaminação: a equipe circulava pelo ambiente depois do fogo apagado com o uniforme absorvendo tudo, entrava toda junta no carro em seguida e guardava a roupa suja por meses sem lavar, a ponto de o quartel inteiro cheirar a incêndio. Só mais tarde vieram os sacos plásticos, a máquina de lavar específica e a sala separada para os equipamentos.
O efeito sobre a voz, ele garante, foi real. A fuligem é gordurosa, entra nas vias aéreas e irrita, explicou, e a isso se somavam as noites picadas de plantão - acordar quatro vezes de madrugada e tentar cantar no dia seguinte não terminava bem. Karevik brinca que teve sorte de estar no metal, onde uma rouquidão pontual passa despercebida, e diz se sentir mais saudável hoje, mesmo sentindo falta do antigo ofício.
Perguntado por um espectador sobre o que uma carreira levou da outra, o cantor respondeu com um paralelo direto. "Sempre encarei o trabalho de bombeiro como algo em constante evolução, porque nunca há coisas suficientes para aprender. A tecnologia muda, as casas mudam, você nunca está completamente formado. Esse era o grande desafio: todo dia você tem que aprender algo novo, ou voltar e reaprender algo que esqueceu. Acho que com a música é um pouco parecido. Você não pode fazer a mesma coisa por 20 anos, porque você não é a mesma pessoa. Tem que se adaptar à nova pessoa que você virou", afirmou.
Há ainda o que ele chama de ética de trabalho herdada dos dois lados. Nada vem sozinho, resumiu o sueco, e é preciso ralar todo dia para chegar a algum lugar em qualquer uma das profissões. Entre os incêndios e os palcos, ele identifica o mesmo mecanismo: o treino repetido que cria confiança dentro de um grupo. Uma banda em estrada longa, diz, conhece os próprios integrantes pelo mesmo motivo que uma guarnição conhece - porque não há alternativa.
Confira o vídeo completo abaixo.
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