Rafael & The Aqua Pang: coletivos culturais são pataquadas

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Por Igor Miranda, Fonte: Van do Halen
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É difícil categorizar o som do Rafael & The Aqua Pang. O grupo, liderado por Rafael Coimbra (voz e guitarra) e complementado por Rafael Piazzi (baixo), Fred Calazans (bateria) e Vinícius Preisser (piano e teclados) transita entre diversas vertentes do Rock alternativo, além de inserir influências do Rock progressivo e do Pop Rock. No entanto, independente de rótulos, o projeto tem muita qualidade e conseguiu bastante destaque desde sua fundação, em 2010. O primeiro registro, "Earth Overkill", só deve ser lançado em 2013 - mas grande parte das músicas já está na internet, em versão final. Segue abaixo a entrevista que a Van do Halen conduziu com Rafael Coimbra. Só não se esqueça de ouvir o som (antes, durante ou depois da leitura) no link abaixo.

http://soundcloud.com/rafael-and-the-aqua-pang

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Van do Halen: Inicialmente, gostaria de saber a história do Rafael & The Aqua Pang, que é mais um projeto solo do que um grupo em si.

Rafael Coimbra: Bom, eu sou multi-instrumentista e decidi construir um estúdio para registrar as idéias que formam esse disco, o "Earth Overkill", EXATAMENTE como eu queria. Sem influência de técnicos de som, de produtores, e etc. E essa "vaidade sonora", me levou a querer compor e registrar tudo isso sozinho. Acabei compondo sozinho, mas no processo de produção, foi muito legal dividir tudo isso com uma pessoa que me conhece muito bem, desde criança, o meu querido batera, Fred. Esse cara é foda! Além de ter um ouvido sensacional, temos uma sintonia muito grande, e ele consegue entender muito bem o que eu quero no som.

Depois de prontas as canções, chamei meus amigos, que são excelentes músicos, para participarem da formação da banda, para tocarem comigo nos shows. Mas Vinícius (teclas), participa brilhantemente no solo de órgão em "Serendipity".

Van do Halen: Como foi o processo de composição, gravação e produção do álbum "Earth Overkill"?

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Rafael: O disco foi composto e gravado entre dois estúdios, no interior de MG, o meu e o do Fred. Misturando equipamentos e experimentando bastante. A produção foi toda feita por mim e por Fred. E a arte, por meu outro amigo, o artista plástico Leandro Figueiredo, que tem um trabalho sensacional.

Van do Halen: Por que investir diretamente em um projeto basicamente solo ao invés de uma banda? Os integrantes que ingressaram após o registro de "Earth Overkill" deverão ter maior contribuição nas composições nos próximos lançamentos ou ainda haverá predominância das suas composições?

Rafael: O motivo principal disso, pra mim, é tocar todos os instrumentos e a possibilidade de maior consonância executiva das minhas próprias composições. Se os integrantes quiserem compor e participar deste processo, não vejo nenhum problema. Provavelmente o Fred Calazans é quem mais vai participar deste processo.

Van do Halen: O som do Rafael & The Aqua Pang flerta com muita coisa diferente - e boa - do Rock. Gostaria de saber as maiores influências no processo de composição.

Rafael: É difícil citar exatamente, pois eu escuto muita coisa, e como você bem disse, muito distintas umas das outras. Acho que minhas principais referências são The Beach Boys e The Beatles. Mas gosto muito de Television, Lou Reed, The Strokes, Ramones, Queens of the stone age, Jimi Hendrix, Black Sabbath, Raul Seixas, Erasmo Carlos... É muita coisa! E outras coisas que nem são tão ligadas ao rock, como Sérgio Sampaio, por exemplo.

Van do Halen: O Rafael & The Aqua Pang foi destaque no site Oi Novo Som, se sobressaindo no meio de outras 10 mil bandas. Como foi isso?

Rafael: Pois é, foi muito bacana, e rápido! "Pupa" começou a tocar na rádio Oi Fm de BH, e a galera curtiu. Passou um tempinho, e tive a honra de ser comunicado que a canção havia entrado para o acervo da rádio, pela boa aceitação que teve. Tanto na Oi FM, quanto na Oi novo som.

Van do Halen: Além de destaque nacional, o Rafael & The Aqua Pang já fez um som fora do Brasil, em Oslo (Noruega) e Dublin (Irlanda). Como foi a experiência?

Rafael: Foi sensacional. Em Oslo, toquei num festival chamado Kulquinox, e foi muito bacana mesmo. Tanto o festival, quanto a reação das pessoas. É muito bacana tocar em um lugar que a platéia te assiste, sentada, sem muita interferência, e ter retorno disso depois. Muita gente me procurou depois do show pra falar sobre música, me perguntar coisas, foi muito legal isso. E eles gostaram bastante, o que me deixou felizão.

Em Dublin foi muito legal, também. Participei de um vídeo bem bacana que fizeram, uma moçada super competente de um projeto chamado The Patch. Foi mais à moda brasileira.

Vídeo do projeto, Rafael & The Aqua Pang está a partir de 12min37seg

Van do Halen: Quais são os atuais planos do Rafael & The Aqua Pang?

Rafael: Mandar o disco para prensar! Estava em dúvida entre fazer tudo completamente independente, ou aceitar a proposta de algum selo. Tem um pessoal super bacana do Rio, são muito competentes e estão no mercado já faz um bom tempo. É o selo do Leonardo Rivera, o Astronauta Discos. O Leo curtiu bastante o som, e a gente conversou bastante sobre eu participar do elenco de 2012, mas como eu estava fora, e é necessário assinar documentos, acabou não dando tempo de fechar até a data limite que ele precisava. Fora isso, continuar tocando por aí, por todos os cantos, onde for possível.

Só não quero saber de aderir à coletivos culturais e pataquadas afins, Brasil afora. Tem gente achando que isso aí é a salvação da lavoura da música indie, mas a maioria não quer saber de melhorar a cena independente, só quer tentar capitalizar alguma merreca mesmo. Eu nunca iria imaginar que uma rádio grande como a Oi FM, fosse me dar muito mais apoio, retorno e suporte do que outras rádios menores, ou coisa parecida.

A maior parte, só quer te dar alguma força quando você começa a ter visibilidade. Ou seja, não querem contribuir pelo som que você faz. E sim, pelo interesse de você se tornar alguém muito poderoso, e perder a oportunidade de uma tacada de ouro. Teve gente, que não sei porque, deve ter pensado que eu ia ser o Michel Teló da guitarra, algo assim.

Não sei, acho que neguinho viajava na maionese de achar que fazer uns shows fora do Brasil, tocar em rádio inglesa e essas coisas, significa que você vai arrebentar no mainstream. Como a maioria diz, "estourar".

Isso é de uma burrice e ingenuidade sem tamanho. O som que eu faço pode até agradar um bocado de gente, mas não é nada repetitivo e imbecil como o que costuma estar tocando o dia inteiro na maior parte das rádios do planeta.

Vai ter muita gente torcendo o nariz por que eu estou dizendo, e me achando arrogante por isso, mas eu não tô nem aí. É muito cômodo querer transferir a culpa pro cartório de quem consegue ver alguma coisa.

As pessoas estão cada vez mais idiotas, e é claro, é interesse de quem tem algum poder, manter esse rebanho de vaca de presépio, mugindo em uníssono. Todo mundo falando tchu, tcha, delícia, assim você me mata e blablablá. E fica todo mundo nessa de ser politicamente correto e dizer "Não tenho nada contra sertanejo universitário, colorido"... Pois eu tenho muita coisa contra essa merda toda. Mas o brasil tem isso do coitadismo, é bonito glamourizar o apedeuta.
É a relação inversa da comunicação, imperando até hoje: quanto maior o repertório, menor a audiência. Quanto menor o repertório, maior a audiência.

Quanto mais alienado o povo estiver, mais fácil de desviar a atenção de problemas horríveis, mais fácil de conduzí-los pro caminho mais conveniente.

É tanta gambiarra e coisa errada, que chega a ser trágico.

Enfim, já falei pra cacete... Hahaha!

Pegando no batente!
Pegando no batente!

Van do Halen: Como vocês enxergam e utilizam a Internet enquanto ferramenta de divulgação do Rafael & The Aqua Pang? Há só vantagens ou vocês consideram alguma desvantagem nesse processo?

Rafael: A internet é a única salvação possível. Quem realmente está interessado, pesquisa, busca, escuta e curte. Acho que não tem nenhum contra. Tudo que rolou pra mim, até hoje, só rolou pela internet. Van do Halen por exemplo, é um espaço sensacional e sem limitação de conteúdo, picaretagem ou troca de interesses. Isso é sensacional! Tem um fanzine de Brasília que é muito bacana também, mantido pela querida Djenane Arraes, o Elefante Bu. É outra guerreira de verdade, em prol da boa música.

Van do Halen: Muito se questiona a cena Rock nacional, inclusive as bandas que surgem e o espaço que a mídia dá para aquelas que realmente abraçam o Rock n' Roll. O que vocês acham do cenário atual?

Rafael: Eu acho o cenário atual uma coisa muito curiosa: de um lado, existem bandas realmente excelentes, fazendo um som visceral, sincero. Por outro, um bando de idiotas que só querem pagar de celebridade e ser politicamente correto, continuam a produzir o mesmo lixo de sempre, a mesma música medíocre que interessa ao mercado.

Eu não estou nem aí pra essa merda toda, não faço joguinho de interesse por medo de ser banido do circuito. Quero mais é que se fodam!(nessa eu fiquei parecendo o cara do "morre diabo").

O Brasil tem essa relação esquizofrênica com a guitarra elétrica e o rock. Desde a passeata contra guitarra elétrica até os dias de hoje, é a mesma ladainha. Preconceito contra quem curte rock n' roll, medo de escutar o que não quer, medo de ouvir guitarra...

Enfim, eu não estou nem um pouco interessado a pertencer à um circuito, nicho, filo, tribo... A maioria por aí tem orgulho de dizer que é indie, ou não sei o que. Eu não tô nem aí pra nada disso, só quero tocar e fazer música do jeito que eu quero. Isso é o mais precioso pra mim, não tenho a menor dúvida.

Rafael & The Aqua Pang em ação
Rafael & The Aqua Pang em ação

Van do Halen: O espaço final é de vocês. Mandem um recado para os leitores da Van do Halen e para os fãs da banda!

Rafael: Pô, para os leitores: um abração pra vocês! Não tenham vergonha de dar força pra galera que não tem gravadora, que não entrou na banheira do Gugu, nem passou a mão na bunda do Faustão! Se curtir o som de alguém, coloca na internet, manda pros amigos, vamos fazer barulho e tirar essas merdas de Michel Teló das rádios, e tentar fazer nosso povo, um povo mais bacana! Quem curtir o som, dê uma força e curta a página do Facebook.

http://www.facebook.com/rafaelandtheaquapang

Para os fãs: Oi, mãe!




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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Começou a escrever sobre música em 2007 e, algum tempo depois, foi cofundador do site Van do Halen. Colabora com o Whiplash.Net desde 2010. Atualmente, é editor-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia o portal Cifras, Ei Nerd e outros. Mantém um site próprio 100% dedicado à música. Nas redes: @igormirandasite no Twitter, Instagram e Facebook.

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