Slash: "Andei ouvindo velhos discos de Blues"
Por Rodrigo Caldana
Fonte: Blabbermouth
Postado em 15 de maio de 2007
A revista Guitarist conduziu recentemente uma entrevista com o guitarrista Slash (VELVET REVOLVER, ex-GUNS N´ROSES).
O que podemos esperar de você em "Libertad"?
Na verdade eu passei de agosto até o fim das gravações ouvindo nada mais que velhos discos de Blues. Eu redescobri os velhos ‘bluseiros’ e isso me influenciou no meu jeito de tocar. Não fiquei sentado aprendendo os discos, mas eu absorvi um pouco daquela atmosfera. Quando eu estava no estúdio, desviei um pouco do normal e usei uma Strato numa música e uma Gretsch em outra. Mas logo após eu voltei ao lance Les Paul/Marshall novamente. Umas duas vezes eu quis algo que soasse ‘pequeno’, então eu usei um combo VOX minúsculo. No mais, usei a mesma Les Paul que uso há anos com dois cabeçotes Marshall. No fim a sonoridade não ficou muito diferente do que eu procurava para o álbum. Mas há muito wah-wah – mais que o normal.
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E sobre sua abordagem para os solos?
Existem diferentes abordagens, mas a que predomina é a ‘bluseira’, algo mais espontâneo que tocar tudo com velocidade. Eu não senti que deveria provar algo pra alguém, então toquei apenas o que estava afim. Eu praticamente peguei o primeiro ou o segundo take de quase todos os solos: 75% ou 80% foram no primeiro take, e há uns dois que foram do primeiro ao terceiro take. Os solos não estão tão precisos como eles ficam geralmente comigo – está mais tipo, ´oh, não era a nota que planejei mas ficou legal´. Há alguns erros que têm muita personalidade, eu deixei como ficou. Acho que as pessoas notarão quando ouvirem o CD.
Que músicas podemos esperar ouvir?
Tem uma música chamada ‘Let It Roll’que é a mais agressiva do disco. ‘She Builds Quick Machines’ é outra agressiva e acho que será o primeiro single. ‘Spay’ é bem agressiva também. Tem umas mais leves também: ‘This Fight (Could Be The Last Fight)’ – na qual eu usei a Gretsch [6120 Setzer model] – e ‘Grave Dancers’, mas também com um solo agressivo no fim. ‘American Man’ tem um solo lento, melódico, que é bem minha marca registrada, no mesmo estilo de coisas que fiz no passado. Também tem uma música que tentamos deixar o mais agressiva que pudéssemos – uma releitura da ELECTRIC LIGHT ORCHESTRA, 'Can't Get It Out Of My Head'. Nosso produtor [Brendan O'Brien] que sugeriu. Eu adoro a música, mas eu não estava muito certo de como ficaria. Gravamos a bateria e os violões mas ainda não estava do jeito que gosto. Mas quando colocamos as guitarras ficou bem legal.
Scott [Weiland, vocalista] disse que queria este álbum na linha dos discos clássicos de rock do passado – você também partiu desta mesma idéia?
A conversa que tivemos como banda foi a de fazer um disco que fosse na mesma linha, e que soasse tão bom ou melhor que outros discos nos quais estivemos envolvidos – os quais são grandes trabalhos. Isso teve um efeito subconsciente, e quando estávamos montando os arranjos, houve uma preocupação natural, que fez com que levássemos mais tempo para conseguir uma melhor abordagem. Não houve pressão, mas a conversa que tivemos, com a qual todos concordamos, estava o tempo todo em nosso subconsciente.
No ano passado, os leitores da Guitarrist votaram no "Appetite For Destruction" do GUNS ‘N’ ROSES como o maior álbum de guitarras de todos os tempos.
Você está brincando!? Uau! Eu ouvi ‘Nightrain’ outro dia no rádio. É muito difícil eu ouvir este álbum, mas ouvi esta música e era eu tocando um tempão atrás. Ele tem toda a energia e raiva adolescente que estava realmente presente na realidade da banda na época. Foi difícil colocar isto no disco da maneira mais honesta, e isto é algo que não dá pra fazer duas vezes. Quando eu estava ouvindo o solo de ‘Nightrain’, soou tão legal e ao mesmo tempo era tudo que eu era capaz de fazer na época.
Acredito que fizemos um bom trabalho naquele disco, considerando que naquela época não tínhamos nenhuma experiência com gravação. Foi o som da banda ao vivo registrado na fita e basicamente só – apenas uma grande química que realmente deu certo. As músicas e o jeito de tocar vieram daquela química. Nós não sabíamos direito o que estávamos fazendo – apenas tocávamos o que soava legal.
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