Trent Reznor: "nem aí com a indústria musical"
Por Bruno Romani
Fonte: Kerrang! Magazine
Postado em 07 de janeiro de 2007
A revista britânica Kerrang! falou exclusivamente com Trent Reznor, a principal cabeça do NINE INCH NAILS, sobre o sucessor de "With Teeth" de 2005, que provavelmente estará nas lojas na primavera no Hemisfério Norte.
Uma curta sessão de perguntas e respostas segue abaixo:
Kerrang!: O seu último álbum demorou seis anos para sair. Nós esperamos apenas dezoito meses por esse disco!
Trent Reznor: "Foi bem interessante. Estou provavelmente tão surpreso quanto alguns fãs (risos). Mas na verdade é apenas uma questão de disciplina. Na ultima turnê, para me manter ocupado, eu ficava simplesmente escondido e criando música o tempo todo, então isso me manteve numa atmosfera criativa. Quando eu terminei a turnê eu não me sentia tão cansado e queria continuar isso".
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Kerrang!: Há mais alguém tocando no disco?
Trent Reznor: "É tudo feito por mim, a maioria gravada em laptops em quartos de hotel do mundo todo. Pode haver algum vocalista surpresa aqui e ali – embora eu não quero dizer quem é já que a mixagem final não está definida ainda. Josh Freese toca bateria em uma música, mas não é o tipo de álbum com grandes estrelas convidadas. Dá a impressão de que é [um disco] mais focado em determinada direção do que 'With Teeth'".
Kerrang!: Qual o conceito?
Trent Reznor: "Eu estou tentando evitar falar em muitos detalhes mas eu posso dizer que é um disco conceitual, e é parte de algo maior de inúmeras coisas nas quais estou trabalhando. Basicamente, eu escrevi a trilha-sonora de um filme que não existe. Esse álbum é um pouco mais eletrônico, e eu diria que a batida é um elemento maior do que já foi no passado. Ele está dando uma guinada em relação a estrutura da canção e em ser tocado no rádio".
Kerrang!: Você está se referindo a algum tipo de evento multimídia?
Trent Reznor: "Meu objetivo é que a música possa ser interpretada com o contexto mais rico possível. Então estou imerso numa maneira de conseguir isso. Os álbuns já foram de 12 polegadas com trabalho artístico e toda uma estética, depois passaram a ser CD’s que são feios e descartáveis e hoje em dia são apenas arquivos de computador, e isso me levou a pensar bastante em maneiras de apresentar música que ainda pareça importante e que tenha profundidade e propósito".
Kerrang!: Vai ser um disco pesado?
Trent Reznor: "Não é pesado no sentido 'metal' da coisa. Eu diria que uma grande inspiração sonora seria os álbuns antigos do PUBLIC ENEMY, tipo uma colagem de sons, que não são pesados em termos de guitarra".
Kerrang!: Nos álbuns "The Downward Spiral" e "The Fragile" você misturou uma quantidade extrema de sons e camadas díspares entre si – o novo disco está indo nessa direção?
Trent Reznor: "Bem, Alan Moulder (antigo colaborador) ficou chocado quando ouviu pela primeira vez. Normalmente uma sessão com Pro Tools tem muitos canais e dessa vez ele falou, 'Você ta brincando? Só tem isso?' O resultado final tem um pouco de barulho – é muito mais improvisado, menos refinado. Com esse disco eu me sinto muito menos preocupado com o que as pessoas pensarão a respeito – especialmente a combalida indústria musical. Não estou nem aí pra isso agora".
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