O batismo de fogo brasileiro do Queen
Por João Renato Alves
Fonte: Blog Van do Halen
Postado em 20 de março de 2011
As passagens de grandes artistas estrangeiros pelo território brazuca nos anos 1970 eram atos quase clandestinos, regados a muita confusão nos bastidores. Alice Cooper, Genesis e Rick Wakeman estavam entre os poucos que se aventuraram por essa terra-sem-lei do show business. Falta de estrutura e a inexperiência local em eventos dessa magnitude fizeram com que tumultos e acidentes fossem parte do roteiro. Sem contar os constrangimentos a que os gringos eram submetidos, com taxas abusivas na alfândega e equipamentos sendo roubados.
Esse foi o cenário que o Queen topou encarar. A ousadia partiu da Toco Produções Artísticas, que bancou a produção estimada em dois milhões de dólares, um valor que, proporcionalmente para a época, era ainda mais alto que na realidade atual. Com apoio total da mídia – TV e Rádio Bandeirantes transmitiram o show – uma multidão lotou o Morumbi na sexta-feira, 20 de Março. Nunca houve um número exato (o que também era bem comum em atrações desse porte), mas estima-se que quase 200 mil pessoas lá estiveram. No dia seguinte, nova dose, também com ingressos esgotados.
Antes mesmo de começar a série de apresentações pelo continente – que incluiu ainda quatro datas na Argentina e uma na Venezuela – o quarteto desembarcou no Rio de Janeiro para aproveitar o carnaval. Brian May foi ao Baile Vermelho e Preto, enquanto os seus companheiros aproveitaram os festejos na boate Regine’s. Falando na Cidade Maravilhosa, relatos nunca confirmados oficialmente dão conta que o quarteto se ofereceu para tocar no Maracanã. O valor da venda de ingressos seria revertido para entidades de assistência a deficientes físicos, já que aquele era simbolicamente o ano de ajudar os portadores dessa necessidade.
Mas em São Paulo o grupo não decepcionou, mostrando porque era uma das formações mais talentosas que já existiram no mundo da música. A atitude showman de Freddie Mercury, junto ao assombroso talento de Brian May – destacado pela imprensa à época como a alma musical do grupo – conquistou a platéia desde o início. A platéia deu seu show à parte, surpreendendo os próprios músicos, que não esperavam uma recepção tão calorosa – lembremos que o Brasil ainda não tinha a fama que possui atualmente junto aos artistas gringos.
O quarteto ainda voltaria quatro anos depois como atração principal do primeiro Rock In Rio. Foi uma maneira de consolidar a história de concertos em território nacional, que eles mesmo ajudaram a iniciar. Dali pra frente seria regra na agenda das bandas a passagem pela terra descoberta por Cabral. Sendo assim, vamos pagar nosso tributo aos precursores. Até porque poucos dos que passaram depois eram tão espetaculares. Deus salve a rainha!
O que rolou no show
- We Will Rock You (Fast Version)
- Let Me Entertain You
- Play the Game
- Somebody to Love
- Save Me
- Now I’m Here
- Dragon Attack
- Fat Bottomed Girls
- Love of My Life
- Flash
- The Hero
- Crazy Little Thing Called Love
- Bohemian Rhapsody
- Tie Your Mother Down
- Another One Bites the Dust
- Sheer Heart Attack
- We Will Rock You
- We Are the Champions
- God Save the Queen
Fontes: Revistas Showbizz e Veja, site queenbrazil.com
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