Misirlou: a história da canção de Dick Dale no Pulp Fiction
Por Maximiliano P.
Fonte: It's Only Rock'n'Roll
Postado em 21 de abril de 2010
Existem muitas músicas que agradam a todos, mesmo que quase ninguém saiba quem as canta/toca, ou praticamente saiba nada sobre ela. Lembram da marcante música instrumental da abertura do filme "Pulp Fiction"? Pois é... Ela tem nome, origem e história.
"MISIRLOU" é uma canção popular grega. Seu primeiro registro efetivamente relacionado a um artista data do longínquo 1927, por Michalis Patrinos.
A letra trata da intensidade do amor de um grego por uma garota muçulmana egípcia. A tradução da música original é mais ou menos esta: "Minha MISIRLOU, a doçura de teus olhos acendeu uma chama no meu coração; Oh, meu amor, Oh, minha noite, teus lábios gotejam mel; Oh MISIRLOU, mágica, exótica beleza enlouquecido de amor, não suporto mais, vou roubar-te da terra árabe; Minha MISIRLOU de olhos negros, teu beijo mudou minha vida; Ah, amada, um pequeno beijo de teus lábios tão doces."
Após a iniciativa de Michalis, a canção foi regravada em vários estilos, entre eles o jazz e o orquestrado, até chegar ao rock, no início dos anos 60.
A versão roqueira, que mais nos interessa particularmente, é uma criação instrumental de Dick Dale e de sua banda, The Def-Tones, gravada em 1962. Antes de ser selecionada por Quentin Tarantino para "Pulp Fiction", a música já havia sido trilha sonora de um outro filme, o bem menos aclamado "A Swingin Affair" de 1963.
Dick Dale criou a surf music no final dos anos 50. Tocava por diversão para sua turma de surfistas, na Califórnia, mas em um ritmo muito intenso para a época. Obviamente, começou a chamar a atenção de outros públicos, recebendo o apelido de "The Beast", pelo estilo potente e exótico.
"MISIRLOU" talvez seja a primeira música realmente relevante do surf rock, movimento que o próprio Dale iniciou ao agregar peso em seu próprio estilo, já no início dos anos 60.
A idéia da concepção da versão instrumental da música por Dale é bastante interessante. Reza a lenda que Dick foi intimado por um fã a tocar uma música em apenas uma corda de seu violão. Dale se lembrou de um tio seu, de origem libanesa, que tocava o instrumento para dança do ventre. Imediatamente a versão do parente para "MISIRLOU" veio à sua mente, e aí foi só transformá-la para o seu estilo mais "animal".
Dick Dale começou a tocar guitarra aos 12 anos, é canhoto e toca com a guita invertida, sem virar as cordas. Coincidentemente ou não, o monstro Jimi Hendrix, que tocava nessa mesma linha, foi aluno de Dick. A influência de Dale sobre Hendrix é notória, sendo que a música "Third Stone from the Sun" foi composta por Jimi em homenagem ao seu professor.
Dale sabe tocar 15 instrumentos musicais, entre eles bateria, harpa, piano e sax, além, é claro, de sua guitarra Fender. Aliás, sobre seu instrumento preferido surge mais uma daquelas deliciosas histórias do rock.
Ao conhecer e se impressionar com o jovem guitarrista, no final dos anos 50, o fabricante de guitarras Leo Fender pediu que Dick experimentasse uma de suas novas peças, a Stratocaster, e um amplificador também desenvolvido pela Fender.
Dale aceitou. Em um show, virou a guitarra de ponta cabeça e tirou daquele instrumento um som altíssimo, jamais escutado, explodindo os amplificadores que lhe davam suporte. Foram 49 amplificadores e dezenas de alto-falantes estourados na seqüência de suas apresentações, até que os engenheiros de som da Fender conseguiram produzir algo capaz de suportar a pegada de Dick. Esses modelos de amplificadores e falantes "reforçados" são os pais daquilo que o mundo musical conhece e consome hoje.
Dale também mudou a "engenharia" das guitarras. Valorizando a potência de seu som, Dick passou a exigir cada vez mais da Fender. Dale ia aumentando a tensão das cordas e a indústria precisou reforçar o braço do instrumento para que o mesmo pudesse suportar a pegada do "King of the Surf Guitar".
O maior sucesso de Dick Dale é sua versão de "MISIRLOU", indiscutivelmente. Poucas vezes uma música encaixou tão bem em um contexto quanto ela em "Pulp Fiction", e em menos oportunidades ainda expressou tão bem o estilo de um músico: intensa, impactante, pesada, rápida, alternativa.
O cara e a música são fantásticos mesmo. Para quem não os conhecia pessoalmente, muito prazer...
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Banda de rock dos anos 70 ganha indenização do Estado brasileiro por ter sido censurada
A música sem riff de guitarra nem refrão forte que virou um dos maiores clássicos do rock
Guns N' Roses estreia músicas novas na abertura da turnê mundial; confira setlist
Para Gary Holt, Exodus é melhor que Metallica, mas ele sabe ser minoria
A banda que impressionou Eddie Van Halen: "A coisa mais insana que já ouvi ao vivo"
Baterista quer lançar disco ao vivo da atual formação do Pantera
Concerto do Pink Floyd gravado por Mike Millard vai sair em vinil e CD oficial
Os 20 maiores riffs de guitarra da história, segundo o Loudwire
Wolfgang Van Halen fala sobre a importância de ter aprendido bateria primeiro
Joe Bonamassa lançará show em tributo a Rory Gallagher
O ícone do metal progressivo que considera o Offspring uma piada
Guitarrista e produtor mantém esperança de que álbum do King Diamond sairá em breve
Kip Winger admite não se identificar mais com a música da banda que leva seu nome
O álbum do Cannibal Corpse que Jack Owen não consegue ouvir
O motivo que fez Ozzy achar que membros do Metallica tiravam uma com a cara dele


Muito antes do Spotify - Como os videogames moldaram o gosto musical dos headbangers
15 curiosidades sobre o Megadeth, um dos maiores nomes da história do thrash metal
5 capas inusitadas de álbuns de rock
A música feita na base do "desespero" que se tornou um dos maiores hits do Judas Priest
A curiosa mensagem em código Morse que o Dream Theater "escondeu" em "In the Name of God"
Black Sabbath: O ataque com um queijo fedido ao pobre Bill Ward
Duff McKagan: Ele se arrepende de ter liberado a Duff Beer dos Simpsons


