Há tesão na terceira idade? Deep Purple responde, em novo álbum.
Resenha - =1 - Deep Purple
Por Fábio Cavalcanti
Postado em 20 de julho de 2024
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Há quem diga que o Deep Purple já deveria ter se aposentado, como se bastasse o fato dessa banda britânica ter feito parte da turma setentista que solidificou o hard rock e o heavy metal, ou como se bastassem o hit "Smoke on the Water" e os álbuns "In Rock" e "Machine Head". Quem abrir a mente, encontrará ao menos um pouco de revitalização enérgica no 23º álbum dos velhinhos: "=1" (2024), o 5º com a produção polida do Bob Ezrin.
Ian Gillan brincou mais com as métricas e outras possibilidades da sua desgastada voz anasalada, e ousou soar jovial e malandro em muitas das novas letras. Ian Paice continuou fazendo rufar as suas sempre frescas variações de bateria. Roger Glover fez o seu baixo "jogar para o grupo". Don Airey elaborou teclados mais exóticos e menos reminiscentes do saudoso Jon Lord. Já o novo guitarrista Simon McBride, desprovido da autenticidade dos ex-membros Ritchie Blackmore e Steve Morse, criou riffs e solos firmes…
"Show Me", "A Bit on the Side", e "Sharp Shooter", são uma ótima entrada: voz maliciosa, letras safadas, peso cadenciado ou suíngue pulsante, e o início das conversações entre guitarras e teclados. "Portable Door" possui uma letra enigmática sobre o ato de evitarmos aporrinhações, e remete à 'bluesy' e melódica "Pictures of Home". "Old-Fangled Thing" é um boogie rock sensual, acelerado, e dotado de pequenas surpresas estruturais. A lenta e linda "If I Were You", que aborda a resignação, recupera o ‘feeling’ da fase do Morse.
"Pictures of You", uma crítica às atuais falsas aparências, pode soar estranha em termos de harmonias. "I'm Saying Nothin'", boa ode ao silêncio, passará batida para muita gente. A excelente "Lazy Sod", que aborda a preguiça frente a problemas mundiais, parece um blues rock do "Fireball". A veloz e arrepiante "Now You're Talkin'" traz os turbilhões mentais e uns berros inesperados do Gillan. "No Money to Burn", com o seu otimismo brincalhão, soaria bem num bar. A lenta e afetiva "I'll Catch You" é embebida por vocais e solos "doloridos"…
Por fim, o hard rock progressivo e intrincado "Bleeding Obvious" nos incentiva, paradoxalmente, a encararmos com simplicidade o nosso mundo complicado. E então, após a conclusão desse álbum "=1", me ocorreu a pergunta: existe tesão na terceira idade? Através de 13 dignas canções, o Deep Purple respondeu positivamente, e exigiu que esqueçamos por ora a sua própria idade. Vida "longa" para eles, e para todos nós!
Músicas:
1. Show Me
2. A Bit on the Side
3. Sharp Shooter
4. Portable Door
5. Old-Fangled Thing
6. If I Were You
7. Pictures of You
8. I'm Saying Nothin'
9. Lazy Sod
10. Now You're Talkin'
11. No Money to Burn
12. I'll Catch You
13. Bleeding Obvious
FONTE: Pop Reverso
Outras resenhas de =1 - Deep Purple
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



"I Don't Care", do Megadeth, fala sobre alguém que Dave Mustaine admite ter implicância
A música do Rainbow que Ritchie Blackmore chama de "a definitiva" da banda
A melhor música de cada álbum do Iron Maiden, segundo ranking feito pela Loudwire
Metal Church anuncia seu décimo terceiro disco, o primeiro gravado com David Ellefson
O disco "odiado por 99,999% dos roquistas do metal" que Regis Tadeu adora
Uma cantora brasileira no Arch Enemy? Post enigmático levanta indícios...
A música épica do Rush que mexeu com a cabeça de Dave Mustaine
"Não tenho mágoa nenhuma": Luis Mariutti abre jogo sobre Ricardo Confessori e surpreende
Ao lidar com problemas de saúde, Dee Snider admitiu fazer algo que rejeitou a vida inteira
Quem pode ser a nova vocalista do Arch Enemy no Bangers Open Air?
"O Raul, realmente é pobre também assim, é tosco"; Guilherme Arantes entende fala de Ed Motta
Ambush e Krisiun são anunciados como atrações do Bangers Open Air
O disco que define o metal, na opinião de Ice-T
Dave Mustaine comenta o risco que ele acha que Yngblud está correndo


Deep Purple: tudo eventualmente se simplifica em uma essência unificada
Hits dos Beatles, Deep Purple e The Doors com riffs "roubados" de outras músicas
A respeitosa opinião de Dave Mustaine sobre Ritchie Blackmore
As músicas "das antigas" do Metallica que Lars Ulrich gostaria que o Deep Purple tocasse
A banda que faz Lars Ulrich se sentir como um adolescente
O riff definitivo do hard rock, na opinião de Lars Ulrich, baterista do Metallica
O cantor que Glenn Hughes chama de "o maior de todos"
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias


