Stratovarius: no auge da criatividade e popularidade
Resenha - Infinite - Stratovarius
Por Vitor Sobreira
Postado em 27 de setembro de 2019
Em 2000 foi lançado, pela Nuclear Blast, o nono álbum do Stratovarius, que já era uma banda com o nome respeitado. Do começo modesto com ‘Fright Night’ (1989), foi aprimorando sua sonoridade e construindo uma base de admiradores leais, atingindo seu ápice criativo e de popularidade entre meados dos anos 90 e início de 2000. Isso tudo, sem mencionar ainda que serviu de inspiração para tantas outras bandas, no que diz respeito ao Power Metal Melódico.
A começar pela arte de capa… Sim! Foi feita pelo artista Derek Riggs, que ficou conhecido em todo o Sistema Solar por suas obras (muitas delas épicas) feitas para o Iron Maiden e que estamparam algumas dezenas de materiais e merchandising! Outra coisa que vale a pena ser comentada antes mesmo das composições em si, é a lista de convidados que contou com mais de trinta participações, entre vocalistas e instrumentistas. Além disso, a produção também contou com um pequeno time, formado pelo próprio guitarrista Timo Tolkki, Mika Jussila & Mikko Karmilla, Veijo Laine e Riku Niemi. Ufa!
Mas, apesar desse empenho e investimento todo, será que o trabalho é tão bom mesmo, quando muitos falam? É o que vamos conferir.
Se você espera por um som na velocidade da luz logo na abertura, sinto em lhe informar, mas "Hunting High and Low" possui uma seção rítmica bastante agradável, mas não veloz, porém começa muito bem a audição. Agora sim, com "Millennium" o bicho pega, com muita velocidade, melodia e com um título bastante apropriado à época! Mudando novamente os rumos da prosa, "Mother Gaia" é quase épica, com ares de balada e bons momentos, mas seus 8:20’’ chegam a desanimar, pois a mesma não decola. É o que sempre digo, sobre aquela falta de atenção na hora da edição final de uma composição fazer toda a diferença. Enfim, nada que tire a vontade em permanecer atento em ‘Infinite’ (muitas vezes grafado – erroneamente – por aí como "Infinity").
O baile segue com "Phoenix", que mantém o foco na diversidade, apresentando como atrativos momentos mais diretos, certeiros e pesados. Afinal de contas, por mais melódico que soe, isso aqui ainda é um trabalho de Metal e deve soar como tal. Abrilhantando a banda desde 1995, o sueco Jens Johansson contou com a experiência a seu favor – que na época já esbanjava um currículo com passagens por nomes como Yngwie Malmsteen e Dio -, mostrando que foi uma adição mais do que acertada, bastando prestar atenção em diversos detalhes inseridos por ele aqui e ali. Falando em músicos experientes, o baterista alemão Jörg Michael também havia entrado em 95 e do mesmo jeito apresentava boas cartas de recomendação, como por exemplo Running Wild, Grave Digger e Axel Rudi Pell.
Mais uma vez o título faz jus à composição e "Glory of the World" tem tudo aquilo que pede a cartilha do estilo: uma levada firme em uma bateria veloz, melodia, vocais alinhados e ainda de brinde um duelo entre guitarra e teclado (certamente fazendo Jens se lembrar dos dias no Malmsteen). Abaixando um pouco o fogo e com uma entrada moderna, "A Million Light Years Away" segura o refrão forte e ainda me lembrou um pouquinho o Scorpions, em alguns momentos com uma levada quase suave e um dedilhado de fundo – mais uma amostra da variedade do tracklist de ‘Infinite’.
Como um piscar de olhos, a comitiva de encerramento logo se apresenta com a trinca de tirar o fôlego: "Freedom", que é simplesmente mais uma epítome do Metal Melódico, forte e empolgante como deve ser; a faixa título, que segue à risca esse conceito apresentando em seus estonteantes 9:22 um louvável trabalho de destaque, conduzindo o ouvinte por pomposos salões da ambição até os mais sombrios recantos, além de não ter dado brechas para os fantasmas da repetição. E por fim, temos por grand finale a curta "Celestial Dream", que deixa de lado o peso e os arranjos acelerados, para dar espaço ao violão, teclado e vocal, numa composição leve e ao mesmo tempo emocionante…
…É como diz uma de suas estrofes finais: "Freedom is awaiting / For those who take the path less traveled" (algo como: "A liberdade aguarda / Para quem segue o caminho menos percorrido").
Formação:
Timo Kotipelto (vocal)
Timo Tolkki (guitarras)
Jari Kainulainen (baixo)
Jörg Michael (bateria)
Jens Johansson (teclado)
Faixas:
01. Hunting High and Low
02. Millennium
03. Mother Gaia
04. Phoenix
05. Glory of the World
06. A Million Light Years Away
07. Freedom
08. Infinity
09. Celestial Dream.
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