Camelias Garden: Fina flor do rock progressivo italiano
Resenha - You Have a Chance - Camelias Garden
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 10 de abril de 2019
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Camelias Garden começou como projeto-solo do vocalista/tecladista/violonista/tamborinista Valerio Smordoni. Ele logo convidou o baixista/percussionista Marco Avallone e o guitarrista/violonista/ukulelista Manolo D'Antonio. Todo mundo no Camelias Garden é multi-instrumentista dos bons.

Em 2013, saiu o álbum de estreia, You Have a Chance. Como se não bastasse a proficiência instrumental do trio, chamaram convidados para tocar fagote, violino, violoncelo, flauta e percussões diversas. O resultado é riqueza instrumental, que comoverá fãs de folk prog dos anos 1970, especialmente os adoradores do fundamental Principe Di Un Giorno (1976), do Celeste. Mas, o Camelias Garden (CG) não é cópia, apenas parece conhecer bem e atua nos vetores determinados pelo PFM ou Harmonium.
Pastoral é o primeiro adjetivo que vem à cabeça para definir o suave som do CG, que, graças à diversificada instrumentação convidada, não resvala na mesmice do folk violonado nas dez faixas de You Have a Chance. Como não fazer comparações árcades em um álbum que abre com pássaros chilreando, em Some Stories? Os doces vocais em inglês e o violão dedilhado são constantes durante o álbum, mas, estão acompanhados por solos de outros instrumentos, dignos de derreter o coração. A melodia de Some Stores é reprisada como conclusão do álbum, mas, com letra distinta. O clima dessa vez chega ao quase ambient e a canção é salpicada de sons de grilos e água corrente de ravina, além de citações das faixas anteriores, de longe, como se sintonizadas num velho rádio AM.
Conforme indicam as barras no título, Dance Of The Sun/The Remark/Dance Of The Sun (Birth of the Light) é composta por seções, procedimento tão caro ao rock progressivo. Nem se trata de quilométrica suíte, são apenas seis minutos, mas que passam do folk medieval ao prog sinfônico, para finalmente retornar ao medieval dançante. Dá vontade de dançar ao redor de fogueiras de plenilúnios medievos.
Decididamente um álbum que agradará muito mais às almas gentis, o momento mais áspero está em We All Stand In Our Brokenn Jars. Fantástico solo de guitarra envigora a canção, não sem antes haver momentos de madrigais costurados entre violoncelo e outras cordas e teclas. Nesse e em outros momentos, Steve Hackett orgulhar-se-ia dos jovens ítalos.
Por falar em Genesis, Camelias Garden é cem por cento indicável para fãs do grupo inglês. O clima pastoral do início da fase Gabriel prevalece em mais de uma faixa, mas a influência do início da era Collins também se sente. Os mais de nove minutos de Mellow Days praticamente funcionam como tributo aos ingleses, sem soar como cópia. Trata-se de melancólico folk sinfônico, com mudanças de tempo e solo de guitarra de emocionar. Há momentos em que um teclado à Firth Of Fifth convive com percussão de corredeira, como emThe Cinema Show. Fãs de sinfônico provavelmente escolherão Mellow Days como ápice de You Have No Chance.
Cheio de melodias memoráveis e assobiáveis, o folk do CG vem temperado com pop em The Withered Throne; precedido por clima de hino anglicano, em ‘Till The Morning Came e dialogando com a tecnologia setentista, dos teclados Hammond, em Knight’s Vow. Se bem que esses teclados analógicos estão por todo o álbum, dando-lhe sabor bem vintage, embora com produção clarinha da modernidade. A instrumental A Safe Haven é a mais destoante do conjunto, porque vem carregada pelo piano debussyano em alguns momentos. Logo se vê, que, neste caso, desviar não é prejudicial.
O Camelias Garden evoca passeios por perfumados jardins e pode ser desfrutado no Bandcamp.
Tracklist:
1. Some Stories (3:07)
2. Dance of the Sun/The Remark/Dance of the Sun (Birth of the Light) (6:16)
3. The Withered Throne (7:22)
4. We All Stand in Our Broken Jars (5:32)
5. A Safe Haven (3:40)
6. Knight's Vow (4:00)
7. Clumsy Grace (2:45)
8. Mellow Days (9:38)
9. 'Til the Morning Came (4:54)
10. Some Stories (Reprise) (3:47)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O clássico absoluto do Metallica cuja introdução foi inspirada em uma música do Venom
Álbum do Sepultura é citado como um dos melhores discos do thrash metal em lista da Kerrang!
Metallica volta a tocar música que estava fora dos seus shows desde 2008
Os melhores álbuns de metal lançados em 1986, segundo Gastão Moreira
Causa da morte de Phil Campbell, guitarrista do Motörhead, é revelada
Fernanda Lira revela que irmã é jogadora profissional de futebol e já foi pra Seleção
Nicko McBrain destruiu camarim por ter se decepcionado com atuação de Blaze em show do Maiden
Os 10 melhores discos do thrash metal, de acordo com a Kerrang!
A música solo que Gilmour se arrependeu de escrever por causa do Pink Floyd
Nicko McBrain quis deixar o Iron Maiden nos anos 1980 por ter errado em um show
A banda de rock nacional dos anos 1980 que Lobão comparou com o Palhaço Carequinha
10 discos de heavy metal lançados de 1970 a 1993 que são essenciais, segundo o CRH
O vocalista que Tony Iommi demitiu do Black Sabbath porque ele "estava cheirando muita cocaína"
O erro de avaliação de David Gilmour sobre o "Dark Side of the Moon"
Rudy Sarzo sobre Rhoads x Van Halen: "Pessoas não sabem diferença entre opinião e fato"
A banda que Iggor Cavalera considera "mil vezes" mais importante que Beatles e Stones
5 curiosidades que ajudam a contar a história de Mingau, do Ultraje a Rigor
A banda que Wolf Hoffmann não aceita que chamem de metal: "É boa, mas me poupe"
O Julgamento do Metal Clássico: Rock Justice impressiona na estreia com "You've Been Served"
Carach Angren - O horror dentro da caixa em "Dance and Laugh Amongst the Rotten"
Animals (1977) - quando o Pink FLoyd resolveu chamar todo mundo de bicho
Moonspell - A grandiosidade do Heavy Metal e da música erudita em "Opus Diabolicum"
Resenha: "Hard-Fi" - Rosa Tattooada (2026)
Depois da ressurreição, Marilyn Manson declara vingança em novo álbum
O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Iron Maiden: Grata surpresa e despedida perfeita do gigante
Death: Responsáveis por elevar a música pesada a novo nível



