O álbum que rachou o Deep Purple: "O Jon gostou da ideia, mas o Ritchie não"
Por Gustavo Maiato
Postado em 08 de novembro de 2025
O Deep Purple viveu um dos momentos mais conturbados de sua história no final dos anos 1960, quando o grupo decidiu unir rock e música clássica em um projeto ousado: o álbum "Concerto for Group and Orchestra" (1969). Idealizada pelo tecladista Jon Lord, a experiência marcou o início da formação mais famosa da banda, com Ian Gillan nos vocais e Roger Glover no baixo - mas também causou uma forte divisão interna.
Em entrevista ao documentário Classic Albums (via Far Out), Glover explicou como o projeto dividiu opiniões: "Isso dividiu a banda. Jon gostou da ideia, mas Ritchie nunca curtiu essa coisa de orquestra."

Enquanto Lord, pianista com formação erudita, via a parceria com a London Symphony Orchestra como uma oportunidade de experimentação artística, o guitarrista Ritchie Blackmore acreditava que a iniciativa desviava o grupo de seu verdadeiro propósito: tocar rock pesado.
Gillan, que estreava como vocalista da banda, também lembrou das dificuldades nos bastidores. Em depoimento ao Behind the Music, contou que precisou escrever parte das letras poucas horas antes da apresentação.
"Estávamos no bar, e o Jon veio e disse: 'Meu caro, será que você pode arrumar um tempo antes de apresentarmos essa porcaria pra escrever as letras do terceiro movimento?'. Peguei um guardanapo e escrevi as letras algumas horas antes do show."
Apesar do clima tenso, o "Concerto for Group and Orchestra" abriu caminho para novas possibilidades musicais. O contraste entre o virtuosismo de Lord e a agressividade de Blackmore acabou moldando o som que tornaria o Deep Purple uma das maiores bandas de hard rock da década seguinte, com álbuns como "Machine Head" (1972) e "Fireball" (1971).
O próprio Blackmore só se sentiria plenamente à vontade depois de ver o impacto do Led Zeppelin, convencendo o grupo a seguir uma sonoridade mais direta e pesada. Ainda assim, o concerto sinfônico de 1969 influenciaria futuras experiências entre rock e orquestra, inspirando trabalhos como o "S&M" do Metallica e o estilo sinfônico do power metal moderno.
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