Kamelot: banda continua relevante e nos entrega mais um álbum ótimo

Resenha - Shadow Theory - Kamelot

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Nota: 9

Desde que meu interesse pelo Kamelot aguçou de verdade, eu tenho ouvido muitas coisas deles. Foi aí que eu decidi falar sobre mais discos da banda aqui no meu blog. Mas eu também fiz isso como uma preparação pessoal para que eu pudesse falar melhor sobre o novo disco deles, The Shadow Theory. Em 2016 eu falei sobre o Haven daquele jeito, com ar de marinheiro de primeira viagem, muito embora eu já tivesse conhecido o The Black Halo lá atrás. Claro, não tive a intenção de me informar mais para parecer que sou fã antigo ou coisa do tipo, isso seria hipocrisia; da mesma forma, não sei o que me levou a me interessar por eles só agora em tempos recentes.

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Enfim, a realidade é que eu estou ouvindo bastante esta banda ultimamente. A primeira vista, esse disco novo me pareceu muitíssimo com uma sequência do álbum anterior, Haven. Quando você escuta, é o que você sente, sério, até mesmo pela estilização da ilustração da capa, as cores implicam uma certa rima. Porém, uma entrevista recente que eu vi com o guitarrista Thomas Youngblood garantiu que este não é o caso, que o disco nem sequer é conceitual porque hoje em dia, em época de Spotify, não compensa mais fazer isso (coisa que eu humildemente discordo) e que a banda começou a elaborar o disco do zero. Bem, em relação a essa última, contra a palavra de quem gerou o filho, eu certamente não vou.

Porém, quando se escuta as músicas, a sensação que temos é outra. Onde eu quero chegar? Simples, se você adorou o Haven, vai adorar este aqui também! E eu realmente adorei o que eu ouvi no Haven. Mas como a banda garante que os discos não estão interligados, vou tratar esta obra como algo independente mesmo.

Após a faixa de introdução, "The Mission", o Kamelot resolveu entrar em modo-banda de power metal clássica e tacar uma acelerada logo de começo, a ótima "Phantom Divine (Shadow Empire)". Por mais clichê que isso possa parecer, eu realmente adorei a ideia, fazia um tempo que eu não via uma banda do gênero fazendo esse tipo de coisa. O Angra também não fez, então é legal ver os caras do Kamelot voltarem ao que é clássico. E a faixa em questão tem tudo do power metal clássico, batida rápida com bumbo duplo, arranjo dinâmico, épico, e uma letra futurista interessante que quando você saca a ideia, a primeira coisa que você lembra é de Ghost in the Shell.

A segunda, "RavenLight", também é um ótimo destaque e também bastante oriunda do clássico jeito de se fazer metal melódico, quando você a ouve, pensa "é a música que fatalmente viria em seguida", num disco clássico do gênero; isso sem contar a linda e poética letra, lidando com escuridão e luz como sensações em meio à solidão, e a ideia do corvo é evocada, o que muito me agrada, pois me lembra a poesia clássica de Allan Poe, um de meus escritores favoritos.

"Burns to Embrace" é outra que eu achei muito legal, ela tem uma letra bem dark, mas que ao mesmo tempo vislumbra algo maior, e a música em si é ótima, com arranjos melódicos muito cativantes, atmosfera dramática e um coral final de vozes impecável. E agora? Ah, é hora de uma baladinha! "In Twilight Hours" é uma das baladas do gênero Metal Melódico mais bonitas que eu vi recentemente; gosto da letra em tom de súplica com ar de esperança, e melodicamente ela tem aquela atmosfera épica e dramática, e ficou mais bela ainda com a participação da cantora Jennifer Haben da banda iniciante Beyond the Black (surgiram em 2015), ficou um dueto realmente muito bonito.

Outros destaques que eu acho que merecem menção são a pesada "Kevlar Skin", gosto muito dos arranjos melódicos das estrofes, e especialmente de sua letra que fala sobre alguém que necessita se abrir sobre seus problemas; também achei muito legal "MindFall Remedy", que fala sobre auto-conhecimento, e tem um trabalho de teclado e melodia que se destaca bastante aqui de Oliver Palotai, gostei muito do que ele fez aqui. Outro destaque é o gutural de Lauren Hart, a vocalista do grupo iniciante Once Human, achei que ficou bem colocado o vocal dela aqui. Curioso que o Kamelot tem flertado com o gutural faz alguns anos já, mas neste disco eles priorizaram bastante os artistas novos, surgidos faz 3 anos ou 4, a exemplo das participações aqui já citadas.

Finalmente, destaco a lenta faixa "Stories Unheard" e sua poética maravilhosa, e "The Proud and the Broken", que possui um conceito bacaninha na letra entre duas metades, alguém que se encontra ferido em seu orgulho, e o diametralmente oposto disso, mas que persiste. No fim das contas, o Kamelot não fez exatamente um disco conceitual, mas o conceito de sombras e dúvidas é um tema recorrente, e que permeia toda a obra, fazendo com que todas as faixas estejam interligadas em termos de conceito, não de narrativa; já é alguma coisa.

Vamos checar então agora o que há de interessante em termos de extras em outras versões. Na versão Digipak do disco, temos um CD extra, que nos traz versões instrumentais das faixas 2 a 5 e as faixas 7 e 12 lá do CD normal. Para quem gosta de brincar de karaokê, ou simplesmente escutar mais atentamente a execução instrumental, pode ser interessante, eu mesmo às vezes coloco "Phantom Divine (Shadow Empire)" e "RavenLight" instrumentais para treinar a voz e saio cantando no meu carro quando vou trabalhar; na mesma versão tem uma faixa bônus, "The Last Day of Sunlight", que eu achei bem bacana, tanto pela melodia soturna quanto pela letra apocalíptica; eu só acho que ela deveria ter entrado no disco, ou no máximo, deveriam ter colocado ela como faixa um, para depois entrar as versões instrumentais, porque do jeito que ficou, uma música tão legal, achei ela meio perdida lá nos confins do disco bônus. E na versão japonesa, temos a faixa instrumental "Angel of Refraction" que eu achei legalzinha, com ritmo bem quebradão, meio progressivona, e com destaques para o ótimo trabalho de Thomas Youngblood e Oliver Palotai fazendo solos muito bacanas.

Meu parecer final é que o Kamelot ainda continua relevante, e nos entrega mais um álbum ótimo, não melhor do que o seu anterior, Haven, mas mesmo assim muito bom, bem acima da média, e mesmo que o Kamelot ultimamente esteja investindo mais em junção de conceitos nas faixas ao invés de uma narrativa, percebo que a banda não perdeu em nada a qualidade que sempre a configurou como uma das grandes do Metal atual. Eu recomendo altamente este ótimo novo disco da banda, principalmente para quem já é fã, e como eu falei lá atrás, se você vem gostando muito da fase Karevik, pode ter certeza que vai amar este disco também.

The Shadow Theory (2018)
(Kamelot)

Tracklist:
01. The Mission
02. Phantom Divine (Shadow Empire)
03. RavenLight
04. Amnesiac
05. Burns to Embrace
06. In Twilight Hours
07. Kevlar Skin
08. Static
09. MindFall Remedy
10. Stories Unheard
11. Vespertine (My Crimson Bride)
12. The Proud and the Broken
13. Ministrium (Shadow Key)
Japanese bonus track:
14. Angel of Refraction (instrumental)

Bonus CD (Digipak edition):
01. Phantom Divine (Shadow Empire) (instrumental version)
02. RavenLight (instrumental version)
03. Amnesiac (instrumental version)
04. Burns to Embrace (instrumental version)
05. Kevlar Skin (instrumental version)
06. The Proud and the Broken (instrumental version)
07. The Last Day of Sunlight (bonus track)

Selos: Napalm

Banda:
Tommy Karevik: voz
Thomas Youngblood: guitarra
Sean Tibbetts: baixo
Oliver Palotai: teclados, arranjos orquestrais
Johan Nunez: bateria, percussão

Músicos convidados:
Lauren Hart: voz e gutural em 1 e 9
Jennifer Haben: voz em 6
Sascha Paeth: guitarra e teclado adicional e gutural em 12
The Kamelot Choir: Oliver Hartmann, Herbie Langhans, Cloudy Yang, Annie Berens, Nadine Ruch, Evelyn Mank, Thomas Dalton Youngblood

Discografia anterior:
- Haven (2015)
- Silverthorn (2012)
- Poetry for the Poisoned (2010)
- Ghost Opera (2007)
- The Black Halo (2005)
- Epica (2003)
- Karma (2001)
- The Fourth Legacy (1999)
- Siége Perilous (1998)
- Dominion (1997)
- Eternity (1995)

Site oficial:
http://www.kamelot.com

Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog.
http://acienciadaopiniao.blogspot.com.br


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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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