Kamelot: ótima produção, mas faltou um pouco de criatividade
Resenha - Shadow Theory - Kamelot
Por Ricardo Seelig
Postado em 11 de julho de 2019
Décimo-segundo disco do Kamelot, "The Shadow Theory" é também o terceiro a contar com o vocalista Tommy Karevik, que entrou na banda em 2012 no lugar de Roy Khan e já colocou a sua voz em "Silverthorn" (2012) e "Haven" (2015). A produção, irrepreensível e digna de nota, é mais uma vez assinada por Sasha Paeth.
"The Shadow Theory" possui a concepção de um álbum conceitual, porém não é estruturado como tal. Suas canções versam sempre sobre o futuro da sociedade em que vivemos, mas não contam uma história contínua. Musicalmente a banda segue entregando o seu power metal característico, que conta com sutis inserções orquestradas e continua soando refinado e de muito bom gosto. Karevik é o destaque, cantando muito bem e fazendo com que os fãs esqueçam cada vez mais a sombra de Khan. Ao todo temos 13 faixas, que sobem para 20 na versão deluxe.
Há uma certa acomodação da banda ao longo das faixas, e isso é bastante perceptível. A sensação é de que, apesar de muito bem feito, executado e gravado, "The Shadow Theory" poderia ter um trabalho melhor de composição, pois as faixas soam similares, em sua maioria, com o que o Kamelot já fez em seus discos recentes. As participações especiais de Lauren Hart e Jennifer Haben, respectivamente do Once Human e do Beyond the Black, são competentes mas não fazem muita diferença, já que ambas praticamente repetem os papéis que Charlotte Wessels (Delain) e Elize Ryd (Amaranthe) tiveram em nos dois últimos discos. É trocar seis por meia dúzia.
Como já disse, essa sensação é perceptível também nas composições, com a banda liderada pelo guitarrista Thomas Youngblood não entregando uma evolução ou tentando caminhos diferentes em seu novo álbum. O disco é até legal, mas soa repetitivo e cansativo, e isso acaba fazendo com que você não encontre em suas faixas a sensação de frescor de "The Black Halo" (2005) - um dos melhores álbuns de metal dos anos 2000 - e até mesmo de "Ghost Opera" (2007), quando a banda inseriu elementos góticos à sua sonoridade.
Quem é fã provavelmente irá curtir. Já para quem não conhece, recomendo dar uma fuçada no passado do Kamelot, que com certeza oferece momentos mais criativos que esse novo trabalho.
Outras resenhas de Shadow Theory - Kamelot
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