Marduk: curto e grosso, como um disco de black metal deve ser
Resenha - Viktoria - Marduk
Por Ricardo Cunha
Postado em 28 de junho de 2018
Viktoria é um disco simples. Conciso e inteligentemente executado em 33 minutos. Isso significa que, no momento em que o espancamento começa a se repetir, ele dá lugar ao seu lado mais melódico. E antes que qualquer um dos riffs mais emotivos caia em territórios desconhecidos, o caos retorna. Para este que vos escreve, um dos melhores discos do Marduk nos últimos anos. Certamente, não é o melhor álbum absoluto da banda, mas figura entre os melhores.
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Nos segundos iniciais de "Werwolf", fica clara proposta da banda em Viktoria. Deixando transparecer uma bem-vinda inspiração punk, lança mão de riffs curtos e afrontadores. Em dois minutos, "Werwolf" define o clima predominante no álbum. Narva, que, assim como 'Werwolf', tem estrutura similar, mas se distingue pelos licks de guitarra e de baixo; Viktoria vai um passo além, alternando entre a pulsação do baixo e a agressividade improvisada. Aqui, Mortuus urra como uma banshee de forma estridente e fodida; Tiger I empurra o trem para fora dos trilhos. Seu caminho vicioso e lento é como uma marcha através de uma selva densa. Todas têm padrão vocal viciante do tipo que passa a mensagens de forma mais eficaz.
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June 44", Silent Night, Equestrian Bloodlust e The Devil’s Song provocam uma espécie de transe, mas de maneiras distintas. 'Equestrian Bloodlust' é a forma mais simples: basta fixar sua atenção ao longo dos segundos e você provavelmente perceberá; 'June 44' de estrutura elementar sobressai pela diversidade vocal selvagem. De latidos e gritos em staccato para "ooo-whooo's" em forma de canto; 'The Devil’s Song' mostra variações vocais como os gritos de fundo de 'Werwolf', enquanto cria camadas espessas de melodia gorgorótica. Então, "Silent Night" fecha o álbum como um caracol em uma névoa espessa e atmosférica.
Em comparação com seu antecessor. Frontschwein se mostra para mim, como algo inchado e sem textura, enquanto Viktoria apresenta texturas e estrutura muito mais direta e ríspida. Até a arte da capa, com seu design simplista, ajuda a destacar a força de cada uma das 9 faixas do álbum. De modo geral, quando comparado ao catálogo inteiro da banda, ele fica aquém de apenas um punhado de registros. Não é o melhor deles, mas certamente está longe do pior. E, digo mais: se comparado a outras produções de black metal deste ano, Viktoria, está entre os 10 melhores do ano.
TRACKLIST:
01-Werwolf (2:03)
02-June 44 (3:50)
03-Equestrian Bloodlust (2:52)
04-Tiger I (4:13)
05-Narva (4:31)
06-The Last Fallen (4:26)
07-Viktoria (3:06)
08-The Devil's Song (3:47)
09-Silent Night (4:13)
NOTA: 9.
Referências: Angry Metal Guy
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