Bruce Dickinson: O Picasso do Metal
Resenha - Bruce Dickinson - Balls To Picasso
Por Tarcisio Lucas Hernandes Pereira
Postado em 13 de outubro de 2017
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Bruce Dickinson sempre deixou claro em entrevistas e nas mais diversas vezes em que sua opinião foi questionada ser uma mente inquieta e criativa. Além da sua (absurdamente) bem sucedida carreira com o Iron Maiden, o sujeito é empresário, palestrante, escritor...Alguém tão versátil na vida de maneira geral certamente seria versátil também no aspecto musical.
Bruce Dickinson - Mais Novidades
E toda a carreira solo de Bruce está aí para provar isso.
"Balls To Picasso" foi o segundo álbum solo do cantor. Lançado em 1994 (estou velho – lembro do lançamento perfeitamente), foi o sucessor do eclético, variado e até certo ponto controverso "Tattooed Millionaire".
Em "Balls to Picasso" vemos um Bruce ainda de certa forma longe do Metal que seria extremamente elogiado nos seus lançamentos posteriores ("Accident of Birth", " The Chemical Wedding" e "Tyranny of Souls"), mas que já representava um passo a mais nessa direção se comparado com o álbum anterior.
O que temos é na verdade um disco híbrido, um hard rock com fortes tendências metálicas ( ou talvez o contrário: um disco de metal com fortes influências de hard rock...), diversificado e surpreendente, certamente fruto do início da parceria do vocalista com o grande guitarrista Roy Z, que o acompanharia por muitos anos.
3 coisas precisam ser ditas de imediato a respeito desse lançamento: Primeiro, de fato muito pouco aqui remete ao que ele fez ou faria com o Maiden (talvez com exceção de uma ou outra guitarra dobrada aqui e ali, e do sucesso "Tears of the Dragon"...mas já chegaremos a isso, aguarde); Segundo, a parceria de Bruce com o ótimo guitarrista Roy Z merece, ate hoje, mais atenção e estudo, tamanha variedade e qualidade das composições.
E por fim, e mais importante que tudo, trata-se de um disco bom. Não, não apenas bom. Excelente.
De todos os lançamentos da carreira solo do músico, creio que aqui se encontra a expressão mais clara de tudo o que Bruce sempre quis buscar enquanto compositor: variedade, peso, melodia e diversificação. E tudo isso impresso com sua personalidade. Ouvimos cada música, e cada uma delas nos faz pensar: "Isso aqui é Bruce Dickinson, com certeza."
Como destaques, podemos colocar " Laughing in the Hiding Bush", "Hell No", com seu refrão poderoso, "Shoot all the Clows", com uma pegada totalmente hard rock e até um Rap lá pelo meio (isso mesmo), "Change of Heart", maravilhosa balada com algumas influências latinas, e a power balada "Tears of the Dragon".
"Tears of the Dragon" merece um parágrafo à parte, uma vez que se trata certamente do maior sucesso comercial de sua discografia solo, a despeito da duração relativamente longa da faixa.
Essa música de fato é aquela que mais se parece com o que o cantor desenvolveria junto ao Iron Maiden, e que em grande parte ditou o teor de seus lançamentos solo posteriores. Verdade seja dita, a despeito da música ter ficado um tanto quanto batida no decorrer dos anos, trata-se realmente de uma canção emblemática, bem escrita e acima de tudo muito bem executada.
Acredito que agora, 23 anos após o lançamento desse álbum, seja uma excelente época para revisitá-lo, longe das incertezas que na época de seu lançamento se afiguravam a respeito do destino da banda e do cantor. O futuro foi escrito, sabemos que a separação se encerrou, Bruce lançou verdadeiras obras primas em sua carreira solo bem como com o Maiden ("Brave New World" está aí para provar), o mundo não acabou na virada do milênio e a vida seguiu seu fluxo.
Se você está disposto a escutar um disco com boa música, e esta é sua única preocupação, venha para cá!
O lançamento seguinte do musico, o controverso "Skunkwworks" de 1996 ainda seguiria essa linha mais eclética por parte da banda, que seria abandonada em detrimento de uma abordagem mais pesada e estritamente metal nos álbuns posteriores. Muito mais que discutirmos quais das fases é melhor, creio que podemos, sim, desfrutar das duas.
Afinal, o que importa, em última instância, é a qualidade do som...e isso aqui temos de sobra!
Tracks:
1. "Cyclops"
2. "Hell No"
3. "Gods of War"
4. "1000 Points of Light"
5. "Laughing in the Hiding Bush"
6. "Change of Heart"
7. "Shoot All the Clowns"
8. "Fire"
9. "Sacred Cowboys"
10. "Tears of the Dragon"
Banda:
Bruce Dickinson - vocal
Roy Z - guitarra
Eddie Casillas - baixo
David Ingraham - bateria
Doug van Booven - Percussão
Dickie Fliszar - Bateria na música "Tears of the Dragon"
Comente: Qual a sua opinião sobre este álbum?
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Com quase 200 atrações, festival Louder Than Life confirma lineup para 2026
O guitarrista que Hetfield disse ter sido uma bênção conhecer: "nos inspiramos um ao outro"
Iron Maiden - A melhor música de "Brave New World", segundo o Heavy Consequence
O álbum que define o heavy metal, na opinião do vocalista do Opeth
Iron Maiden anuncia o documentário "Burning Ambition", celebrando seus 50 anos
10 músicas de rock que os próprios artistas preferem esquecer, além de um álbum inteiro
A banda que o Metallica disse nunca mais querer levar para a estrada de novo
Confira os preços dos ingressos para shows do Rush no Brasil
As 5 músicas do Guns N' Roses que melhor mostram o alcance vocal de Axl Rose
50 shows internacionais de rock e metal para ver no Brasil agora em março
10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra
O maior disco da história do punk, segundo a Rolling Stone
A cena que caratecas gaúchos viram que os fizeram querer bater muito em Sebastian Bach
Angra fará show especial em São Paulo no dia 29 de abril; Rebirth será tocado na íntegra
Show do Sepultura no Rock in Rio 1991 foi fora de série, segundo Andreas Kisser



Como Regis Tadeu ganharia o respeito de Bruce Dickinson em entrevista, segundo o próprio
Por que a voz de Bruce Dickinson irrita o jornalista Sérgio Martins, segundo ele mesmo
Bruce Dickinson sobe ao palco com o Smith/Kotzen em Londres
Bruce Dickinson cita o Sepultura e depois lista sua banda "pula-pula" favorita
Bruce Dickinson relança "Tattooed Millionaire" e "Skunkworks" em Dolby Atmos
Graham Bonnet e Bruce Dickinson aparecem juntos gravando videoclipe; confira a foto
O disco de Bruce Dickinson considerado um dos melhores de metal dos anos 90 pela Metal Hammer
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal


