Bruce Dickinson: O Picasso do Metal

Resenha - Bruce Dickinson - Balls To Picasso

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Por Tarcisio Lucas Hernandes Pereira
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Bruce Dickinson sempre deixou claro em entrevistas e nas mais diversas vezes em que sua opinião foi questionada ser uma mente inquieta e criativa. Além da sua (absurdamente) bem sucedida carreira com o Iron Maiden, o sujeito é empresário, palestrante, escritor...Alguém tão versátil na vida de maneira geral certamente seria versátil também no aspecto musical.

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E toda a carreira solo de Bruce está aí para provar isso.

"Balls To Picasso" foi o segundo álbum solo do cantor. Lançado em 1994 (estou velho – lembro do lançamento perfeitamente), foi o sucessor do eclético, variado e até certo ponto controverso “Tattooed Millionaire”.

Em “Balls to Picasso” vemos um Bruce ainda de certa forma longe do Metal que seria extremamente elogiado nos seus lançamentos posteriores (“Accident of Birth”, “ The Chemical Wedding” e “Tyranny of Souls”), mas que já representava um passo a mais nessa direção se comparado com o álbum anterior.

O que temos é na verdade um disco híbrido, um hard rock com fortes tendências metálicas ( ou talvez o contrário: um disco de metal com fortes influências de hard rock...), diversificado e surpreendente, certamente fruto do início da parceria do vocalista com o grande guitarrista Roy Z, que o acompanharia por muitos anos.

3 coisas precisam ser ditas de imediato a respeito desse lançamento: Primeiro, de fato muito pouco aqui remete ao que ele fez ou faria com o Maiden (talvez com exceção de uma ou outra guitarra dobrada aqui e ali, e do sucesso “Tears of the Dragon”...mas já chegaremos a isso, aguarde); Segundo, a parceria de Bruce com o ótimo guitarrista Roy Z merece, ate hoje, mais atenção e estudo, tamanha variedade e qualidade das composições.

E por fim, e mais importante que tudo, trata-se de um disco bom. Não, não apenas bom. Excelente.

De todos os lançamentos da carreira solo do músico, creio que aqui se encontra a expressão mais clara de tudo o que Bruce sempre quis buscar enquanto compositor: variedade, peso, melodia e diversificação. E tudo isso impresso com sua personalidade. Ouvimos cada música, e cada uma delas nos faz pensar: “Isso aqui é Bruce Dickinson, com certeza.”

Como destaques, podemos colocar “ Laughing in the Hiding Bush”, “Hell No”, com seu refrão poderoso, “Shoot all the Clows”, com uma pegada totalmente hard rock e até um Rap lá pelo meio (isso mesmo), “Change of Heart”, maravilhosa balada com algumas influências latinas, e a power balada “Tears of the Dragon”.

“Tears of the Dragon” merece um parágrafo à parte, uma vez que se trata certamente do maior sucesso comercial de sua discografia solo, a despeito da duração relativamente longa da faixa.

Essa música de fato é aquela que mais se parece com o que o cantor desenvolveria junto ao Iron Maiden, e que em grande parte ditou o teor de seus lançamentos solo posteriores. Verdade seja dita, a despeito da música ter ficado um tanto quanto batida no decorrer dos anos, trata-se realmente de uma canção emblemática, bem escrita e acima de tudo muito bem executada.

Acredito que agora, 23 anos após o lançamento desse álbum, seja uma excelente época para revisitá-lo, longe das incertezas que na época de seu lançamento se afiguravam a respeito do destino da banda e do cantor. O futuro foi escrito, sabemos que a separação se encerrou, Bruce lançou verdadeiras obras primas em sua carreira solo bem como com o Maiden (“Brave New World” está aí para provar), o mundo não acabou na virada do milênio e a vida seguiu seu fluxo.

Se você está disposto a escutar um disco com boa música, e esta é sua única preocupação, venha para cá!

O lançamento seguinte do musico, o controverso “Skunkwworks” de 1996 ainda seguiria essa linha mais eclética por parte da banda, que seria abandonada em detrimento de uma abordagem mais pesada e estritamente metal nos álbuns posteriores. Muito mais que discutirmos quais das fases é melhor, creio que podemos, sim, desfrutar das duas.

Afinal, o que importa, em última instância, é a qualidade do som...e isso aqui temos de sobra!

Tracks:
1. "Cyclops"
2. "Hell No"
3. "Gods of War"
4. "1000 Points of Light"
5. "Laughing in the Hiding Bush"
6. "Change of Heart"
7. "Shoot All the Clowns"
8. "Fire"
9. "Sacred Cowboys"
10. "Tears of the Dragon"

Banda:
Bruce Dickinson - vocal
Roy Z - guitarra
Eddie Casillas - baixo
David Ingraham - bateria
Doug van Booven - Percussão
Dickie Fliszar - Bateria na música "Tears of the Dragon"

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Post de 13 de outubro de 2017


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Sobre Tarcisio Lucas Hernandes Pereira

Tarcisio Lucas é formado em música-licenciatura pela UNICAMP. Fã de praticamente todos os subgêneros do Rock e do Metal, não dispensa também um bom Jazz ou erudito! Entre suas bandas favoritas estão: YES, Sepultura, Marillion, Mythological Cold Towers, Amorphis e Misfits.

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