Sons of Apollo: um álbum que acerta em tudo o que se propõe
Resenha - Psychotic Symphonic - Sons of Apollo
Por Rodrigo Altaf
Postado em 12 de outubro de 2017
Nota: 9 ![]()
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Em agosto desse ano, Mike Portnoy anunciou que estaria lançando sua nova banda Sons of Apollo – mais uma, entre as outras zilhões em que toca. Além desta, as bandas ativas desse senhor de cinquenta anos, até o momento, são: The Winery Dogs, Metal Allegiance, Flying Colors, e Neal Morse Band. Além disso, ele montou a turnê "Mike Portnoy´s The Shattered Fortress", em que revive clássicos de sua época no Dream Theater.
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Com uma lineup que mais parece uma constelação, dado o calibre de seus integrantes, o Sons of Apollo conta com as seguintes feras:
Teclados - Derek Sherinian (ex-Dream Theater, Black Country Communion);
Baixo - Billy Sheehan (Talas, David Lee Roth, The Winery Dogs, The Fell);
Guitarra – Ron "Bumblefoot" Thal (ex-Guns n Roses);
Bateria – Mike Portnoy (ex-Dream Theater e mais uma infinidade de bandas);
Vocais – Jeff Scott Soto (Yngwie Malmsteen, Talisman, SOTO).
A banda nasceu da amizade entre Derek e Portnoy, que se autodenominam "The Del Fulvio Brothers" e há tempos ensaiavam de montar algo juntos. Ambos produziram o disco de estreia, Psychotic Symphony, que como se esperava, vai agradar aos fãs da época dourada do Dream Theater. Como entrevistei o Derek com exclusividade para o Whiplash.net (link abaixo), recebi as faixas para me preparar, e o review foi feito em cima do material enviado pela produção dele.
Segue a descrição faixa a faixa:
"God of the Sun" inicia com sons de sítara que mudam para o teclado pesadíssimo de Derek, com uma entrada apoteótica. Composta quase que exclusivamente por Derek, é um épico de mais de onze minutos dividido em três partes, cujo refrão lembra alguma coisa do Rainbow. Ótimo cartão de visitas, que aposta na complexidade do arranjo, e com um refrão marcante.
"Coming Home" é a música do primeiro clipe, e o que mais se poderia aproximar de um single desse disco. É um heavy metal mais direto e tradicional, com um solo matador de Bumblefoot. Uma espécie de Van Halen com The Who, mas com muito peso! E se restava alguma dúvida sobre o caráter progressivo dessa banda, repare nos instrumentos usados no clipe: guitarra e baixo com braços duplos, dois teclados, e bumbo duplo. Mais exagerado, impossível.
"Signs of the Time" é a próxima música, e a primeira que foi mostrada. Inicia com um riff a la Sepultura/Korn, com um refrão fácil de ser assimilado e uma bela ponte entre os solos de teclado e guitarra. Bumblefoot brinca com o volume da guitarra em seu solo e faz escalas que lembram bastante as que faziam o falecido Allan Holdsworth (que inclusive foi grande influência de John Petrucci).
"Labyrinth" é outra faixa épica de quase dez minutos, e consiste uma colagem interessante de diversos ritmos, apostando em compassos complexos mas ainda com uma pegada hard rock. Um belo retrato da banda como um todo, já que tem grandes momentos de todos os integrantes. Segundo Mike Portnoy, foi a faixa em que todos colaboraram de maneira mais coletiva, e o resultado final transparece isso.
"Alive" vem a seguir, e é a que mais se aproxima de uma balada nesse álbum. Mas não espere nada meloso. Soto brilha no refrão ajudado pelo backing vocal de Portnoy. Derek faz um solo cheio de peso, e Bumblefoot brilha mais uma vez, com sua guitarra trilhando percursos jazzísticos. Ao ouvir, posso imaginar a galera cantando o refrão ao vivo: "Free me from this place I´m in, mother wash away my sins, ´cause I am alive...save from this bleeding heart, father show me where to start...´cause I am alive".
"Lost in Oblivion" começa com uma sirene que anuncia uma faixa frenética. É a mais rápida e mais direta do álbum, com um uníssono de guitarra baixo e teclados que remete ao prog metal mais tradicional. Curiosidade: da letra dessa música, feita por Soto, saiu o título do álbum.
"Figaro´s Whore" é bastante curta, com apenas um minuto, e funciona como uma ponte para a próxima música. Derek usa o órgão Hammond, lembrando Jon Lord do Deep Purple, e demonstra o porquê de ser conhecido como "um guitarrista que toca teclados".
"Divine Addiction" inicia-se novamente com o órgão Hammond, e volta ao hard rock que lembra bastante o Rainbow da fase Dio, e não soaria estranha em um álbum do Deep Purple. Outra faixa curta e direta ao ponto, em que a força do coletivo fala mais alto do que os talentos individuais.
"Opus Maximus", a instrumental que fecha o álbum, chegou a ser chamada por Portnoy em entrevistas de "La Villa Strangiato do novo milênio". Não acho que chegue perto do impacto que "La Villa" teve quando foi lançada nos anos 70, mas nem por isso deixa de ser uma ótima música, com solos incríveis, em particular de Billy Sheehan, que com raras exceções, está bastante discreto no disco todo. Um petardo prog, bastante complexo, em que, mais uma vez, o exagero intencional dá o tom.
É um álbum que acerta em tudo o que se propõe: tanto quando aposta na objetividade quanto em seus exageros. Lotado de solos bem construídos, refrões cativantes, tem tudo para saciar a sede daqueles que sentem falta de Portnoy e Derek no Dream Theater. Cheio de influências clássicas com uma roupagem moderna. O "efeito colateral" que imagino que essa banda venha a ter é expor Bumblefoot e Soto a um público maior. Um dos melhores lançamentos do ano, que só não leva 10 porque nenhum dos integrantes saiu de sua zona de conforto – acho que o melhor álbum dessa banda ainda está por vir.
Psychotic Symphony Track List
1 God of The Sun 00:11:11
2 Coming Home 00:04:23
3 Signs of The Time 00:07:17
4 Labyrinth 00:09:11
5 Alive 00:05:10
6 Lost In Oblivion 00:04:38
7 Figaro's Whore 00:01:00
8 Divine Addiction 00:04:48
9 Opus Maximus 00:10:37
SONS OF APOLLO ONLINE:
http://www.sonsofapollo.com
https://www.facebook.com/SonsOfApollo1/
http://www.Twitter.com/SonsOfApollo1
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