Paulo Miklos: muita brasilidade em estreia pós Titãs
Resenha - A Gente Mora no Agora - Paulo Miklos
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Sinfonia de Ideias
Postado em 30 de setembro de 2017
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
O primeiro disco após a saída dos Titãs é tão importante para o cantor Paulo Miklos que ele o considera seu primeiro álbum solo de fato, embora tenha lançado outros dois enquanto membro do grupo paulistano (Paulo Miklos em 1994 e Vou Ser Feliz e Já Volto em 2003). E a responsabilidade é grande mesmo, especialmente porque os dois outros vocalistas que saíram da banda (Arnaldo Antunes e Nando Reis) desenvolveram sólidas carreiras individuais. Poderíamos usar até Ciro Pessoa como exemplo, embora sua passagem pela banda tenha sido brevíssima.
O álbum, que recebeu o título de A Gente Mora no Agora, pede três palavras-chave: "parcerias", "brasilidade" e "superação". Nos dois primeiros casos, a explicação é óbvia: todas as 13 faixas são escritas ou coescritas por uma seleção de músicos das mais diversas gerações e vertentes, da jovem Mallu Magalhães ao septuagenário Erasmo Carlos; dos rappers Emicida e Lurdez da Luz aos também ex-Titãs Arnaldo Antunes e Nando Reis.
Buscar contribuições de gêneros tão distintos não poderia resultar em algo diferente de um lançamento de música brasileira moderna e diversificada. Mas, graças ao senso apurado de Marcus Preto, Pupillo e Apollo Nove (diretor artístico e produtores, respectivamente), o que poderia ter saído como uma coletânea caótica de peças musicalmente dessintonizadas acabou virando um álbum coeso, uma montanha russa que alça voos altos e dá mergulhos profundos sem perder o referencial.
Já a palavra "superação" vem para descrever o clima geral do trabalho. Tantas tragédias pessoais - Paulo perdeu os pais e a esposa no espaço de dois anos - somadas ao tenebroso cenário político nacional - o qual ele nunca se furtou a comentar - poderiam ter rendido uma música bem sombria. Mas é exatamente o contrário.
"A começar pela capa, eu digo que é um disco solar", declarou Paulo ao jornal baiano A Tarde. Com efeito, A Gente Mora no Agora não se deixa abater pelo lado ruim da vida. Como o título sugere, vive-se o presente. O passado é uma fonte de referência e aprendizado, não um depósito de mágoas. O futuro é uma página em branco para ser preenchida com o que a vida tiver a oferecer, não para enchermos de ansiedades. Esta é a mensagem que o cantor parece querer transmitir.
A faixa de abertura e primeiro single divulgado, "A Lei Desse Troço", faz companhia a "Todo Grande Amor", "Estou Pronto" e "Eu Vou" como os cartões de visita que melhor resumem a obra.
O lado sambista do cantor (que, convém lembrar, interpretou o lendário Adoniran Barbosa num curta) aflora em "Vigia", "Não Posso Mais" e na novosbaianística "Samba Bomba", coassinada por Tim Bernardes, d'O Terno.
Rock, em última análise, não deu sinal de vida aqui. Mas peças como a cativante "Risco Azul" (que leva a coassinatura de Pupillo e Céu) e a divertida "País Elétrico", crítica social com o "jeitão" erasmítico de seu coautor, trazem uma pegada rock que, se não nos permite rotulá-las como tal, ao menos nos lembram que Paulo fez seu nome por meio do gênero.
Outros destaques são "Afeto Manifesto", escrita em parceria com a rapper Lurdez da Luz, que entregou uma letra inteligente e tão sincera que você até esquece que não é ela quem está cantando; e "Deixar de Ser Alguém", surpreendente frevo coescrito por seu ex-colega de Titãs Arnaldo Antunes.
A radiofônica "Vou te Encontrar" (não por um acaso, escrita por Nando Reis, um dos maiores arrecadadores do ECAD) e "Princípio Ativo" são os momentos mais sonolentos do disco, a despeito de terem conquistado corações por aí.
Do time convidado para ser a base do som, destaca-se o tecladista Maurício Fleury, cujos acordes cirúrgicos colocam as notas certas nos momentos certos na melhor escola Tom Jobim de arranjos pianísticos.
Passadas algumas audições, percebe-se que Paulo conseguiu, talvez até involuntariamente, um feito: pegar a historinha do carpem diem, do "viva o agora", enfim, todo esse papo batido de como devemos aproveitar a vida enquanto podemos e fazer uma verdadeira reciclagem para ressignificar a ideia.
É perfeitamente compreensível o motivo de Paulo considerar este como o primeiro solo: os dois lançamentos anteriores soam amadores perto deste gostoso trabalho. A diferença entre Infernal e A Letra A (respectivamente, último e primeiro discos de Nando Reis antes e após sua saída dos Titãs) não é tão grande, por exemplo. Honesto, vivo, seguro, alegre... são vários os adjetivos que podemos atribuir a A Gente Mora no Agora. Mas podemos ficar com o "solar" sugerido pelo próprio artista.
Abaixo, a faixa "País Elétrico", parceria com Erasmo Carlos:
Track-list:
1. "A Lei Desse Troço"
2. "Vigia"
3. "Risco Azul"
4. "Vou te Encontrar"
5. "Todo Grande Amor"
6. "País Elétrico"
7. "Estou Pronto"
8. "Não Posso Mais"
9. "Princípio Ativo"
10. "Afeto Manifesto"
11. "Samba Bomba"
12. "Deixar de Ser Alguém"
13. "Eu Vou"
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Summer Breeze vende todos os ingressos para a edição 2027 em tempo recorde
O estilo musical que Geddy Lee considera uma aula sobre como tocar baixo
Lars Ulrich relembra como foi o primeiro encontro do Metallica com o Iron Maiden
Guitarrista diz que novo álbum do Soundgarden terá "canções de ninar psicodélicas"
A gravação inédita da Legião Urbana que ainda pode ver a luz do dia
A lendária banda de heavy metal que nunca decepcionou Scott Ian, do Anthrax
Com membros do Cannibal Corpse e Deicide, Umbilicus anuncia novo EP
Bruce Dickinson lista os vocalistas que fazem ele pensar "Jamais serei tão bom quanto eles!"
Dee Snider detona bandas que voltam sem membros clássicos após turnês de despedida
Guitarrista Tommy Thayer confirma que o Kiss gravou uma nova música
Sepultura fará show sem "Roots", "Arise" e "Ratamahatta" no Rock in Rio
As 2 bandas brasileiras que Regis Tadeu considera as mais injustiçadas do rock
A música que Mark Knopfler gravou em uma guitarra barata e diz ter feito "tudo errado"
O que João Gordo achou da Legião Urbana quando ouviu a banda pela primeira vez?
João Nogueira, do Mastodon crava veredicto sobre a discografia inteira do Sepultura
Kerrang!: os 100 melhores álbuns de Rock em lista da revista
Champignon: como morte de Chorão e críticas abalaram o baixista, segundo Tadeu Patolla
A melhor música dos Beatles, segundo o Ultimate Classic Rock


Kinetic Orbital Strike despeja treze bombas punk/crust destruidoras
Ürütaü - Trabalho de estreia, qualidade de veteranos
A Magia Ancestral do Green Lung: O Impacto Monumental de "Woodland Rites"
Resenha - Skylab VI - Cadê Meu… Álbum?
Os 50 anos de "Journey To The Centre of The Earth", de Rick Wakeman
Guns N' Roses: o último grande álbum de rock feito a mão



