Cartel da Cevada: uma bela rock opera regionalista

Resenha - Cartélico Vol. 1; Fronteira, Trago e Querência - Cartel da Cevada

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Por Victor de Andrade Lopes
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Uma campanha de financiamento coletivo depois, e o Cartel da Cevada - mais um filho da usina de bandas de rock que o Rio Grande do Sul se revelou nas décadas recentes - deu à luz seu segundo disco de estúdio, Cartélico Vol. 1: Fronteira, Trago e Querência. Com a obra, conseguiram o que muitas bandas novas de rock nacional tentam, mas fracassam miseravelmente: fazer rock and roll em português sobre cerveja, churrasco e mulher sem ficar forçado.

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Em forma de rock opera, o lançamento aborda a história de um gaúcho em sua jornada do interior do mais meridional dos estados brasileiros para a sua capital Porto Alegre. As aventuras rendem faixas sobre assuntos banais como churrasco ("O Assador") e cerveja ("Enquanto a Ceva Não Gela"); poemas pornográficos com requintes de escatologia ("O Ginete do 4º Distrito"); impressões sobre a capital ("Porto Alegre Pelamor") e até um bate-papo com um extraterrestre vem parar no meio da história ("Bacontato").

Para dar voz aos personagens, além do próprio vocalista Igor Assunção, que lembra de longe o finado Chris Cornell, um grande time de convidados especiais foi chamado: Cristiano Wortmann (Hangar/ZeroDoze), Carlos Carneiro (Bidê ou Balde/Império da Lã), Jacques Maciel (Rosa Tattooada), Iuri Sanson (Hibria), entre outros.

No campo instrumental, o rendimento foi farto. "A Barbada" e "Minuano" abrem com riffs iommíticos. "Porto Alegre Pelamor" nos leva a uma deliciosa viagem instrumental tecladística com aromas de Deep Purple. "Vermelho na Prata" entrega um dos melhores solos do álbum numa base à la Megadeth. E será que o acordeão em "O Assador", na abertura "Fronteira", no encerramento "Timbuka e Querência" e nos interlúdios nos permitem atribuir-lhes o rótulo de folk rock? Tal instrumento, junto com as letras, deu o mais óbvio toque de regionalismo ao trabalho, que é no geral bem puxado para a cultura gaúcha.

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E foi assim, com letras bem elaboradas e uma instrumentação de primeira, que o Cartel da Cevada construiu um disco de "música séria" com temas leves. É o Rio Grande do Sul mais uma vez dando uma aula de rock independente.

Segundo seu site oficial, a banda queria "fazer um disco ao mesmo tempo inovador e audacioso no cenário musical gaúcho e brasileiro". Conseguiram. O lançamento pode ser baixado por apenas R$ 15 no site, embora essa versão lamentavelmente omita a introdução e os três interlúdios, em que regionalismo aflora como nunca. Vamos apoiar o rock nacional de qualidade?

Abaixo, o vídeo da faixa "Enquanto a Ceva Não Gela".

Track-list:
1. "Fronteira"
2. "A Barbada"
3. "Incumbência"
4. "O Assador"
5. "Enquanto a Ceva Não Gela"
6. "Porto Alegre Pelamor"
7. "Lembranças de Melancia"
8. "Bacontato"
9. "O Ginete do 4º Distrito"
10. "Vermelho na Prata"
11. "Minuano"
12. "A Barganha"
13. "A Razão, a Maldade e a Visão"
14. "Timbuka e Querência"

Fonte: Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/carteldacevada




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Sobre Victor de Andrade Lopes

Victor de Andrade Lopes é jornalista (Mtb 77507/SP) formado pela PUC-SP com extensões em Introdução à História da Música e Arte Como Interpretação do Brasil, ambas pela FESPSP, e estudante de Sistemas para Internet na FATEC de Carapicuíba, onde mora. É também membro do Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil e responsável pelo blog Sinfonia de Ideias. Apaixonado por livros, ciências, cultura pop, games, viagens, ufologia, e, é claro, música: rock, metal, pop, dance, folk, erudito e todos os derivados e misturas. Toca piano e teclado nas horas livres.

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