Cadillac Cassino: Uma luz no fim do túnel do Rock Nacional

Resenha - Horizonte de Eventos - Cadillac Cassino

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Por Paulo Henrique de Assis Faria
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Imagine uma banda autoral que possui influências de grandes nomes do Rock dos anos 70 e 80. Que se baseia em teorias cosmológicas e física quântica. Mas que não deixa de lado a boa e velha fórmula de contestação social. Pois bem, esse grupo existe e, seu nome é Cadillac Cassino, power trio goiano que acabou de lançar seu primeiro CD, intitulado “Horizonte de Eventos”. Na guitarra e voz temos Paulo Rorato; no baixo Eduardo Diniz e na bateria Heitor Morgado. O debut deles foi lançado no último dia 27 de janeiro e já conta com um bom número de fãs em Goiânia. O single consegue ainda ser tocado em uma rádio local. Em tempos em que o novo Rock já não tem muito espaço nas estações radiofônicas, pode-se considerar isto um feito. Vamos à resenha!

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E já começam com tudo, com a crítica “Semifinais”. A Intro com harmônicos de teclado e rajadas de metralhadora. A letra detona a alienação que as grandes mídias – como a TV Globo – exercem sobre a opinião pública. Com direito ao “Plim Plim” e tudo. As pessoas estão mais preocupadas em assistir aos jogos decisivos dos campeonatos de futebol, do que se informar sobre os reais problemas no país e no mundo. Guerras civis como a da Síria são postas para o escanteio. O instrumental é bem construído. Baixo e bateria marcados. Belo solo de guitarra com tapping no final. Paulo Rorato manda bem no posto de guitarrista e vocalista também. Belo início.

A segunda é a cadenciada “Fim da Arte”. A parte lírica é coberta de significados. Fala da subjugação de se seguir a carreira e/ou função artística. De seguir a rotina de um trabalho desgastante, mas sem deixar de fazer o que se gosta. Sem deixar a arte morrer. O instrumental tem uma levada mais tranquila com dedilhados de guitarra, mas é alternado com viradas rápidas e pedais duplos na bateria de Heitor; além de acompanhamento bem sincronizado do baixo de Eduardo.

Na sequência temos “Suspensão”. Que fala sobre a persistência de se alcançar nossos sonhos. Trilhar esse caminho, sem se importar com o que os outros vão achar. Solo de guitarra cheio de feeling no início. A “cozinha” mais uma vez ganha destaque aqui. A influência de ENGENHEIROS DO HAWAII fica bem clara nesta. Paulo Rorato tem um timbre e impostação semelhantes ao do competente e famoso HUMBERTO GESSINGER.

A track número quatro é a homônima “Horizonte de Eventos”. Com uma letra positiva, nos passa a mensagem de sempre ir ao encontro de quem amamos. Não deixar o amor da nossa vida ir embora. Uma sucessão de acontecimentos que só importam para que está envolvido na história de uma paixão. O feeling dos três integrantes fica bem aparente. Boa linha vocal e interessantes backing vocals. O single está bem representado.

A número cinco é a tranquila “Em Canções”. Presença forte de arranjos e acordes de violão. Mais uma vez bom trabalho da voz principal com a secundária. Pop Rock de qualidade. Segue temática parecida à anterior. Pondera a importância de se olhar para o futuro e fazer a diferença na vida das pessoas, que se relacionam consigo de alguma maneira. Temáticas de canções. Metalinguagem?

A faixa seguinte é a empolgante “Pôster”. Que fala da relação ingrata que muitos tratam seus amigos. Não apoiam na aspiração e depois querem vir atrás, quando se alcançou o sucesso. Esse conflito de interesses é bem recorrente, diga-se de passagem. O instrumental é mais pesado, com algumas nuances em Hard Rock. Destaque para as variações rítmicas de todos e o solo técnico de guitarra no final. É como se o ENGENHEIROS DO HAWAII tivesse lançado música nova.

A sétima é a ácida “Plágio”. A letra fala mal das pessoas que adoram repetir os erros de terceiros que estão em voga. As pessoas não se importam mais com os sentimentos alheios. Não se preocupam em trilhar seu próprio caminho. A originalidade não é mais almejada. A bateria tem uma levada marcante, sobretudo ao casar as batidas do bumbo com o baixo. Uma das melhores de todo o registro.

Logo em seguida vem a bem elabora e progressiva “Queda Mais Alta”. Ela possui variações de andamentos. Alterna momentos mais pesados com outros mais amenos. Baixo e baterias bem trabalhados e belas linhas de guitarra. O riff com harmônicas é o destaque. O vocal é afinado e altivo no final das frases. A questão lírica abrange temática filosófica. Fala dos percalços passados. Da vergonha que alguns têm de mostrar sua verdadeira personalidade. Ser autêntico é para poucos, pois. E estas atitudes farão de nós verdadeiros escravos da mediocridade da rotina.

A nove é a mais pesada “A Caça”. Com uma pegada mais enérgica e, um “q” de Hard Rock, esta canção aborda o difícil mundo da prostituição feminina. Muitas jovens, por falta de oportunidades na educação e/ou profissional, acabam seguindo o tortuoso caminho de vender seus próprios corpos para o prazer alheio. O refrão é marcante e pontual. Solos de guitarra que juntam técnica e feeling. Linha de baixo bem presente e o maior destaque de todos, a bateria. Heitor faz belas e rápidas viradas. Pedal duplo mais uma vez ganha enfoque. Muito boa!

E o peso musical continua com a décima “Murro de Roceiro”. Que nada mais é que um manifesto contra aos comportamentos supérfluos que várias pessoas usam e abusam. A persistência no erro. O “murro em ponta de faca”. O Hard Rock novamente é perceptível. Tem espaço até para algumas quebradas rítmicas ao final. Boa música.

A faixa 11 é a ótima “Revés da Direita”. Outra influência dos caras fica aparente. DREAM THEATER na jogada. Isso mesmo, essa tem caráter bem Prog Metal. Alternâncias de ritmo. Peso instrumental. Nessa, a virtuose de cada um dos membros é exposta. Heitor manda ver nas quebradas da bateria. Eduardo arrisca uns tappings swingados e, Paulo mostra a sua melhor forma como guitarrista. Destaque para a parte final, que apresenta um interessante duelo de solos entre baixo e guitarra. A letra tem profundidade. Conota a frieza com que se encara a vida atualmente. A desigualdade social já não choca mais. As crianças e adolescentes acabam no mundo do crime, por falta de educação e amparo necessário do Estado. Pouco mais de cinco minutos de muita qualidade sonora. Certamente a melhor de todo o álbum!

A seguinte é “A Última Canção”. O instrumental é mais contido nesta. A letra possui boas abstrações. Instiga a prestarmos mais atenção na beleza que a natureza e os pequenos detalhes da nossa vida nos proporciona. Uma ode ao sentimento. Afinal, toda hora é hora pra se amar e contemplar a vida.

Abrindo as faixas bônus do disco, temos a rápida e precisa “Anjos e Demônios”. Os instrumentos cumprem novamente um bom papel aqui. Mas as letras são o destaque maior. Diz que nascemos inocentes, mas que com o passar dos anos vamos adquirindo malícias e malandragens. Gostei!

A 14ª e penúltima é a versão estendida de “Horizontes de Eventos”. Ela tem pouca diferença da primeira. Apenas solos maiores e alguns arranjos adicionais.

A quinze e derradeira canção, também se trata de uma releitura de uma faixa anterior. Dessa vez é “Em Canções”. Também pouca diferença do original, com exceção da participação especial de Maria Clara P. Rorato, parente do vocalista. Bom desfecho.

“Horizonte de Eventos” é um belo registro de estreia da boa banda Cadillac Cassino. Em tempos de pouca inspiração – de conteúdos líricos e sonoros – das bandas que surgem no nosso rock, o trio se sobressai com folgas. Eles resgataram parte do rock setentista do PINK FLOYD, LED ZEPPELIN e DEEP PURPLE; a efervescência do rock brasileiro oitentista com ENGENHEIROS DO HAWAII; além do peso e construção complexa do DREAM THEATER. No Centro-Oeste brasileiro, surge uma nova e promissora banda.

Membros:
Paulo Rorato – Vocais e Guitarra
Eduardo Diniz – Baixo
Heitor Morgado – Bateria

Página oficial no Facebook:
https://www.facebook.com/cadillaccassino/?fref=ts

As músicas estão disponíveis no Spotify:
https://play.spotify.com/album/0DxeLmCrTQT1cMuLNhr47k

Horizonte de Eventos – Cadillac Cassino (2017, Independente – Goiânia, Brasil)
01 – Semifinais
02 – Fim da Arte
03 – Suspensão
04 – Horizonte de Eventos
05 – Em Canções
06 – Pôster
07 – Plágio
08 – Queda Mais Alta
09 – A Caça
10 – Murro de Roceiro
11 – Revés da Direita
12 – A Última Canção
Faixas Bônus
13 – Anjos e Demônios
14 – Horizonte de Eventos (Versão estendida)
15 – Em Canções (Part. Esp. Maria Clara P. Rorato)

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Sobre Paulo Henrique de Assis Faria

Paulo Henrique tem 27 anos, é jornalista e mora em Goiânia. Suas especialidades são o jornalismo cultural, sobretudo o jornalismo de rock. Já fez parte do programa de televisão ¨Tribos do Rock¨. Fã assíduo de rock é vocalista de duas bandas goianienses, a Opus Hominis (Power Metal) e Black Griffin (Hard Rock e Heavy Metal).

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