Slayer: os 30 anos de Reign In Blood, vanguarda do metal extremo

Resenha - Reign In Blood - Slayer

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Por Igor Miranda
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O Slayer é uma banda cercada de admiradores fanáticos por seu som. É comum ler textos sobre o grupo ou seus discos escritos por fãs, mas, geralmente, quem não gosta de seu som um pouco mais extremo que o normal, não se arrisca a falar sobre o assunto. Terreno pantanoso para quem não adora seus trabalhos.

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A minha tentativa ao falar de "Reign In Blood" é um pouco arriscada, porque não sou fã de Slayer, tampouco tenho este disco em minha playlist. Ainda assim, é loucura deixar de reconhecer o quanto essa banda foi importante para o thrash metal e, posteriormente, para o desenvolvimento de estilos mais extremos.

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Formado em 1981, o Slayer demorou, praticamente, cinco anos para chegar ao estrelato. Dois discos haviam sido lançados neste meio tempo: "Show No Mercy" (1983) e "Hell Awaits" (1985). O grupo conseguiu reconhecimento no underground, mas não havia explodido como os colegas do Metallica.

Também pudera: o som do Slayer era, de fato, um pouco mais intenso. Enquanto as letras basicamente falavam de inferno e Satã, as melodias eram pesadas, trilhavam caminhos irregulares em termos de harmonia e contavam com performances enérgicas de Tom Araya nos vocais - especialmente por seus gritos, às vezes inusitados.

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Em "Reign In Blood", o som sujo e charmosamente tosco do Slayer começou a ganhar algum refinamento, ainda que a essência tivesse sido bem preservada. A parceria com o produtor Rick Rubin, anteriormente consagrado por trabalhos de hip hop, fez bem à banda. Muitas vezes, um olhar externo pode proporcionar alguma evolução.

A principal visão de Rick Rubin com relação ao Slayer foi a qualidade do som. Os instrumentos precisavam soar mais limpos - sem perder o peso, é claro. Em "Reign In Blood", dava para ouvir cada nuance.

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O grupo também apostou em músicas mais curtas - "Reign In Blood" tem menos de 30 minutos de duração - e diretas. Quase punk. Somente a faixa de abertura "Angel Of Death", "Postmortem" e o encerramento "Raining Blood" têm mais de 3 minutos de duração - o restante não passa de 2min50seg. As letras também melhoraram. Ganharam, em definitivo, um tom menos adolescente.

O resultado foi satisfatório. Ainda que não caia em meu gosto, não dá para ignorar a ousadia de "Reign In Blood". É um disco bem feito para o que se é proposto. O Slayer nunca foi conhecido pelo primor técnico, apesar de Dave Lombardo ser uma referência na bateria. Dentro do que era almejado, estava ótimo.

Com melhor produção e distribuição, o reconhecimento, enfim, chegou. "Reign In Blood" foi o primeiro álbum do Slayer a fazer sucesso. Chegou ao top 100 de discos da Billboard, nos Estados Unidos, e ao top 50 do Reino Unido. Com o tempo, atingiu a marca de 500 mil cópias vendidas nos EUA e obteve disco de ouro.

No entanto, o maior trunfo de "Reign In Blood" tem a ver com legado e não com sucesso comercial. O terceiro álbum do Slayer influenciou fortemente o desenvolvimento do death e black metal, ainda que os estilos já existissem em 1986. Além disso, outros subgêneros têm um pouco de "Reign In Blood", do new metal ao, pasmem, gothic metal.

No futuro, o Slayer faria discos que encaixam melhor em meu gosto, como o mais técnico "Seasons In The Abyss" ou até mesmo o recente "Repentless". No entanto, "Reign In Blood" tem um som vanguardista repleto de méritos.

Tom Araya (vocal, baixo)
Jeff Hanneman (guitarra)
Kerry King (guitarra)
Dave Lombardo (bateria)

1. Angel of Death
2. Piece By Piece
3. Necrophobic
4. Altar of Sacrifice
5. Jesus Saves
6. Criminally Insane
7. Reborn
8. Epidemic
9. Postmortem
10. Raining Blood

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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e apaixonado por rock há mais de uma década. Começou a escrever sobre música em 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Atualmente, é redator-chefe da área editorial do site Cifras e mantém um site próprio (www.IgorMiranda.com.br). Também co-fundou o site Van do Halen, para o qual trabalhou até 2013.

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