Slayer: 28 anos depois e ainda chovendo sangue
Resenha - Reign In Blood - Slayer
Por David Torres
Postado em 11 de outubro de 2014
Lançado no dia 7 de outubro de 1986 pelo selo da Def Jam Recordings, "Reig In Blood" não é apenas o terceiro álbum de estúdio dos Thrashers norte-americanos do Slayer, como também um dos trabalhos mais importantes do Metal mundial. Nesse ano, essa obra prima do Metal extremo mundial completa o seu aniversário de 28 anos. Após terem lançados dois excelentes trabalhos de estúdio, sendo eles "Show No Mercy" (1983) e "Hell Awaits" (1985), além do ótimo EP "Haunting the Chapel" (1984), o quarteto californiano lança o seu registro mais conhecido e mais influente, apresentando uma sonoridade extremamente veloz, crua e violentíssima. O disco foi produzido pelo produtor Rick Rubin (que já trabalhou com bandas como AC/DC, Danzig e Red Hot Chili Peppers). Ironicamente, Rubin era muito conhecido por produzir artistas de Hip Hop e ainda que não tivesse qualquer experiência com bandas de Metal a aquela altura, Rubin conseguiu deixar o som da banda incrivelmente polido, direto e sem frescuras.
Os "riffs" afiados de Jeff Hanneman e Kerry King abrem caminho para um grito agudíssimo do "frontmen" Tom Araya, introduzindo assim a clássica faixa de abertura do álbum, "Angel of Death". Em "Reign In Blood", a banda abandonou a temática satânica dos trabalhos anteriores e investiu em letras que abordam antirreligião, assassinatos, insanidade e a morte. Isso pode ser conferido na primeira composição, que retrata as terríveis experiências conduzidas por Josef Mengele no campo de concentração de Auschwitz. Mengele era conhecido como o ‘’Anjo da Morte’’ e é daí que vem o nome da música. Com uma letra tão obscura, a canção não poderia deixar de contar com um trabalho instrumental frenético, repleto de viradas insanas de andamento e solos de guitarra gritantes. É um dos "singles" gravados para esse trabalho e uma tremenda forma de abrir esse grande trabalho. A veloz "Piece By Piece" vem longo em seguida e abre de forma ponderada e, rapidamente, se transforma em uma sinfonia de caos conduzida pelo quarteto, contando com "riffs" pesadíssimos e levadas brutais de bateria, cortesia do formidável Dave Lombardo.
A terceira faixa do disco é a curtíssima "Necrophobic", que espanca ainda mais os nossos ouvidos com seu ritmo turbulento, guitarras realmente matadoras e "cozinha" de bateria e baixo devastadora. Por sua vez, a "dobradinha" "Altar of Sacrifice" e "Jesus Saves" são um show a parte. O quarteto jamais perde o fôlego e esbanja ainda mais selvageria nessas duas faixas brilhantes. Mudanças de andamento muito bem conduzidas, peso devastador, velocidade absurda e vocais maravilhosamente raivosos podem ser conferidos aqui. "Criminally Insane" também é um dos "singles" desse terceiro registro de estúdio e novamente temos uma composição que faz jus ao seu nome, pois o que ouve aqui é extremamente insano: vocais furiosos, "riffs" sujos e perfeitamente viscerais e uma "cozinha" sempre perfeita. Simplesmente fenomenal! Em seguida, estão as igualmente impetuosas "Epidemic" e "Reborn". À medida que o disco avança o ouvinte provavelmente deve estar extasiado se perguntando como uma banda consegue emendar uma pancada certeira após a outra sem diluir a qualidade do que fazem. É realmente impressionante e não é um trabalho para qualquer músico. "Riffs" e mais "riffs" portentosos ensandecidos destroçam o nosso tímpanos.
A penúltima faixa é a sensacional "Postmortem", novamente um dos "singles" do álbum. Seu "riff" principal é matador ao extremo e não há como ficar indiferente a um som como esse. Ainda que seja mais cadenciada, se você pensa que isso pode prejudicar a qualidade da obra em algum momento, nem pense nisso, pois é uma faixa magnífica e igualmente pesada e apocalíptica, mantendo a atmosfera que o álbum exala intacta. É hora do "gran finale". Uma chuva torrencial, acompanhada de sons sinistro ecoa dos alto falantes. Em questão de segundos, um dos maiores "riffs" do Metal mundial surge, abrindo assim a histórica "Raining Blood". Pesadíssima, doentia, genial, assassina. Tudo isso é pouco para definir o que esse hino é. Tudo nela é simplesmente brilhante e casa perfeitamente com a proposta desse trabalho. Com mais sede de sangue do que nunca, os quatro integrantes entregam uma verdadeira sucessão de "riffs" e solos aniquiladores e encerram essa legítima obra prima da melhor forma possível.
Macabro e violento desde a sua genial arte de capa, concebida pelo artista Larry Carroll (que também desenvolveu as ilustrações para os álbuns "South of Heaven", "Seasons in the Abyss" e "Christ Illusion"), "Reign In Blood" é, sem sombra de dúvidas, muito mais do que apenas um grande álbum de Thrash Metal oitentista. Nesse terceiro álbum, temos uma banda que alcançou o seu ápice e lançou a sua obra-prima definitiva. O Slayer realizou diversos trabalhos de qualidade em sua carreira, entretanto, é indiscutível que esse é o seu disco mais importante. Sua sonoridade inigualável inspirou brutalmente toda a cena do Metal extremo, culminando no surgimento de gêneros como o Death e o Black Metal e ainda hoje, 28 anos após o seu lançamento, continua a inspirar uma grande legião de músicos e artistas ao redor do mundo. Parece que essa "chuva de sangue" não vai terminar tão cedo e sinceramente, seria muito bom se nunca terminasse...
01. Angel of Death
02. Piece by Piece
03. Necrophobic
04. Altar of Sacrifice
05. Jesus Saves
06. Criminally Insane
08. Epidemic
07. Reborn
09. Postmortem
10. Raining Blood
Tom Araya (Vocal / Baixo)
Kerry King (Guitarra)
Jeff Hanneman (Guitarra) (R.I.P. 2013)
Dave Lombardo (Bateria)
Outras resenhas de Reign In Blood - Slayer
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