O solo de baixo heavy metal que, para Flea, é um grande momento da história do rock
Por Bruce William
Postado em 09 de dezembro de 2025
Flea sempre descreve música como uma experiência física, daquelas que te pegam de surpresa e reorganizam o cérebro antes mesmo de você pensar no rótulo. E quando ele fala do Metallica, o ponto não é só o tamanho da banda ou o peso do som. O foco vai direto para um lugar muito específico: o baixo como protagonista de um momento que ele considera grande demais para virar nota de rodapé.
Essa lembrança apareceu em um especial da Rolling Stone que celebrou a história do rock reunindo músicos e gente da indústria para apontar os artistas mais influentes do gênero. O material saiu em duas edições entre 2004 e 2005 e foi nesse contexto que Flea puxou uma memória pessoal e usou o Metallica como exemplo de impacto que nasce fora da cartilha do mainstream.
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A cena que ele descreve é quase cinematográfica. Em 1984, em turnê com sua banda, no meio dos Estados Unidos, por volta de três ou quatro da manhã, todos espremidos na van, com chuva e cansaço acumulado, uma música tocou no rádio: "Eu não conseguia acreditar que aquilo existia. Minha cabeça estava sendo explodida por essa violência bonita que era diferente de tudo o que eu já tinha ouvido."
Flea contou que aquilo era diferente do que existia até então: "Não era punk rock. Não era heavy metal. Era preciso, explosivo e pesado, agressivo e intenso, com mudanças rítmicas bem selvagens e bizarras" E aí veio a identificação: a faixa era "Fight Fire With Fire", e ali a cabeça dele se abriu para a força do Metallica.
Só que a parte mais saborosa do relato vem quando ele entra na era Cliff Burton. Flea brinca com a rota nada óbvia da banda e ironiza a ideia de que um grupo que debutou com "Kill 'Em All" estivesse pensando em estourar no Top 40, ou que um "hit single" pudesse ser um solo de baixo de cinco minutos. A piada serve para preparar o ponto central dele: "(Anesthesia) Pulling Teeth" não é um capricho esquisito dentro do disco: "Essa música é um dos grandes momentos da história do rock para o baixo elétrico."
Na visão do Flea, esse solo é um dos grandes marcos do instrumento, e tudo o que Burton fazia tinha uma mistura de alma, psicodelia e pancada que ainda ecoa na música do Metallica. Ele diz que não consegue ouvir um disco da banda sem pensar no baixista e no presente que ele deixou ali. E é justamente por isso que essa lembrança funciona tão bem como nota: não é só idolatria de fã. É um músico gigante dizendo, com todas as letras, que um solo de baixo em pleno thrash metal abriu uma porta histórica - e que Cliff Burton tem um lugar de destaque nessa história.
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