Eric Clapton: "I Still Do" mostra que Clapton ainda tem o blues
Resenha - I Still Do - Eric Clapton
Por André Espínola
Postado em 06 de junho de 2016
São poucos os que, mesmo dentre os mais notáveis, possui a história e a carreira como a de Eric Clapton. Ele podia ter entrado para a história apenas como um dos que levaram de volta o blues para o grande público branco e de classe média dos Estados Unidos, mas não; poderia ser reverenciado como um grande cantor de blues apenas pelos aficionados do gênero, mas também não; Clapton poderia ser apenas o 'deus da guitarra' para os mais classicistas do rock, mas também não seria o bastante; por fim, ele poderia ser apenas um grande expoente da música pop, mais um que venderia milhões e milhões de discos e tocaria diariamente nas rádios, mas quantidade não corresponde à qualidade. Se não bastaria ser apenas um desses, que tal ser tudo isso? Bem, eis Eric Clapton. Aí você pergunta, é o bastante? Seria para qualquer um, mas Clapton acha que não e seu novo disco, o seu vigésimo terceiro, I Still Do, é declaração de amor à música, à música que ele ama. No decorrer de 12 músicas, Clapton nos entrega duas faixas inéditas e o restante são regravações de músicas de artistas que ele admira, transitando um pouco por cada estilo que o consagrou, blues, rock e até mesmo um pouco de reagge. Para I Still Do, Clapton se reuniu novamente com o mesmo produtor do seu grande álbum Slowhand, Glyn Johns.
I Still Do circula ao redor de três eixos gravitacionais, cada qual com seus destaques e representando algumas facetas importantes na carreira de Eric Clapton: o primeiro desses eixos centrais é, e não poderia deixar de ser, o blues. Através de ótimas escolhas de covers, mais uma vez Clapton utiliza seu espaço e seu talento para mais uma declaração ao gênero musical que transformou sua vida. A faixa de abertura é a ótima 'Alabama Woman Blues', de Lorey Carr, com ótimos solos de guitarra e teclado. Com certeza Clapton não deixaria de fora um de seus grandes ídolos do blues; Robert Johnson está presente na faixa 'Stones In My Passway'. A surpresa aqui fica com um artista pouco tocado por Eric Clapton, ou seja, Skip James. Clapton fez uma incrível versão da faixa 'Cypress Grove', dando um toque mais especial ao disco. O outro eixo central são as duas músicas inéditas, compostas pelo próprio guitarrista britânico. A primeira delas é a ótima 'Spiral', bastante nostálgica e na qual Clapton reafirma seu desejo de continuar tocando e criando música. 'You don't know how much this means / To have this music in me / I just keep playing these blues / Hoping that I don't lose'. O trabalho de guitarra que Clapton desenvolve na faixa sem dúvida se sobressai diante de praticamente todo o álbum. A segunda é a romântica 'Catch The Blues', num ritmo quase samba, com solos de guitarra deslizando pela música.
O terceiro centro gravitacional é tributo a artistas que Clapton admira bastante e de músicas tradicionais do mundo pop que de alguma forma o marcaram. Dentre eles estão J.J. Cale (para o qual Eric Clapton já dedicou um disco inteiro, em 2014), com 'Can't Let You Do It' e a maravilhosa 'Somebody's Knockin'', que abre o show comemorativo Slowhand At 70 – Live At The Royal Albert Hall, gravado em 2015, e Bob Dylan, com a versão de 'I Dreamed I Saw St. Augustine'. O disco ainda guarda alguns belos atos, como o momento reagge, que fica a cargo do misterioso dueto 'I Will Be There' (ninguém sabe quem canta na faixa, junto com Clapton). As teorias da conspiração já começaram, e conjecturaram que poderia ser ou uma gravação perdida dos arquivos de George Harrison ou até mesmo o filho de Harrison, já que o vocal está creditado para Angelo Mysterioso, parecido com o nome que Harrison assinava colaborações escondidas com outros artistas (L'Angelo Mysterioso). 'Little Man, You've Had a Busy Day', uma desolada balada no violão para se ouvir de olhos fechados depois de um dia bastante difícil. 'Come along there soldier, and put away your gun / The war is over for tonight'. Também tem lugar para um gospel tradicional em 'I'll Be Alright'. Por fim, Clapton finaliza com 'I'll Be Seeing You', que foi popularizada por Billie Holiday.
O diferencial de um álbum novo de um artista já consagrado é que ele não compõe pressionado, não tem nada mais a provar a ninguém, o que torna o álbum despretensioso e, de certa forma, revelador de um lado mais pessoal e humano do artista. É algo que acontece com vários desses deuses do rock, como Paul McCartney e Bob Dylan mais recentemente. Não nos compete comparar com os clássicos feitos do passado, apenas desfrutar de mais alguns momentos musicais agradáveis com um gênio da música, algo quase em extinção. I Still Do é um álbum leve e que mostra que Clapton ainda tem o blues. Sugere-se que este pode ser o último disco de sua carreira, de acordo com uma nota que o próprio escreveu; nesse caso, seria uma delicada, singela e suave despedida.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden anuncia reta final da "Run for Your Lives" e confirma que não fará shows em 2027
Download Festival anuncia novas atrações e divisão de dias para a edição 2026
Mikael Åkerfeldt (Opeth) não conseguiria nem ser amigo de quem gosta de Offspring
João Gordo explica o trabalho do Solidariedade Vegan: "Fazemos o que os cristãos deveriam fazer"
A maior dificuldade de Edu Ardanuy ao tocar Angra e Shaman na homenagem a Andre Matos
Loudwire lista 45 nomes que mereciam uma vaga no Rock and Roll Hall of Fame
Nenhuma música ruim em toda vida? O elogio que Bob Dylan não costuma fazer por aí
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
Sepultura lança "The Place", primeira balada da carreira, com presença de vocal limpo
Como o Queen se virou nos trinta e ganhou o jogo que o AC/DC sequer tentaria, admite Angus
Bruce Dickinson, do Iron Maiden, já desceu a mamona do Rock and Roll Hall of Fame
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
Como a banda mais odiada do rock nacional literalmente salvou a MTV Brasil da falência
"Burning Ambition", a música que dá título ao documentário de 50 anos do Iron Maiden
Nicko McBrain celebra indicação do Iron Maiden ao Rock and Roll Hall of Fame



As músicas dos Beatles que Eric Clapton não suportava ouvir
O guitarrista que Angus Young acha superestimado; "nunca entendi a babação"
O guitarrista que BB King disse ser melhor que Hendrix; "toca melhor do que qualquer um"
A banda que Eric Clapton colocou acima do Cream; "nós éramos bem limitados no palco"
O guitarrista que Clapton chamou de "um dos mais importantes da história do rock"
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal


