Eric Clapton: Ótima música para ouvidos exigentes

Resenha - I Still Do - Eric Clapton

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Nota: 9

Eu sou um Claptonmaníaco; Eric Clapton todo ano está no meu play. Conheço o distinto bluesman a pouco mais de duas décadas, e venho seguindo sua carreira desde então. É um dos meus compositores favoritos, e todas as vezes eu gosto de conferir o que ele lançou de novo. Em seu novo lançamento, I Still Do, de 20 de Maio de 2016, o nosso querido slowhand mostra que ainda cultiva a velha chama do blues e nos brinda com sua inconfundível música.

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I Still Do ainda é tudo aquilo que você espera de um lançamento solo de Eric Clapton; o disco ainda conta com seu produtor clássico Glyn Johns voltando a trabalhar com o músico; nestes últimos anos, no entanto, Clapton, apesar de ser um ótimo compositor, tem se focado mais e mais em seu lado intérprete, executando músicas de outras pessoas, e isso ele também faz com maestria, sempre fez.

Sua influência musical advinda de J.J. Cale também tem transparecido muito mais ainda desde o álbum que ele fez em parceria com o guitarrista, o excelente The Road To Escondido, de 2006. Ele sempre reinterpretou músicas de Cale em sua carreira desde seu primeiro disco solo, mas creio eu que a morte de seu parceiro e mentor teve um impacto muito grande no músico, o bastante até para ele homenageá-lo lançando um disco de covers em 2014, disco este que eu também recomendo muito.

Mas enfim, vamos falar do presente disco. Ele abre com nada menos do que a esvoaçante névoa de um blues, "Alabama Woman Blues", revisitando o pianista Leroy Carr; não poderia ser diferente; se você acompanha Clapton assim como eu, sabe que, entre uma balada e outra, as raízes sonoras do cara não poderiam ser outras a não ser o bom e velho blues. "Can't Let You Do It" e "Somebody's Knockin'" também seguem na mesma raíz, e são duas versões de destaque, onde Clapton mais uma vez homenageia seu grande mentor J.J. Cale, bem naquele estilo claptoniano conhecido, com material nunca antes ouvido pelo grande público do saudoso guitarrista. Um dia eles terão que disponibilizar estas preciosidades de Cale, muita gente iria querer ouvir.

Observando as autorais, a canção que eu achei que mais se destacou, até por ser a especialidade de Clapton, foi "Spiral", um blues que tem mais ares de soul, e que não ficou devendo nada aos seus mestres, muito embora Skip James e sua essencial "Cypress Grove", bem como o lamento sentido de Robert Johnson em seu clássico "Stones In My Passway" ganham aqui versões irrepreensíveis, demonstrando toda a afinidade que Clapton sempre teve com o blues; esta última inclusive, Clapton já havia feito outra versão no DVD de seu 17º disco de carreira, Sessions For Robert J, portanto aqui o guitarrista a revisita.

Saindo da esfera do blues, ainda temos Bob Dylan sendo lembrado por Clapton, em sua "I Dreamed I Saw St. Augustine", mais como uma balada do que se parecendo com o folk do clássico músico, e a canção jazzística "Little Man, You've Had a Busy Day", primeiramente gravada pela intérprete Elsie Carlisle em 1934; eu me recordo de primeiramente ter escutado esta canção em uma coletânea de jazz, e o intérprete era Bing Crosby, linda versão; desde então, eu sempre a conheci como uma jazz standart. A versão acústica de Clapton aqui ficou adorável, mas é difícil tirar a performance de Crosby da minha mente quando penso nela, e toda aquela orquestração. Por fim, o disco fecha com a versão de Clapton para a jazz standart "I'll Be Seeing You", famosa pelo musical da Broadway chamado Right This Way, e também eternizada na voz de veludo de Frank Sinatra, a versão que eu mais me lembro.

E pra quem decidiu ir atrás da Limited Edition, ou versão japonesa do disco, ainda tem mais duas novidades, a faixa "Lonesome", que é mais roqueira e a mais jazzística "Freight Train", com ares de canção country. Se você pegou a versão regular, ainda as pode adquirir no iTunes; não preciso dizer que vale sim, muito a pena. Ouça "Lonesome" e tente ficar indiferente!

É como eu disse. Clapton aqui está como sempre esteve em sua carreira. Transitando com beleza e desenvoltura entre o blues, o jazz e as suas baladas, e homenageando suas influências musicais. Se você também reconhece a genialidade incontestável deste veterano, e se você, assim como eu, é Claptonmaníaco, então corra atrás deste mais novo lançamento do guitarrista, pois Clapton faz o que ele sempre soube fazer com perfeição: ótima música para ouvidos exigentes.

I Still Do (2016)
(Eric Clapton)

Tracklist:
01. Alabama Woman Blues
02. Can't Let You Do It
03. I Will Be There (featuring Angelo Mysterioso)
04. Spiral
05. Catch the Blues
06. Cypress Grove
07. Little Man, You've Had a Busy Day
08. Stones in My Passway
09. I Dreamed I Saw St. Augustine
10. I'll Be Alright
11. Somebody's Knockin'
12. I'll Be Seeing You
Limited Edition:
13. Lonesome
14. Freight Train

Selo: Bushbranch/Surfdog

Banda:
Eric Clapton: voz, guitarra, tamborim
Andy Fairweather Low: guitarra, voz
Simon Climie: guitarra, teclados
Dave Bronze: baixo, baixo duplo
Paul Carrack: órgão hammond, voz
Chris Stainton: teclados
Walt Richmond: teclados
Henry Spinetti: bateria, percussão
Ethan Johns: percussão
Dirk Powell: sanfona, mandolin, voz
Michelle John: voz
Sharon White: voz
Angelo Mysterioso: violão, voz

Discografia anterior:
- The Breeze: An Appreciation of J.J. Cale (2014)
- Old Sock (2013)
- Clapton (2010)
- The Road to Escondido (com J.J. Cale) (2006)
- Back Home (2005)
- Sessions for Robert J (2004)
- Me and Mr. Johnson (2004)
- Reptile (2001)
- Riding with the King (com B.B. King) (2000)
- Blues (1999)
- Pilgrim (1998)
- From the Cradle (1994)
- Rush (1992)
- Journeyman (1989)
- August (1986)
- Behind the Sun (1985)
- Money and Cigarettes (1983)
- Another Ticket (1981)
- Backless (1978)
- Slowhand (1977)
- No Reason to Cry (1976)
- There's One in Every Crowd (1975)
- 461 Ocean Boulevard (1974)
- Eric Clapton (1970)

Site: www.ericclapton.com

Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog:
acienciadaopiniao.blogspot.com.br


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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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